30 antes dos 30 – aprender a costurar

Mais do que zerar o bingo da Tia do Artesanato, aprender a costurar pra mim sempre teve um significado afetivo, já que vovó, a mesma das plantinhas, era costureira. Costureira mesmo, de fazer roupa pra fora, e também costureira das minhas fantasias de carnaval, dos bonecos de pano, de muitas coisas que acabaram desaparecendo junto com os laços depois que ela morreu, e não sei onde foram parar. Coisas essas que incluíam a sua máquina de costura, aquela clássica que todo mundo herdou pra contar uma história: o móvel de madeira, grande e retrô, o pé e a roda de ferro, meio Bela Adormecida, a máquina bonitona que sumiu em alguma mudança ou foi vendida pra pagar alguma dívida que não era dela.

Essa vontade de costurar sempre esteve comigo e ficava meio escondida justamente pelo peso que vinha junto dela. Costurar o quê e pra quem? Fazer minhas roupas? Eram coisas meio impensáveis. Fora que, ao contrário dos outros 1001 hobbies falidos que eu já arranjei, de fazer crochê ao macramê, de comprar retalhos de feltros a pedaços de lã pra fazer pompons, costurar é uma coisa cara: envolve um investimento alto em uma máquina de costura, o espaço para ela e seus apetrechos e tudo o mais. Todas as desculpas que eu precisa pra adiar pra sempre esse plano, né?

Eu já devo ter falado disso aqui mais ou menos umas 285 vezes e vou voltar a falar mais outras 360, mas tem me incomodado demais o fato da gente precisar monetizar, profissionalizar, ganhar dinheiro com tudo o que fazemos. Isso coloca uma pressão desnecessária e, na minha cabecinha comunista, bem sintomática do mundo em que a gente tá vivendo, e tira toda a graça da parada. Uma das minhas decisões mais recentes foi voltar a fazer meus cursos bobos sem a pressão de necessariamente tirar algo deles, abrir uma loja, vender uns artesanatos, rabiscar meu famigerado “plano B”, e vou contar aqui: melhor das decisões. É muito mais fácil fazer as coisas simplesmente porque a gente quer, sem um motivo maior, porque a vida da gente já é muito chega de obrigações pra gente arranjar mais delas.

O maior preâmbulo da história já feito neste blog, foi nessa vibe namastê hippie da Paulista que eu fui descobrir o ateliê da Georgia Halal – que permeia minha vida desde as buscas por vestidos de noivas diferentões e que acabou virando minha colega de pole dance <3 – e os cursos de costura oferecido por ela que também são cheio de bossa. O Sew Sisters é um clube de costura para mulheres independentes, o que me chamou mais atenção de tudo, já que toda essa questão do faça-você-mesmo pra mim sempre teve essa importância: dar independência. Do consumo das lojas, da criação, do tempo que a gente dedica ao fazer. O módulo que eu fiz, para iniciantes, é o Casa Pinterest, e aí vocês vão entender completamente o meu crush, né não?

As aulas foram divididas pelos objetos que a gente produziu: aula 1, bandeirola; aula 2, cachepot de tecido para plantas (meu preferido!) e uma almofada em formato de cacto; aula 3, uma sacola de compras e uma capa de almofada – com zíper!!!; e na aula 4 uma marmiteirinha, térmica e tudo, toda acolchoadinha, coisa linda de se ver. Sim, eu fiz tudo isso. Eu fiz tudo isso! Seguem ibagens para provar.

algumas das coisinhas que eu fiz no curso: almofada de cacto, marmiteira térmica, sacola de compras e capa de almofada (com zíper!!!)

O curso foi divertido e super instrutivo: cada uma na sua máquina de costura, num ambiente super gostoso e acolhedor, e o mais maravilhoso pra mim foi perceber que eu seria capaz de reproduzir as peças em casa depois sem muita dificuldade – claro que o youtube ajuda demais a gente nessas horas, né? Mas deu pra perceber que esse método de “aprender fazendo” é realmente o que me deixa mais segura de me enveredar por esses caminhos. E, mais que outras artes manuais que eu venho tentando aprender, a costura me dá uma segurança engraçada, que eu vou poupar você de explicar através de sangue e geração, mas talvez seja? Vai saber.

Daí eu tirei da cabeça e do papel o planinho de comprar uma máquina de costura e abri a carteira, aguardando ansiosamente o Submarino me entregar minha bonitinha <3 Desde então, já passei algumas tarde medindo e cortando bandeirolas coloridas para enfeitar quartos de neneis amigos e já amados, tentando não costurar a pata de nenhum gato enxerido e me perdendo no barulho do pedal correndo que me soa tão familiar. Claro, meu Pinterest está bombando como nunca esteve e eu estou me coçando de vontade de sair correndo pra 25 de março a qualquer minuto.

Se dá pra tirar um conselho a partir de tudo isso é: se tá rolando uma graninha extra e se você tá com vontade, faça. Não precisa pensar em “mas pra quê?” ou “eu não sei fazer”, que você aprende, e não precisa ser pra nada, além de pra você. Pra gente passar umas tardes gostosas focando apenas em fazer, em produzir, em olhar e abraçar algo que você pensou e construiu. É muito divertido!


esse post faz parte da série ~30 antes dos 30~, lista ambiciosa de coisas que eu separei pra fazer antes da fatídica idade chegar. você pode acompanhar meu fracasso por aqui – mas eu torceria por mim. estou torcendo. vamos lá.