About Isadora Attab

http://eagoraisadora.com

27 anos, SP. Gatos, plantas, decoração, DIY. Coisas bonitas e pipoca. Peixes-Sagitário-Leão. Escrevo porque sou preguiçosa demais pra desenhar.

Posts by Isadora Attab:

reforma

Na frente de casa tem um prédio desses baixinhos, sem personalidade, quase meio sem graça. Quando a gente morava de frente pra ele, um dia, fofocando da janela, percebemos que os janelões que antes pareciam dividir cada um dos três andares em dois eram, na verdade, só janelões, e um cachorrinho desses sem personalidade, quase meio sem graça, atravessava correndo de um lado pro outro do apartamento imenso, bem iluminado, com janelões que mais pareciam de dois. Quando a placa de “vende-se” apareceu na portaria completamente sem personalidade a gente ligou, só pra fazer graça mesmo, e perguntou como é que era essa história. O apartamento à venda era o do último andar, imenso, os janelões, todos os quartos do mundo – e não era só isso não, a laje era dele também, lá em cima, tudo aberto, dobrando o tamanho, e tem também uma edícula, moça, precisa de uma reforminha, a laje é meio velhinha, mas tem bastante espaço.

Precisa de uma reforminha. Tem uma laje imensa pra você fazer o que quiser.

Isso faz bem uns 3 anos, mas essa semana a plaquinha de “vende-se” voltou pra portaria sem graça, que fica ao lado do antigo mercadinho da rua, desses que a gente conhece a dona, a filha da dona, o marido da dona, aquela moça que não é filha nem irmã mas é certamente da família da dona. A dona que sabia que eu sou louca por abacate e kinder bueno. O mercadinho que sempre tinha cup noodles de legumes e vendeu milka a 8 reais por um tempo. O mercadinho fechou – a gente tem um Extra e um Dia% na mesma quadra, obrigada capitalismo – e agora ele tem uma plaquinha irmã da placa de “vende-se” do apartamento dos janelões e da laje e da reforminha. “Aluga-se”.

A laje toda coberta por grama e uns tijolinhos, pintar as paredes de cinza mesmo, pela luminosidade. Começar a reformar a edícula descascando todas as paredes e deixando a estrutura à mostra, só precisa de uma boa iluminação e um banheirinho, as coisas aqui de casa estão ótimas, novas, a gente leva tudo e se espalha. A gente coloca aquelas portas teladas duplas, de segurança, os gatos não sobem pra laje e ali a gente cria as plantinha todas. Dá pra ter as árvores que a gente sempre quis, dá pra plantar a mudinha de café, da pra estender a horta e cuidar das rúculas bebê. Daí a gente desce e pinta todo o mercadinho de branco e compra umas tábuas dessas clarinhas e vai montando as prateleiras, e coloca umas cores, e dá até pra ter o torno de cerâmica, e dá até pra ter um tearzão.

A gente sobe e desce com os vasinhos todo dia, daí lá em cima eles tomam o sol e a chuva que precisam e ficam verdões bonitos pras pessoas comprarem, e a gente explica como cuida, e a gente fala que tudo bem ter gato, que só precisa de cuidado. E a gente trabalha bastante e também descansa bastante, porque dá pra se esticar na grama no meio de São Paulo, e se a gente só olhar pra cima nem parece que estamos cercados por prédios, dá só pra abstrair o barulho do ônibus e o alarme das 18h. E a gente vai demorar uns 2 meses até entrar em um acordo pro nome da lojinha-café-espaço-de-convivência-livraria, mas aí você vai surgir com um nome incrível, e a gente vai rir pra sempre lembrando de como escolhemos aquilo. E a gente chama os amigos pra desenhar nas paredes, pra falar poesia, pra discutir política, pra tomar um café. E de vez em quando vem gente chata porque tem gente chata mesmo e tudo bem também, porque a gente tem a gente e tá tudo bem.

Eu passo todo dia ali na frente e por uns 3 minutos vem tudo isso, e eu planejo e sei as cores das paredes dos cartões das molduras e das lâmpadas. Eu sinto o cheiro da comida do bem que a gente vai fazer, das velas que a gente vai ter, eu me aperto com as contas que a gente vai pagar, eu sorrio de saber que mais um dia vai ser tudo igual e bom e igual. E se não for assim, também, a gente segue tendo a gente, e o sonho de a gente ser bem mais, e se não for, tudo bem também.

Conhecendo Curitiba: dias 3 e 4

Vortemo. Você ainda está por aqui? A primeira parte da nossa viagenzinha pra Curitiba está aqui

DIA 3

Aflitíssima com a falta de pessoas andando nas ruas dessa cidade, nos aventuramos pelo Centro com a ajuda do Free Walking Tour, um passeio independente e muito, mas muito massa mesmo, que algumas cidades ao redor do mundo oferecem. Um grupo pequeno, 2 horas de caminhada pelos principais pontos e marcos da cidade, da fundação até hoje, umas bizarrices de prefeitos malucos, umas histórias engraçadas – Curitiba, a Rússia brasileira, cadê esse link? é real. Foi realmente muito bacana conhecer os locais, as igrejas e a história da cidade, e terminar tomando um café delicinha no Café do Paço, um prédio histórico construído para ser a primeira prefeitura da cidade.

À tarde foi mais um momento de quentinho no coração promovido pelo combo Analu e Botanique Café Bar e Plantas. Bom, quando eu disse publicamente que iria pra Curitiba, recebi uma enxurrada de VOCÊ TEM QUE CONHECER O BOTANIQUE. Eu tinha que conhecer o Botanique. Tanto que fui inúmeras vezes no Botanique nessa visita, muito embora eu não vá expor aqui para não passar vergonha. Vocês sabem o quanto eu amo plantinhas, vocês sabem o quanto eu aprecio plantinhas na decoração, vocês me conhecem. Então imaginem a minha alegria de poder passar uma tarde nesse lugar, com essas plantas, essas prints, esses papeis de parede, essa decoração, essas comidinhas (veganas e veggies!), esses drinks, esses cafés e, claro, companhias que estavam me matando de saudade há tempos. Vocês já terminaram o dia com aquela sensação de “quero gravar esse momento pra sempre”? Então <3 E, pros amigos paulistanos, fica a dica que passamos quase 5 horas por lá, o que envolveu cervejas, águas, sucos, comidinhas, sobremesinhas, mais cerveja, e a conta pra duas pessoas deu R$ 70. Adeus.

Eu fiquei tão nervoseur que nem fotografei direito o lugar. Cês podem entrar aqui, faz favor?

DIA 4

Dia de feirinhaaaaaaa. Ser de humanas que sou, amo uma feirinha, piro numa feirinha, adoro uma aglomeração de gente e produtos inúteis para gastar dinheiro. A Feirinha do Largo da Ordem junta tudo isso numa rua história, e aí meu coração bate bem, bem forte. Lá fomos, EMBAIXO DE UM SOL DE 29 GRAUS CURITIBA TEM MAIS DIAS NUBLADOS QUE LONDRES, batendo sacolas, brigando com senhorinhas, chorando de desespero, admirando a arte local. Deveria ter trazido um descascador de pinhão pra casa? Deveria. Não trouxe. Arrependimentos. Lá, semi falecidos, encontramos novamente a miga Vaneça na frente da Mesquita Imam Ali – niqui cujo boy descalçou-se e entrou-se, eu preferi evitar a fadiga e me entregar a Alá deitada no piso frio do lado de fora mermu – e seguimos para o Passeio Público, outro O QUEEEEE parque, o primeiro da cidade, esse bem urbano e até com uma espécie de zoológico com várias espécies de aves e alguns outros bichinhos. Não sou fã de zoológicos e afins, mas ainda não tomei uma posição definitiva sobre eles, então a visita foi bacana, a companhia mais ainda <3

Por fim, terminamos o dia com um almoço bem delicioso no Tiki Liki, especializado em comida de rua asiática: tailandesa, coreana, chinesa e japonesa. Mais uma vez, arraso no sabor – estou com saudade de pakora, quero pakora, pakora agora Isadora HAHAHAHAA MEU DEUS ME PAREM -, no preço, e no ambiente super agradável e despojado. Que delícia comer em Curitiba.

Acho que vocês notaram que a minha empolgação com Curitiba não foi tanta quanto com Belo Horizonte, não é mesmo? A verdade é que cada vez mais eu vou descobrindo que o meu estilo de viagem é o de cidade, o de ficar perambulando pelas ruas, descobrindo coisas pra além dos roteiros, parar num cafecito, sentar num degrauzinho de casa, conversar com as pessoas. Nesses quesitos, Curitiba não atendeu muito às nossas expectativas: é uma cidade muito arrumada, limpa, organizada, pensada, em que tudo funciona e é bonitinho mas… Um pouco árida. Sem vida? Definitivamente, sem gente. As pessoas pareciam estar nos lugares – no parque, no sábado, na feirinha (muitas!) no domingo – mas nunca indo ou chegando de algum lugar, ou só passeando na rua, sabem? Pra quem vem dessa muvuca maluca e deliciosa de São Paulo, pode ser estranho.

Por conta disso, nossos passeios acabaram sendo mais curtos do que a gente imaginava, então se vocês pretendem ir pra Curitiba num esquema mais ou menos parecido – e sem amigos maravilhosos para passar tardes jogando papo fora – dá pra ir, de boíssima, em 3 dias. Arrisco a dizer até que dois. Se você curte muito conhecer cafés e restaurantes diferentes e, pros padrões de São Paulo, bem mais em conta, estique um pouquinho e aproveite! Também dá pra ficar mais tranquilo em um dos parques, lendo um livro, fazendo um piquenique, rolando na grama cos doguinho, dá sim.

Um adento importantíssimo e surpreendente: Curitiba é ó-t-e-m-a para vegetarianos e veganos. Agora eu tenho essa preocupação antes de qualquer viagem (na real, antes de qualquer rolê), e fiz uma lista bem extensa de restaurantes estritamente vegetarianos antes de ir. A real? Não “precisei” ir a nenhum deles, encontrei sempre opções claramente preocupada com os veganos. Bem, bem incrível!

 

Valeu a pena, xóvem Isa? Mas é claro que valeu! Viajar é uma delícia, sempre traz experiências novas e interessantes e, de quebra, ainda encontrei um monte de gente querida! Além de cumprir um pouquinho mais do plano de conhecer esse Brasilzão deminhadeusa. Quantas capitais mais vocês acham que dá pra conhecer até os 30 anos? E quais são as mais bacanas? Me chama que eu vou – alooooor patrocínio!

Conhecendo Curitiba: dias 1 e 2

Faz parte do meu projeto risos de 30 coisas pra fazer antes dos 30 anos conhecer mais do nosso amado país maluco, e a gente aproveitou uma folguinha + a última oportunidade em um longo período próximo que tínhamos uma graninha extra para conhecer mais uma capital do Brasil Varonil. Escolhemos Curitiba pelo fato de não ser tão longe e as passagens de ônibus não tão caras, fizemos uma malinha e, nesse último feriado, fomos.

CURITIBA É MUITO FRIO NOSSA SÓ SE COMPARA COM MOSCOU.

Fazia 29 graus.

VINTE E NOVE GRAUS NAQUELA DESGRAÇA. Ao contrário de quando fui para Belo Horizonte acreditando nas palavras da minha progenitora e carregando apenas itens de indumentária de veludo, dessa vez fui preparada bem verãozinha blogueirinha millenial, respirei fundo, ou o tanto que ESSA SECURA INFERNAL permitiu, e fomos. Que daora.

Cês amam viajar? Porra, eu amo viajar. Pode ser até pra São Bernardo. Mentira.

Dadas algumas horinhas em que São Paulo, sim, ela, atrasou nossa viagem, chegamos em Curitiba na madrugadinha da quarta-para-quinta, dormimos belíssimos e acordamos no dia seguinte para o primeiro passeio.

Curitiba é uma cidade muito planejadinha e com a urbanização muito bem pensada (ou um dia foi tudo isso), e oferece uma linha de ônibus turística que passa nos principais pontos da cidade. Você paga 45 golpitos por pessoa e pode subir no buso 4 vezes, então se você organizar direitinho, todo mundo passeia: 1 “subida inicial” no ônibus + 4 intermediárias + 1 descida final. Acabamos não usando esse ônibus pois dividiríamos os passeios em mais de um dia e, como estávamos em 2 e sou bem turca, resolvemos calcular quanto sairia mais ou menos os trajetos de Cabify. Saia R$ 45 em média por dia, então economizamos metade das doletas. Adivinha, né? Aham.

DIA 1

No primeiro dia nossos passeios escolhidos foram o Jardim Botânico, com a belíssima estufa – aquela, que a gente tira um monte de foto, essa mesmo – e um gramadão bonito e bem cuidado. Tem lago – Curitiba tem muito parque e cada parque tem muito lago – tem patinho, tem quero-quero (aquele pássaro assassino), tem turista. Depois, fomos ao MON, o Museu Oscar Niemeyer, um dos museus mais bacanas e com a arquitetura, claro, mais impressionante que já visitei. Arte moderna é muito lecaaaal! Vale a pena também passar no café que fica dentro do museu – comemos uma quiche de cogumelos surreal de boa! – e na lujinha, claro, com coisas lindas de design e decoração. O parque que fica atrás do museu é uma graça, tranquilo e cheio de catiorríneos correndo soltos <3

Em seguida, fomos para o Bosque do Papa outro, adivinha? Parque, sim senhor. Bem no estilo arrumadinho, pavimentado, gracinha, lá no meio a gente encontra o Memorial Polonês, uma série de casinhas que reproduz o ambiente em que viveram. É uma exposição bem simplesinha, mas que traz alguns utensílios de época e as casas são as originais, construídas pelos imigrantes e transportadas para o Bosque. Saindo de lá, a gente foi almoçar no Kawiarnia Krakowiak, que é praticamente um anexo do parque: restaurante típico polonês, uma casinha de madeira que parece de bonecas, com um mooooonte de comida diferentona e doces incríveis. A gente pediu o clássico pierogi, uma massinha recheada com queijo e batata – sem o molho, que é de bacon (mais pra frente falo sobre Curitiba-vegetariana!) e de sobremesa, banoffee, porque não temos vergonha na cara e não soubemos resistir à doce de leite + banana. Desgurpa, Polônia.

Depois disso, o combo gripe + 29 graus NOSSA COMO É FRIO EM CURITIBA me derrubou e eu faleci. Perdemos o passeio na Torre Panorâmica, mas confesso que como morro de medo de altura, nem fiquei tão chateada assim. Fica pra próxima!

DIA 2

Segundo dia de estripulias turísticas com famílias de paulistas causando e furando fila, chegamos primeiro na famosona Ópera de Arame, aquela que aparece nos cartões postais e tals. Cara, é legal, é uma estrutura realmente bem impressionante e única, mas ela fica quase que completamente fechada para visitação fora dos eventos, então o passeio acaba sendo curtíssimo e, pela quantidade de gente envolvida, meio incômodo. De qualquer maneira, vale conhecer. Depois dela, fomos para o enorme Parque Tanguá, que tem dois “andares”, uma vista privilegiada, e uma cascata e um lago artificiais que formam um lugar bem gostoso pra passar uma manhã. Mais parque? Mais parque, agora o Parque Tingui, que é mais daquele jeito que a gente conhece: matão bonito e plano, bom pra caminhar e correr e, lá no meio, abriga o Memorial Ucraniano, com a igreja, uma construção belíssima de madeira – deve ser assustador demais à noite? Deve. Vale entrar pra conhecer as pêssanka, os ovos tradicionais pintados à mão, cheios de detalhes e cores lindas.

Voltamos para o Centro para comer no Rause Café + Vinho, QUE LUGAR MAIS GOSTOSO. Devorei um lanchão de berinjela e tomate assado, mozão foi no crepe de gorgonzola, vários chope risos artesanais locais, vários vinhos, cafés frescos e fresquinhos risos, uma decoração lindinha e o melhor de tudo: nóis de SP é rico em Curitiba, então money money money, é surreal a diferente de preço, vão, comam, voltem 10 kg maiores, uma vez na vida a gente tem que ter uma vantagem, não é mesmo?

A “parte 1” do dia acabou cedo, mas a “parte 2” foi uma delicinha completa, com amores antigos de internet se tornando reais, abraçaveis e apertáveis: primeiro teve encontrinho com a Tati e a Fer num lugar muito maravilhoso, a Bake It, confeitaria vegana; e depois o encontro que a internet não estava preparada, meu e de Vaneça, amor da minha vida, no Barbarium, pub com o quê? Chope. Artesanal. Roque. Muito paulista, mêo. Curitiba deixou meu coração quentinho, meu estômago cheio e meu fígado pedindo arrego. Eu amei.

 

Vou parar a primeira parte do relato aqui pra vocês não morrerem de tanto ler e voltarem amanhã, combinado? Então combinado <3

diarin #10 – exausta

​​S​erá que algum dia a gente vai parar de falar MDDC TÁ TUDO MUITO LOKO QUE ANO É HOJE ONDE NÓS ESTAMOS QUE QUE EU TO FAZENDO SOCORRO? Fica a dúvida.

TÔ ASSISTINI

Continuo assistindo Game of Thrones simplesmente por aquele mix de gargalhar de vergonha alheia + passar raiva até desligar a televisão a pauladas. O que fizeram com essa série? Quantos takes mais Danaerys vai ter que entrar montada no dragão? Por que o Bran não contou tudo o que ele sabia desde o começo? QUE RAIVA. Vi Atypical, uma gracinha de série sobre um garoto adolescente portador do transtorno do espectro autista, bem gostosa de assistir, da Netflix. Tomara que rolem outras temporadas! Também teve a esquisita The Leftovers, que tem uma das melhores primeiras temporadas que eu já assisti e tem o Justin Theroux, e depois vira uma piração complemente sem sentido, mas continua tendo o Justin Theroux, e ele deixa a barba crescer. ​Teve The Defenders, que eu consegui ver exatos 3 minutos de tão insuportavelmente chata, de resto só acompanhei os barulhos da Jessica Jones sendo maravilhosa enquanto escrevia os posts do BEDA. ​

Por fim, depois de tanta coisa marromeno, decidi tomar a coragem de assistir pela segunda vez a melhor série já feita na história da televisão: Parks and Recreation. Eu demorei pra fazer isso porque não queria passar de novo pela decepção pós Parks and Recreation, mas ela virá, e ela virá em breve. Por enquanto, estou aproveitando a alegria vestida de Tiger Woods tal qual Ron pós Tammy (os fortes entenderão).

TÔ LENI

Superamos Elena Ferrante? Não ​superamos Elena Ferrante, e lemos Dias de Abandono. Foi bom? Não foi bom não. Claro que não me refiro ao livro em si, que mais uma vez é excelente, mas eu tô cansada de apanhar dessa mulher, deus me dibre. MENTIRA ESCREVE MAIS ELENA TE AMO VOLTA. Depois disso eu só estava em condições de ler algo parecido com uma história dos Ursinhos Carinhosos, então matei em 3 dias o lindinho Quinze Dias, do Vitor Martins, leve, divertido, com um dos melhores protagonistas que você vai encontrar no seu caminho, e encantador. Mais importante que tudo, um livro cuidadosíssimo com as questões de representatividade que a gente tanto bate na tecla. E um abraço quentinho pra crianças dos anos 90, cheio de referências.

TÔ FAZENI

Parece que faz 18 anos que eu tirei férias. Tem horas que tudo acontece ao mesmo tempo, e todas as coisas que pareciam paradas voltam numa enxurrada maluca, né? Tô na pororoca do frila louco (amém senhor manda frilas manda jobs), tô trabalhando feito uma imbecil, tô querendo chorar em posição fetal, já não sei mais juntar duas frases. Tá compli. Especialmente porque eu tô começando a perceber que não é só o corpo físico que não tem mais o mesmo ritmo, mas o espiritual também RYSOS, a cabeça também. Pra quem fazia 3 turnos há uns anos, contando faculdade, trabalho e frilas, hoje mal consigo dar conta de 2. Mas vamoquevamo, que a gente agradece e toma uns guaraná, obrigada, manda frilas que a gente quer ir viajar.

OS TOMBO QUE EU TÔ LEVANI

 

Nessa confusão toda, joguei a alimentação e o exercício pras cucuia (ai que adulto) e tô assustadíssima com o que tá rolani aqui no corpitcho. Que dureza 🙁

OS PULO QUE EU TÔ DANI

Entre um trabalho e outro, quando eu não estou dormindo, até que estou dando belíssimos rolezinhos por essa cidade maravilhosa, maravilhosa sim, com pessoas ainda mais maravilhosas que me lembram, sempre, que o que importa é quem a gente tem. E a piscina do Sesc novo. É isso que importa nessa vida. MIM AGUARDEM NESSE HORÁRIO DE VERÃO ESTAREI INSUPORTÁVEL.

Sabe com o que eu também tô insuportável? Eu estou insuportável com a matéria que o Histórias de Casa fez aqui na casinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Sei nem o que dizer, gente, sei que tô muito feliz, que as meninas captaram tudo o que a gente quis passar/quer viver aqui dentro, que o mundo é lindo e vocês podem ver tudo o que eu ainda não tinha mostrado, com fotos bem mais lindas, lá no post. Nem os haters me derrubaram! Só amor e alegria, só.

E teve o BEDA. Vocês viram o BEDA? Que saudades do BEDA. Ai, ai.

AS COISA QUE EU TÔ QUERENI

Descansar. Arrumar a casa. Descansar. Dormir 1 final de semana inteiro. Descansar.
E fazer os cursos que eu queria fazer desde julho e ainda não fiz. E ser rica. E tomar sol na piscina do Sesc.

Histórias de Casa na casinha <3 | teve prantinha em dia de chuva só porque a foto tá bonitona | A Piscina do Sesc Novo | exausta

Ainda não é dezembro. Eita.

O que eu aprendi sobre ser famosa na internet por um dia e meio

Eu não sou famosa na internet. Sim, eu tenho bastante seguidores – especialmente no instagram, e ainda bem que lá – e sou relativamente conhecidinha no meio bloguerístico, mas é mais por estar aqui desde que tudo era realmente mato do que por qualquer outra coisa. Eu não sou famosa-famosa, as pessoas não me conhecem, nada do que eu faço tem grande repercussão. E eu ouso dizer que só considero esse lugar tão acolhedor e bacana, tão casa, tão o lugar onde moram várias amigas, o local em que eu consigo me expressar tão bem, é porque construí, meio sem querer, meio querendo bastante, uma rede segura, de afeto, de carinho, que se ajuda e se motiva, e se gosta minimamente (e, em alguns casos, maximamente mesmo risos).

Daí esses dias um site de decoração veio aqui em casa. Não vou linkar tudo nesse post de desabafo pois não acho justo que as pessoas do site – meninas incríveis e queridas, que se interessaram pelo meu lar, foram super simpáticas e honestas, e fizeram boa parte da minha semana bem feliz e cheia de coisa boa – saibam desses problemas e de como eles me afetaram (mas depois, certamente, coloco o link aqui!). E no meio de um monte de coisas que me deixaram com o coração quentinho pois, além de ser uma coisa que eu sempre quis muito, recebi muito carinho e elogios, vieram também os haters.

Sim, haters. Num site de decoração. É real.

Quando fizemos as fotos, algumas amigas disseram, sempre em tom de piada: ahhh quero ver esse quadro do Che aí o que vai dar! Nós rimos, continuamos a beber nossas respectivas taças de vinho e seguimos o baile como deveríamos, afinal RISOS, não é mesmo. Era uma piada. Isso nunca seria um problema. Mas foi, gente.

Sim, um quadro do Che.

Eu já me questionei muito sobre esse quadro do Che. Primeiro porque não sei até que ponto ele mesmo, Ernestinho, ficaria feliz de ver a sua bela cara estampada em pôsteres e quadros e objetos de decoração. Segundo porque, e mais recentemente, me questiono sobre todo e qualquer ídolo ou ícone homem, seja ele um líder político ou um cantor. Terceiro porque as cores desse pôster são bem fortes e poderiam influenciar diretamente na decoração, risos.

Breve interlúdio: esse quadro do Che não é um quadro ou uma peça de decoração. Ele é um pôster de um filme produzido por alunos cubanos, feito à mão por um senhorzinho que fazia serigrafia numa praça em Havana. Quando soube que a gente era brasileiro, o senhorzinho fez um descontão e enfiou mais uns pôsteres no canudo que a gente levou pra casa. Isso não importa nada pra esse texto, mas essa história é bem legal.

Mas eu nunca tinha me questionado sobre não achar legal ou ideal ou seguro expressar meus princípios ideológicos e políticos, ainda que de maneira metafórica ou subjetiva, na minha própria casa.

Só que isso aconteceu. Dentre os milhares (<3) de likes e comentários de amor, de inspiração, de perguntas engraçadas do tipo como eles fazem pra ter 3 gatos e tudo isso de plantas (é possível, gente, tá turobem), o site recebeu vários comentários de ódio porque nós temos um quadro do Che Guevara na nossa sala de estar. Quer dizer que é bonito ser comunista? O quadro estragou tudo! Agora só faltam emoldurar Hitler e Mussolini! Carniceiro do ditador! Vocês deveriam ter vergonha de postar isso!

Esses foram só alguns, e eu faço questão de não voltar lá pra ver mais coisa.

Um quadro. Na minha casa. Na minha sala. Que eu comprei. Num site de decoração. Vocês entendem meu ponto? Eu não escrevo uma coluna política em que falo abertamente sobre como eu acho que só o comunismo vai salvar o planeta, eu não tentei convencer a ninguém da minha opinião política, eu não abri para discussão sobre como eu cheguei a esse princípio de vida, ninguém sabia a história do senhorzinho serigrafista (feiro? fáro?), nada. Um site de decoração. E comentários de ódio.

Fiquei pensando durante muito tempo (mesmo) (tocosono) que, caso ocorresse o mesmo “comigo” (COMIGO, né gente, essa ofensa pessoalíssima de entrar num site de decoração e encontrar ali algo de que não gostasse): eu iria xingar? Abro o site que gosto e encontro uma foto, sei lá, do Trump, pra ser assim bem óbvia. Vou falar NOSSA QUE HORROR QUE MAL GOSTO TIRA ISSO CARNICEIRO. Cara, eu não ia. Certamente eu iria zoar com alguém, certamente eu ficaria triste pelo fim da humanidade, certamente eu iria questionar os padrões estéticos daquela pessoa. Em silêncio. Porque é um site de decoração. Porque aqueles profissionais que fizeram aquela matéria têm o direito de postar o que eles quiserem, afinal, é a casa das pessoas, e não as deles. Porque a gente é livre pra escolher o que pendura em cima do nosso sofá.

É mesmo?

Ao mesmo tempo, fiquei horas pensando também se, caso acontecesse o mesmo e eu visse um quadro que incitasse à violência ou que ofendesse os direitos humanos, não é minha obrigação falar, criticar, comentar até sair do ar? É realmente uma reflexão, eu não sei a resposta. Uma casa com uma decoração linda e um quadro white power merece ser divulgada? Eu estou comparando alhos com bugalhos? Eu realmente não sei. Mas eu tenho bastante medo.

(Certamente o Google vai me banir pra sempre de toda a internet depois desse post cheeeeeio de palavra chave MASSA).

Eu aprendi um monte de coisa com esse episódio – na verdade, todas coisas que eu já sabia, mas que realmente não achei que pudessem ser tão reais e palpáveis e cheias de ódio e, bom, reais de novo. Eu lembrei que as pessoas são babacas e repetem as frases prontas (e ruins) como se fossem pré-programadas. Eu realmente entendi que atrás de um computador, sem cara a cara, sem olho no olho, a gente fala mesmo as coisas bizarras que estão guardadas dentro da gente, sem medo de machucar. Eu entendi finalmente que 99,9% das pessoas não param pra pensar no outro nem por 2 segundos. Eu realmente compreendi, agora, e morrendo de medo, que as pessoas são copos cheinhos de raiva, prontos pra transbordar da maneira mais rasa (risos) e imediata que der.

Dos mais de 8 mil likes em uma foto, eu fiquei com ou 5 ou 6 comentários de ódio pra mim.

Isso porque estamos falando de um site de decoração.

No Sesc 24 de Maio, meu novo lugar favorito nessa cidade maluca, tem uma instalação chamada Odiolândia, de Giselle Beiguelman, que nada mais é do que um caixotão escuro em que são projetados comentários postados na internet sobre as ações na Cracolândia. Só isso: uma sala escura, uma tela preta, os comentários em texto passando rápido na nossa frente, um som meio confuso no fundo. A gente fica ou sai da sala? Quem fica, fica com raiva, quer matar que fala? Quem fica fala aquelas coisas e não vê nada demais? Quem sai, sai com vergonha do que falou? Ou porque não aguentou o tranco de saber que existe tanto ódio assim?

Eu não falo publicamente sobre política, eu não uso crack, eu não sou a Dilma o Lula nãoseimaisquem, eu não causo na vida de ninguém, eu aqui só queria mesmo era decorar um pedaço da minha sala com a lembrança de uma viagem maravilhosa e a inocência de princípios que me ensinaram e me motivam e, quem sabe, me carregam e possam um dia virar realidade. Mas eu aprendi mesmo que o que move a gente é a raiva e ódio cada vez mais à mostra e, olha, eu estou exausta. E brava. Mas mais exausta.

Mas o quadro vai continuar lá.