28 quase lá

Me amar mais. Me amar. Me olhar no espelho e me reconhecer. E gostar de quem eu vejo. E querer ser mais. E sorrir. E deixar chorar. E tudo bem não querer ver ninguém. E fazer carão. E tirar nude. E dançar sozinha.

Aceitar que certos lugares não são seus. Aceitar que as pessoas, todas, não são suas. Se aceitar. Se permitir ir mais longe. Levantar do sofá. Pedir desculpas. Ler mais poesia. Escrever mais poesia.

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Eu gosto muito muito muito muito do número 8, mas acho 28 um número tão feio. Credo. Vou me manter nos 27.

domingo é um dia bunda #6

A minha vida, essa eterna quarta série. E como a minha cabecinha funciona, isso também. Se me chamam de “Isadora”, eita, que dor. Se não gostam de mim. Se não me respondem no whatsapp. Se riem com outra. Se roubam minha piada e a tornam engraçada, pois não era minha. Se nada em mim é interessante. Se eu tento tento tento tento tento agradar e se torna essa coisa extremamente insistente e torta e chata – e talvez eu nem seja tão chata assim. Se eu tenho que me convencer que eu me basto. Se eu tenho que me convencer de que eu tenho que fazer as coisas por mim. Se eu tenho que me convencer que preciso parar de tentar agradar. E buscar e buscar e buscar e buscar uma aceitação externa, quando nem a própria eu tenho totalmente. A minha vida, essa eterna quarta serie.

Quanto eu estava na quarta série, eu fazia “parte” de um grupo de “amigas” que absolutamente nada tinham a ver comigo. O tanto que eu tentava fazer parte consumiu os bons anos da minha quarta série e era proporcionalmente doloroso ao quanto nós não tínhamos nada a ver. Nada a ver. Um dia, eu fui informada que elas tinham criado um clube – que além de um grupo, nós éramos um clube. Um clube de ~patricinhas. Dolorosamente distante do que eu era. E também fui informada que, para participar do tal clube, eu teria que passar por um teste. Me entregaram a minha carteirinha – sem foto, elas já tinham tirado as respectivas fotos juntas, elas já tinham plastificado suas carteirinhas, a minha era um pedaço de cartolina sem foto – e atentaram ao espaço em branco: nota da semana. Meu teste de merecimento, de pertencimento, de adequação.

Eu tirei 4,5 de 10.

É assim que a minha cabecinha funciona. Minha vida, essa eterna quarta série. Essa eterna busca pela aprovação e pelo pertencimento em coisas e questões e caixinhas que eu nem sei se realmente me pertencem. Esses mini relacionamentos hiper abusivos em que nos jogam as migalhinhas de amor e de atenção. As conversas que você tenta puxar e se enrola de tanta vergonha e vontade de agradar – que doem só de lembrar. O sentimento recorrente de ser uma fraude, uma farsa, de estar claramente deslocada, de tem um holofote te marcando com a luz vermelha do você nem deveria estar aqui, miga.

A minha vida, essa eterna quarta série, em que você se encaixa onde não queria e queria onde não se encaixa.