favoritos #25

favoritos25O acessórios de resina feitos pelas meninas do A Beautiful Mess | Era um tutorial de penteado (lindo), também do A Beautiful Mess, mas o que eu apaixonei mesmo é essa blusa maravilhosa e outonal | Esse papel de parede de tirar o fôlego, do My Scandinavian Home, que foge dos tons clarinhos e pastéis das decorações atuais | As ilustrações lindinhas e minimalistas de Oamul Lu, que eu vi lá no Coisas de Pablo 

// Muito tem se falado da bendita da Era de Saturno que está (re?)começando agora, e como boa pisciana que sou, tenho jogado toda a culpa do mundo em quem? Nele mesmo. Esse link tem umas boas explicações, mais pés no chão que o meu drama, do que significa sermos regidos por esse planetinha lindo;

// Este site disponibiliza gratuitamente mais de 2.000 folhetos de cordel, autoexplicativo;

// Relato engraçado e real da Anna, do Ideias de Fim de Semana, que passou um tempo sem comer papelão, digo, carne;

// Milícia femininja do mês: alguns lançamentos da Netflix com mulheres fodonas para 2017; o trailer da incrível campanha “Chega de Fiu Fiu”, que vai virar filme; “Confesso: sou feminista mas não consigo amar meu corpo”, da AzMina; The Future of the Left Is Female, sim sim sim, repete mil vezes sim.

// Eu ainda não superei – e acho difícil que supere – as repercussões da Patti Smith ter errado a letra de A Hard Rain’s A-Gonna Fall, do Bob Dylan, quando ela foi receber o Nobel de Literatura em seu lugar. Eu postei o ensaio que ela fez sobre isso, em paralelo com a sua vida, como reflexão de final de ano, e acho que essa vai acabar sendo a reflexão sobre a vida, de maneira geral. Ainda preciso escrever sobre como essa mulher tem o dom de escrever não só sobre os temas, mas num tom que me toca de uma maneira que nem sei descrever. Conheci recentemente a newsletter da Gabriela Ventura, que usou a situação também de paralelo com um acontecimento da própria vida, e o começo do texto traz uma análise bem bonita da letra da música e da relação Patti + Dylan. Tá aí um livro que, se sair, talvez eu não seja capaz de aguentar.

30 antes dos 30 – Não comer carne por 1 mês

ou Sobre me tornar vegetariana

Faz um tempo que eu decidi me tornar vegetariana. Ovo-lacto-vegetariana, pra ser mais específica, o que significa que eu como ovos e consumo derivados de leite também. Eu não gosto de contar os dias/meses exatamente, comemorar uma data específica, porque minha única e principal “regra” sobre essa decisão foi: eu vou levar numa boa. Eu tenho que levar numa boa, comigo, eu não posso ficar me cobrando ou me sentindo mal com essa decisão, exclusivamente porque minha relação com a comida sempre foi essa: de culpa. Seja na infância dos olhos julgadores para a criança gordinha, seja na adolescência das nóias com as amigas, ou ainda hoje, comida pra mim sempre foi um tópico complicado, cheio disso: de culpa, de julgamentos. Uma relação desfigurada, em que comida virou 1) recompensa por momentos ruins/bons; 2) fonte de preocupação constante.

Gente, é comida. Não pode ser assim. A alimentação é o que deixa a gente em pé, com energia pra mudar esse mundão de meu deus, com vigor pra nos levar pros lugares, com vontade de acordar, de fazer a vida acontecer. Não pode ser um motivo de culpa.

Foram essas coisinhas que fui percebendo com o tempo que me fizeram tomar a decisão de parar de comer carne. Essas, é claro, e a grande sensação de incoerência que eu sentia – veja bem, que eu sentia, porque não dá pra usar isso de argumento pra veganizar ninguém – de me importar, sofrer, sentir, querer, cuidar tanto de alguns animais, e comer outros. Como diz a Ana, minha amiga e um dos grandes motivos dessa mudança na minha vida, “tem que bater”. Não adianta forçar, não adianta tentar doutrinar com vídeos horríveis, não adianta: tem que bater em você, de dentro pra fora, tem que fazer sentido e, eu arrisco dizer, que teu corpo tem que pedir. Tem que vir de dentro pra fora mesmo, sem papo hippie tilelê de humanas – embora seja todo ele.

Eu nunca me senti tão bem com uma decisão.

A primeira mudança é que você acaba se tornando muito mais consciente do que está consumindo. Eu não fico louca preocupada com a quantidade de calorias ou carboidratos, mas sei que as porções do meu prato têm que balancear as proteínas de origem vegetal (sim, elas existem!!), os carboidratos vilões horrorosos meu deus que tenebroso (não), e mais um monte de coisas que vão entrar em meu corpinho de 1 metro e meio e fazer sentido. Veja: você pode se preocupar com isso tudo comendo carne? Pode. Eu me preocupava? Não. Pode ser só um método meio torto de conseguir essa consciência? Pode. Mas, pra mim, funcionou. Muito. Eu continuo sentindo alguma culpa se exagero no doce ou se como alguma massa cheia de queijos e castanhas à noite? Claro que sim. Mas eu sempre – sempre! – me lembro do bem que tenho trazido ao meu corpinho nos outros momentos. É um abracinho, de Isadora para Isadora, assim.

A parte hippie titelê de humanas que você pode não gostar de ouvir é relacionada às energias que eu consumo – e sim, você pode achar isso uma baboseira tremenda, mas é nisso que eu acredito. Então, rapidamente e resumidamente: eu não quero mais consumir nada morto. Eu não preciso disso. Eu não preciso do sofrimento de outro ser vivo pra que eu possa viver. Eu não quero compactuar com essa indústria horrorosa e deprimente (e capitalista até o talo). Eu não quero isso pra mim. Pra mim.

O que resume bem esse meu sentimento é essa conversa da nutricionista que tem me ajudado nessa transição, a Natália Utikava – que tem uma página muito legal no Facebook e uma newsletter incrível de verdade, com dicas práticas e simples para o dia a dia (assinem!):

Considero que a pessoa que optou pelo vegetarianismo como estilo de vida, pratica o mindful eating antes mesmo de colocar o alimento no prato. E não é exagero. São valores. Valores são diferentes pra cada pessoa. Não são melhores ou piores, apenas são. Devem ser respeitados.

A querida amiga Fê Canna escreveu brilhantemente sobre isso aqui“toda vez que eu levanto o garfo, estou sinalizando que eu concordo com o que está no meu prato. Tenho vontade de cuidar para que todo o processo esteja de acordo com os meus valores, e é um exercício diário para sair do automático e questionar. De onde vem? Sobrou? Do que é feito? Mas não é simples, envolve tentativas frustradas, tem ocasiões que eu não tenho vontade de levantar o garfo.”

Eu ainda quero muito parar de comer ovos, leite e derivados. Ao menos em casa. É sobre fazer sentido, sabe? Fazer sentido pra mim. Hoje, não se encaixa na minha rotina – talvez por pura preguiça e falta de hábito, mesmo – um cardápio elaborado, que envolva muita produção, horas cozinhando etc. Eu acho lindo quem faz isso e gostaria muito de chegar nesse ponto, sim. Mas lembra o que eu falei ali em cima, sobre não sentir mais culpa relacionada à comida? Então é com calma, no meu tempo, no que, aos poucos, vai fazendo sentido pra mim, pra minha rotina, pro que eu consigo fazer. Até porque é importante lembrar o quão privilegiada é essa minha decisão e minha postura, desde a primeira linha desse texto, não é mesmo?

São decisões, são escolhas, mesmo. E pra tomá-las, a gente tem que ter alguma motivação, senão nada se sustenta. Uma das coisas mais legais que aconteceu recentemente foi quando, em um retorno, a nutricionista me pediu que eu levasse a embalagem de um produto que eu gostava muito, pra analisarmos juntas os componentes. E eu não tinha nada em casa para levar! Nenhum saquinho, nada embalado, nada industrializado – exceto uma bolachinha toda orgânica de chia e os paranauê todo, que ela mesma tinha indicado. E isso não foi feito com nenhum esforço ou nóia não: foi completamente natural.

Eu sinto as mudanças visíveis no meu corpo, na minha pele, no meu cabelo, no meu sono, na minha disposição, sim. Mas eu sinto também as mudanças mais internas, de uma decisão coerente com o momento da vida em que eu estou hoje, com a pessoa que eu me tornei e, principalmente, com a pessoa que eu ainda quero ser.

alimentacao

Se eu puder deixar um conselhozinho aqui, no final de todo esse blá blá blá, ele seria: pense sobre a comida que você come. Se pra você não faz sentido – se não te incomoda, se você acha que não vai ter tempo de cozinhar, ou se simplesmente você não quer, tudo bem – para de comer carne, não pare; mas que tal procurar saber a origem da carne que você está comendo? Hoje dá pra achar frango Korin em quase todos os mercados, e a diferença de preço é bem pequena. E os ovos, você sabe como são produzidos? Dá uma olhada nesse documentário do Gastrolândia e começa a procurar por ovos orgânicos e caipiras – tem até no Extrinha, te juro! E sabia que se você reduzir seu consumo de carne apenas uma vez por semana, como aderindo ao Segunda sem carne, já muda drasticamente o dano ao meio ambiente a longo prazo? É verdade!

Vou terminar esse post por aqui, antes que vocês desistam de mim, com duas indicações em frentes opostas: uma na vibe vamo veganizar na base da porrada, de uma palestra essencial, pesadíssima e importantíssima; e outra na base do vem comigo ser feliz e comer bem, com sugestões deliciosas e de deixar com fome.


esse post faz parte da série ~30 antes dos 30~, lista ambiciosa de coisas que eu separei pra fazer antes da fatídica idade chegar. você pode acompanhar meu fracasso por aqui – mas eu torceria por mim. estou torcendo. vamos lá. 

28 quase lá

Me amar mais. Me amar. Me olhar no espelho e me reconhecer. E gostar de quem eu vejo. E querer ser mais. E sorrir. E deixar chorar. E tudo bem não querer ver ninguém. E fazer carão. E tirar nude. E dançar sozinha.

Aceitar que certos lugares não são seus. Aceitar que as pessoas, todas, não são suas. Se aceitar. Se permitir ir mais longe. Levantar do sofá. Pedir desculpas. Ler mais poesia. Escrever mais poesia.

IMG_20170311_133216_607Eu gosto muito muito muito muito do número 8, mas acho 28 um número tão feio. Credo. Vou me manter nos 27.

domingo é um dia bunda #6

A minha vida, essa eterna quarta série. E como a minha cabecinha funciona, isso também. Se me chamam de “Isadora”, eita, que dor. Se não gostam de mim. Se não me respondem no whatsapp. Se riem com outra. Se roubam minha piada e a tornam engraçada, pois não era minha. Se nada em mim é interessante. Se eu tento tento tento tento tento agradar e se torna essa coisa extremamente insistente e torta e chata – e talvez eu nem seja tão chata assim. Se eu tenho que me convencer que eu me basto. Se eu tenho que me convencer de que eu tenho que fazer as coisas por mim. Se eu tenho que me convencer que preciso parar de tentar agradar. E buscar e buscar e buscar e buscar uma aceitação externa, quando nem a própria eu tenho totalmente. A minha vida, essa eterna quarta serie.

Quanto eu estava na quarta série, eu fazia “parte” de um grupo de “amigas” que absolutamente nada tinham a ver comigo. O tanto que eu tentava fazer parte consumiu os bons anos da minha quarta série e era proporcionalmente doloroso ao quanto nós não tínhamos nada a ver. Nada a ver. Um dia, eu fui informada que elas tinham criado um clube – que além de um grupo, nós éramos um clube. Um clube de ~patricinhas. Dolorosamente distante do que eu era. E também fui informada que, para participar do tal clube, eu teria que passar por um teste. Me entregaram a minha carteirinha – sem foto, elas já tinham tirado as respectivas fotos juntas, elas já tinham plastificado suas carteirinhas, a minha era um pedaço de cartolina sem foto – e atentaram ao espaço em branco: nota da semana. Meu teste de merecimento, de pertencimento, de adequação.

Eu tirei 4,5 de 10.

É assim que a minha cabecinha funciona. Minha vida, essa eterna quarta série. Essa eterna busca pela aprovação e pelo pertencimento em coisas e questões e caixinhas que eu nem sei se realmente me pertencem. Esses mini relacionamentos hiper abusivos em que nos jogam as migalhinhas de amor e de atenção. As conversas que você tenta puxar e se enrola de tanta vergonha e vontade de agradar – que doem só de lembrar. O sentimento recorrente de ser uma fraude, uma farsa, de estar claramente deslocada, de tem um holofote te marcando com a luz vermelha do você nem deveria estar aqui, miga.

A minha vida, essa eterna quarta série, em que você se encaixa onde não queria e queria onde não se encaixa.