coisas da vida

as séries que estou assistindo – edição de inverno

Vai ter mais série, sim, e se reclamar… Já sabe.

Chef’s Table: Eu fui MUITO reticente sobre assistir um documentários sobre os chefs dos restaurantes mais fodões do mundo porque, 1- documentáriozzzz; 2-tô de regime; 3-num entendo o conceito de ter um prato com 70% da área útil vazia. Mas o boy comentou que viu o começo de um episódio e era genial, e lá fui eu, desprovida de carboidratos e vontade de viver, assistir Chef’s Table (no Netflix, miga). MANO ASSISTAM. Que coisa mais maravilhosa. Muita gente rasga ceda pra fotografia e direção de arrrrtchi, que são realmente impressionantes, mas a coisa mais especial dessa série são as histórias.

A série foca realmente na história dos profissionais. Claro, existem passagens lindas de pratos minuciosamente montados, aparentemente deliciosos, que eu nunca vou comer na vida. Mas o que você vai acompanhar é a trajetória de cada um dos chefs, sua história profissional e seus principais objetivos. De uma maneira geral, o que dá pra perceber depois de assistir os 6 episódios é: todos eles chegaram num patamar extremamente autoral e são felizes (leia também: cagando dinheiro) dessa forma. Todos eles estudaram com os principais professores, 5 em 6, franceses – menos a Nikki Nakayama, que teve um mestre japonês – se tornaram alunos brilhantes e, depois de um tempo, se viram extremamente infelizes em somente reproduzir (com maestria) os pratos clássicos. Basicamente, é aí que está o melhor da série: descobrir a particularidade de cada um.

Todos os chefs têm uma característica que deixa a gente encantado: seja a preocupação quase insana pela qualidade dos ingredientes, que faz o cara ter sua própria fazenda sustentável; seja a preocupação com a manutenção das tradições, seja o velho malucão Hemingway da Patagônia que cozinha carne de caça em fogueiras no meio da neve. Mas, pra mim, a melhor história é a da linda da Niki Nakayama, que superou com classe todas as questões de gênero – primeiro a da tradição oriental, de sua família japonesa, depois as do ambiente hiper machista que é o da gastronomia. Aqui um gostinho:
(Consegui terminar essa resenha sem usar a expressão “de dar água na boca”. Queria deixar registrado.)
Broad City: fazia tempo que eu não dava risada assim. Depois de descobrir e terminar Unbreakable Kimmy Schmidt em um final de semana, fiquei bem órfã de uma boa série de comédia e… Cara, que coisa maravilhosa. É mais uma série do Comedy Central que, na real, começou como websérie – e por favor, tirem 5 minutinhos da vida de vocês pra ler esse artigo sobre as mulheres comediantes que estão criando suas próprias webséries.
BROAD-CITY-facebook
Basicamente, é a história da Abbi e da Ilana, duas garotas de vinte e poucos anos em Nova York, com empregos deprimentes, pouco dinheiro e muitas drogas. Te lembrou alguma coisa? As autoras mesmo dizem que comparar a série a Girls é bem raso. E é. Broad City é muito mais maluco e muito menos profundo que a série da minha amada Leninha, de uma maneira que eu estava precisando assistir faz tempo. As duas protagonistas subvertem tudo o que a gente está acostumado a ver em qualquer besteirol e já nem percebe: elas carregam todas as cenas de humor, de sexo, e de baixaria-gente-vomitando também. Discutem abertamente sobre temas que a gente tem medinho e dão um show em cima do restante do elenco masculino, bem banana.
É uma dessas séries que a gente quer virar amiga das protagonistas imediatamente. De novo, mais que em Girls, Broad City fala mais abertamente e, me parece, atinge mais profundamente mais meninas por aí – até por ser abertamente uma série de comédia. Por mais que me doa falar isso, Abbi e Ilana ganham mais empatia da nossa parte, já que são personagens mais inteiras – você não precisa de esforço para se conectar com o egoísmo da Hannah, ou com a chatice da Marnie, separadamente, mas vê a coisa como um todo, e quase não dá tempo de odiar ninguém. “But for all of their immature hedonism, they manage to come off as not entirely selfish“. Tá aí.

E cara, adivinha quem é uma das produtoras executivas? Vou te dar uma chance: éamulherdaminhavida.

E aí gente, o que vocês andam assistindo?

11 Comments

  • Marcos Rodrigo

    Oi, Isa!
    Não tinha visto seu último post sobre séries! O último que eu vi foi um do ano passado, que você comentou de Parks e eu comentei que ainda não tinha visto, mas estava na fila. Eu acabei vendo pouco tempo depois e gostei de tudo, principalmente da temporada final.
    Do último post, assisti SoA no ano passado e nem preciso falar, né? House of Cards assisti ano passado também e vi a 3ª temporada esses dias (Claire <3). Better Call Saul foi ótima, conseguiu deixar todo meu medo de um spin-off de Breaking Bad ser um lixo totalmente de lado. E eu gostei muito de HTGAWM, apesar de ser bem forçadinha em vários momentos haha
    Assiste Sense8!! Minha nova queridinha haha
    Beijo!

  • Julia

    AMO AMO AMO AMO chef’s table, mas por motivos óbvios (sou argentina) me identifiquei com o argentino e aquelas coisas maravilhosas que ele fazia no fogo, aquela melancolia típica de argentino e aquele friozinho, fogueira, lareira, vinho…

    o italiano também foi demais e o sueco (?) foi sensacional também 🙂

    aguardo loucamente por uma segunda temporada!

  • BA MORETTI

    comecei a assistir Unbreakable Kimmy Schmidt e preciso terminarrrrr. é tanta série foda bombando ao mesmo tempo que dá aflição ter tanta coisa disponível e não saber por onde começar. e broad city tá na minha listinha. espero conseguir assistir logo, aff

  • Mariana Moretti Losso

    Isa, como eu estava atrás de séries ou documentários sobre culinária. Ou melhor, sobre a vida desses profissionais, o que é bem difícil de achar. Adorei a indicação e ele já foi adicionado a minha lista de séries do Netflix que preciso assistir. E pra ajudar, chegou no momento certo. Eu acabei de terminar de ver Dexter e precisava urgente de boas indicações. Thanks <3

  • Jess

    eu comecei chefs table mas achei tão boring >.<
    a série da Kimmy eu já vi todinha e achei massa! O tipo de nosense tão psicodélico que é impossível não amar.

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