2017 sorrisinho smiley coração gratidão :)

Eita, 2017. Acabou, né?

Eu tenho até medo de falar que foi um ano bacana. Porque, no final, foi um ano bacana no meio de um ano bem maluco e difícil para 110% das pessoas e aí a gente fica pensando: mas porque que foi bacana mesmo? Rola aquele sentimento de retrospectiva e aí você vai tentando enumerar todas as coisas incríveis que fez pra dar valor especial àquele ano. 2015: montamos nossa casinha. 2016: casamos, viajamos. E 2017?

Pra escrever esse post eu estou rolando o feed do Instagram atéeeee o comecinho do ano. Pra ver o que eu fiz, o que eu documentei. E, antes que venha o questionamento “mas você vai se pautar pelas fotos de uma rede social?” eu já respondo: vou, vou sim. Da mesma maneira que a gente, antes, tirava fotos dos momentos especiais. Da mesma maneira que a gente queria registrar viagens, nascimentos, festinhas. Foi assim que eu aprendi nos últimos anos, mas nesse mais que todos, a documentar os grandes acontecimentos sim, mas também os pequenos. Olhar com mais carinho pro dia normal, tranquilinho, “sem graça”. Aprender a ver o bonito dentro de casa, na normalidade do “nada acontece”, nas coisas que a gente já tem – e não precisa ir além.

É difícil de registrar isso, o normal, o cotidiano. Parece que fica tudo igual, que não tem novidade. 2017 trouxe isso também: tudo bem ser tudo igual, tudo bem ser normal, tudo bem não estar em milhões de lugares e com milhões de pessoas diferentes. Talvez o que a gente precise seja mesmo de pouco, de poucos. Talvez o que a gente precise a gente já tenha, também.

Tivemos muitas plantinhasAndamos muito no Minhocão. Também andamos muito por São Paulo, essa cidade que cada vez mais me convence que é aqui que eu pertenço, e ainda quero andar bem mais. Nossa casinha está cada vez mais a nossa cara e cada vez mais aconchegante. Deu até pra tatuarSempre tem os gatos, eles, que me tranquilizam e me divertem tantoTeve carnaval, sempre podemos contar com o carnavalRolaram algumas viagenzinhas também. Alguns projetos saíram do papel e também foram novamente engavetados: e está tudo bem com isso. O blog, esse espacinho que eu tanto amo, teve um ano bem especial e lindo. Rolou um longo, demorado, dolorido e libertador processo de redescoberta pessoal, de amor próprio e do poder de rebolar a raba. Tiveram vários cabelinhos muito bons, e eu tô aqui, pensando já no próximo. Bebês nasceram! Isso dá uma esperança danada pra gente, né? E as amigas estão grávidas <3 E são tantos, tantos amigos incríveis! Amigos que vieram, novos velhos amigos, velhos amigos, de novo. E amigos partiram, literalmente, pra longe, e também no sentido de já não fazerem mais parte. Esses são os que mais doem, mas a gente aprende, a gente se fortalece, e segue em frente. E teve a gente, porque sempre tem a gente, a gente sabe.

É isso que a gente tem que se esforçar pra lembrar, sempre. Que não está tudo bem, é claro que não está, e entre uma coisa incrível e outra, um passeio bacana e um abraço gostoso, uma conquista e um prato de bolo, tem muita coisa. Tem muita coisa acontecendo no mundo, que derruba a gente; tem muita acontecendo com quem a gente ama, que a gente se sente impotente, tem muita coisa rolando dentro da cabeça e que aperta o coração, e a gente nem sabe o que fazer com isso. Uma coisa boa não apaga uma coisa ruim, mas o contrário também vale. Tudo isso aí em cima aconteceu, foi vivido, foi apreciado, foi sentido. Foram todos momentos felizes que a gente tem que sempre lembrar que podemos buscar, podemos nos entregar, podemos buscar, ainda que as coisas ruins existam. Ainda que nos forcem a nos sentir culpados. Ainda que tenhamos a tendência de nos justificar.

As coisas não estão perfeitas, estão longe de estar. O mundo está uma completa bagunça, girando ao contrário, girando pra trás – parece que tudo o que conquistamos a duras penas está desmoronando, que nossas liberdades estão desaparecendo rapidamente e ninguém liga, que não faz diferença lutar. Mas a gente encontra quem lute essa longa e cansativa luta com a gente e, cada vez mais, sabe que existe, sim, um caminho certo pra estar. Um lado. Que posicionamento importa, sim, e muito. Que tudo o que vem acontecendo não é fictício e saí do âmbito dos princípios e passa a ser palpável: magoar os que nos são próximos, prejudicar os que a gente ama. Que as durezas da falta de dinheiro, do excesso de trabalho, da inversão dos princípios transforma as pessoas, faz com que esqueçam. E tudo isso faz a gente pensar também nas prioridades da nossa vida, nos nossos privilégios, em segurar a nossa onda.

Gratidão é por isso também. Pra gente lembrar de tudo o que a gente tem com a devida proporção e importância. E também lembrar de todas essas coisas quando a gente tiver tão cansado que parece que nada mais faz sentido. Isso realmente vai importar daqui a um ano? Esse é realmente um problema seu, ou é problema da outra pessoa? A gente se perde muito numa onda negativa de reclamações e auto depreciação, às vezes, o mundo (e a internet, eu diria!) faz isso com a gente. Mas é importante respirar. Olhar pra dentro, olhar pra fora, e voltar pra dentro. Gratidão também é isso aí: é pequenininha, é silenciosa, é reproduzindo o que a gente recebe – pro Universo, se você acredita, pras pessoas do teu coração, pras pessoas desconhecidas também.

É nesse momento do ano que a gente volta pra famigerada resolução de ano novo do ano passado pra ver se rolou alguma das coisas que prometemos – você lembra quais foram as suas? Eu não lembrava. Mas aí a gente agradece também por ter se importado a ponto de escrever aqui, e vem isso:

Por isso, eu vou me permitir fazer essa transição de uma maneira mais leve, sem cobranças, sem pressão – sem listas!. Aproveitar que cai tudo num sábado e não permite muita comemoração ou rituais de passagem pra ser essa a resolução: atenção diária ao que foi bom. Comemorações diárias. Celebrações diárias. Ser feliz todo dia sim – e respeitar os dias ruins também. […] E como eu ando nessas de não saber direito o que dizer, nem como, nem pra quem, eu queria deixar vocês com duas reflexões mais bonitas e completas que apareceram na minha vida essa semana, justo nela, toda complicada e cheia de problemas. A primeira é da Nath que, com as suas cartas, foi um dos pontos altos do ano, sempre pontual, sempre no timing certo: que o seu próximo ano seja repleto desses momentos que você quer registrar para guardar, postar, compartilhar. Porque a vida do instagram é, sim, muito maravilhosa e, no final das contas, a nossa vida é isso aí: um amontoado de bons momentos que a gente quer guardar pra sempre (em volta de um amontoado de momentos blé que a gente só esquece).

Uma das coisas que eu aprendi esse ano, aqui dentro, nesse processo de redescobrimento pessoal, é que a gente tem que parar de ser humildona – o que é bem diferente de ser humilde. Faz parte do mesmo sistema opressor e patriarcal que a gente tanto quer derrubar essa postura que adotamos meio que por instinto do “deixa disso!”, “são seus olhos!”, “imagina, eu não fiz nada!”. Eu fiz sim. Eu cumpri, direitinho, o compromisso que eu assumi comigo – a pessoa mais importante da minha vida. Eu disse pra mim que eu faria uma coisa e eu fui até o final e fiz, direitinho – com altos e baixos, como é tudo, mas eu fiz! Talvez até mesmo meio inconscientemente eu tenha liberado espaço na vida, na minha cabeça, até no meu corpo mesmo e no “espaço físico” que eu ocupo pra poder ser feliz, ser mais leve, compartilhar e guardar essa felicidade e me apropriar dela. Me apropriar de tudo o que eu sou, eu fiz, e eu lutei pra ter e pra fazer. Meu esforço, minha responsabilidade, minhas escolhas. Eu fui e fiz – ou não fiz, e aí foi por minha causa também. Fiz direitinho, igual eu mandei que eu fizesse aí em cima, ainda em 2016. Porque eu sou foda pra caralho, e eu reconheço isso.

Que em 2017 a gente seja isso então: que em 2017 a seja foda pra caralho e, principalmente, saiba reconhecer isso. Não interessa onde nem como: no seu trabalho, na sua vida pessoal, no seu relacionamento, nos seus estudos, no silêncio do seu quarto falando com as prantinha. Eu quero isso aí pra todo mundo, e me comprometo a ajudar, quem estiver aberto a receber essa ajuda, a chegar nesse reconhecimento. Que no ano novo a gente pense na tal lista de resoluções com foco exclusivamente no que fará um bem genuíno pra gente, e se relembre desse bem a cada nova semana, a cada novo mês, seja pra cumprir as metas, seja para trocá-las por outras mais importantes.

Me dá uma felicidade surpreendentemente palpável saber que sou dona de tudo o que me faz feliz. Dona no sentido de que são minhas conquistas, meus esforços, minha responsabilidade, minhas escolhas – veja aí em cima e repita comigo! E com isso vem também uma aceitação maior de que o mundo é composto por um milhão de outras coisas, acontecimentos, eventos, ocasiões que eu não tenho o menor controle. Que estão fora do meu alcance. E que eu não faço ideia de como lidar. Mas, como tudo é equilíbrio, a primeira parte faz com que eu aceite melhor a segunda. Cultivando meus portos-seguros, agradecendo por eles, respeitando cada uma das conquistas e dando seu merecido valor. Pra quando a vida chacoalhar a gente, a gente saber que vai passar, que está tudo bem, e que a gente pode reconquistar tudo de novo.

 

Eu realmente só tenho a agradecer. E compartilhar. E que o ano novo seja de cultivo das coisas boas, de apropriação das conquistas, de aceitação de quem a gente é e de agradecimento por tudo o que a gente tem. Ainda mais. Que seja nosso, e que a gente saiba disso!