revirar-se

Esse caso inominável e bizarro e a gente tá o quê? Explicando pra homem como se comportar.

Tem que explicar. Tem que ensinar. Tem que falar “se você não para de tomar cerveja com o parça que bate na mina, você é igual”. Tem que ser didático e “se você dá risada da piada no whatsapp você é igual”. Tem que contar que “se você acha exagero você é exatamente igual”. Que “se você fala da roupa do batom do biquíni da gorda da vaca da Dilma da puta” você é exatamente igual. Você tem que dizer que não importa a roupa a droga a bebida o filho a idade o funk a escola. Você tem que construir os argumentos pro desconstruidão pegar mulher. Mas ele é tão legal.

Você, mulher, tem que explicar como é fundo e dolorido e pra onde você olha e pra onde você corre tem mais e mais e mais gente igual. Você, mulher, tem que se legitimar através do texto do brother que está envergonhado e que país é esse e que imagina que gente doente, que mundo doente, mas eu não sou assim, eu sou do bem. Você, mulher, nós, mulheres, a gente tem que ouvir que a solução e fazer os 33 virarem mulherzinha na prisão.

Virarem mulherzinha. Mais 33 mulherzinhas.

Mas a gente não precisa do feminismo, não.

Nayyirah Waheed 01

A gente está indignado, indignadíssimo, com um crime. Um crime absurdo, hediondo, impensável, um crime. Um crime que acontece todo dia – todo. santo. dia. – e ninguém vê. Um crime que quando não são 33 ou não repercute ou não pega tão mal não se pronunciar, passa em branco. Ou, pior ainda: é justificado. Um crime injustificável e inominável e indefensável, tanto quanto os outros 1 a cada 11 minutos crimes que acontecem diariamente mas, esses, sutis, justificáveis, mas e a roupa, mas tinha cara de safada, mas tava querendo, mas tá chorando porque se tá gostando.

Tá todo mundo indignado com a violência e a crueldade da favela, do morro, do tráfico, dos animais, dos pobres, do povo sem estudo porque tem que ler e ter cultura. Ninguém sequer de quantas vezes silenciou as duas ou três mulheres da reunião descoladinha na sala do lado da mesa de bilhar. Quantas vezes chamou de gostosa de vaca vagabunda de puta rodada e essa não essa é só pra comer na balada milionária. De quantas vezes rechaçou, recusou, de quantas vezes julgou a roupa e falou da amiga gorda, da mina vaca, da competição, da legging apertada, de que precisa emagrecer mas tem um rosto lindo. Mas tá todo mundo muito indignado.

Não é nossa função ensinar. Não é nossa função validar. Não é nossa função explicar. São séculos nos tratando como incapazes, burras, menos eficazes. São séculos no diminutivo. No bonitinho. No sensível. Meninas. No educado. No paternalismo patronizing patrocínio que apadrinha ampara protege sustenta defende auxilia. Está. No. Discurso. Não é nossa função compartilhar texto pra deixar (mais) famoso. Vamos escrever nossos próprios textos. Vamos nos compartilhar, divulgar, proteger.  Nos cuidar. Entender quem é o inimigo. Guardar as brigas internas num lugar importante, mas nutri-las com carinho e cuidado para brigá-las com a compreensão de quem já esteve do lado de lá. Quando for possível.

what
massacre
happens to my son
between
him
living within my skin.
drinking my cells.
my water.
my organs.
and
his soft psyche turning cruel.
does he not remember
he
is half woman.

– from

É preciso se unir. E abraçar e cuidar e empoderar e gritar junto e dar as mãos para cada uma das mulheres a nossa volta. Todas-elas. Todas-elas. Todas aquelas que renegamos, que rechaçamos, que chamamos de vadia, que temos inveja, que desprezamos, que nos machucaram, que nos feriram. É preciso abraçá-las. Precisamos promover todas as mulheres a quem admiramos, amamos, todas as mulheres que são muito próximas para dizermos que precisam se emancipar. Aquelas. E todas as que têm medo de falar por erro, e todas as que não desconstruíram e precisam, e todas as que não perceberam mas vão. É preciso dizer que nos inspiram. Que nos dão força. Que estamos juntas. Que somos fortes.

É preciso se posicionar. É preciso entender que não são 30 homens doentes: são 30 filhos saudáveis do patriarcado. Que estupro não é doença, não é sexo, não é desejo: é poder, é política, é dominação. É discurso. Coitada, coitada, coitada… Sofrer coito. Sofrer. Que está na linguagem. Naquele que dizemos todo dia. Na raiz da palavra. Presidenta. Mulher. Mulherzinha. Inha. Nos olhares por cima dos ombros na rua. Na hierarquia superior do homem.

É preciso (se) revirar. Tudo. Do zero. De dentro. Com força. Vermelho.

Nayyirah Waheed 02

Todos os trechos destacados desse post são de Salt, da poeta Nayyirah Waheed. Acho que nunca li nada tão poderoso. Dá pra ler o livro inteiro de graça na Amazon. Façam isso por vocês hoje. E também assistam o documentário Shes’s Beautiful When She’s Angry, sobre o movimento feminista dos anos 1960/70, na Netflix. Pra encher a gente de ideias e de força.

etiqueta do casamento: não f*de o meu rolê

Socorro.

(Se alguém fizesse um gráfico sobre quantos posts desse blog começam contém a palavra “socorro” este ano, aposto que daria uma estatística interessante. Não que alguém esteja contando…)

10 dias.

E como toda a minha lista de afazeres terminou, e como está tudo certo, e como eu não tenho mais nada pra responder quando as pessoas me perguntam “e os preparativos?”, eu vim aqui conversar com vocês sobre aquelas coisinhas que tiram a gente do prumo nessa altura do campeonato.

Muita gente acha estranho que eu tenha tomado essa decisão, de casar. Especialmente os amigos mais próximos, que sabem das minhas inclinações políticas-sociais-de gênero – ou seje, sabem que eu sou feminazi comunistinha que ganha dinheiro dos petralhas e dorme com mais de 10 hómi por noite. Essasoueu, uma princesa. E daí ficam espantados quando eu solto um então gente vou casar.

Eu julgo? Não. Porque eu, como a maioria desses amigos, sabe tudo o que vem envolvido nessa tradição de casamento e que, néam, gente, não é nada muito bacana. Nada. Eu poderia aqui fazer um momento De Repente História™ e jogar uns dados da tradição casamenteira ao longo dos séculos, datando da tradição romana, passando pelos enlaces de Game of Thrones, mas vocês já são grandinhos o suficiente pra procurar no Google.

A questão é que a gente adora uma festa. Adora, assim, desde o momento um. Ir, arrumar, organizar, reunir. E que eu sou um bicho extremamente dos paranauê místico – tanto que usaria meu céu quase inteiro em Peixes pra explicar isso pra vocês – e das passagens, dos ritos, dos eventos, para marcar datas. E somos, bom, somos grandes fãs do amor e das energias positivas que encontros com pessoas amadas proporcionam. E a gente quis casar, fim!

Não interessa a mais ninguém. Sabe o que interessa? Que a gente tá dando uma festa pros amigos. Pra quem acompanhou nossa história. Pra quem a gente ama. Pra quem a gente faz questão. Pra quem não vai ligar se eu tô servindo coxinha na bandeira de plástico. Nem se eu tô mais ou menos gorda de quando conheci o boy.

Não é fácil, migas. Falar que vai casar abre aquela porteira imaginária do limite do bom-senso, um portal tridimensional de um mundo que todos as pessoas em volta acham que podem dar pitaco, que você vai compartilhar da opinião delas, e que você, noivinha, quer ouvir coisas absurdas. Absurdas. Então, segue abaixo PSC um guia das bad trips do casamento para você, amiga de noivinha, futura noivinha, mãe de noivinha, noivinha da noivinha, boy da noivinha, noivinha do boy, não repetir em casa:

// “Agora vocês são um só”: miga. MIGA. Ele pode ir trabalhar no meu lugar? Então, não. Eu não sei de onde é que veio essa história de fusão nuclear que gente que se ama tem que virar um só. Tá, na real eu sei, mas eu vou me esforçar pra não xingar (muito) a religião alheia aqui.

// “E o casamento?”: tudo bem que em termos práticos, 99% da sua vida – se você for fazer tudo sozinha – vai girar em torno dos acontecimentos dessa festa, mas aquele 1% engloba: seus sentimentos, seu trabalho, sua vida pessoal, seus gatos, sua unha encravada, tudo o que passa dentro da sua cabeça… Enfim, aquela pessoa que você era antes de se tornar ~a noivinha. Sabe, a amiga que existia ali antes disso? Sim, ela continua existindo. Pergunte sobre ela. Ela vai gostar.

// Quem vai ser a próxima? Ahhhh essa graciosa conversa entre as amigas envolvidas na festa ¯\_(ツ)_/¯. Ainda bem que faltam apenas duas semanas, acho que não vai dar tempo d’eu criar o Bingo do Desconvite, que consistiria num jogo de erros e acertos envolvendo frases como “A próxima tem que ser a Mariazinha que já vai fazer 30 anos, logo mais está velha pra casar!” e “Boa, Isa, conseguiu amarrar o boy, agora tá com a vida feita”. Todas essas frases são verídicas e aconteceram, sim, entre as minhas amigas, aquelas que a gente considera esclarecidas, desconstruídas etc e tal. O que fazer, além do Bingo do Desconvite? Sentar com cada uma delas e explicar “miga, veja bem o que você tá falando”, claro. E, minhanossasenhora, pensar melhor em como a gente tá criando essas meninas, sem or.

// A cerimônia: ah, o machismo nosso de cada dia… Como fugir dele? Bom, a gente começou por não ter uma cerimônia religiosa, evitando assim qualquer tipo de assassinato nesse dia lindo. Porém, muita coisa além dessa continua: e a coisa do pai entregar a filha pra um novo cara, que vai cuidar dela? Béh! E a coisa de jogar o buquê pra todas as amigas solteiras se estapearem pra ver quem vai casar depois e não ficar pra titia? Béh! Algumas dessas coisas ainda estou processando e tentando achar alternativas menos misóginas. Todas elas envolverão Valesca. Aguardemos.

// Acabou o casamento… e agora? Eu já perdi as contas de quantas histórias ouvi sobre noivas “que surtaram”. Além de tudo o que vem embutido nesse estereótipo de “mulher histérica”, de “bridezilla”, o que eu percebi é que realmente muitas minas são construída pra esse momento da vida. Esse é um dos/o único sonho delas. E quando essa fase de ser o centro das atenções, a princesa, a noivinha, acaba, ou está na iminência de acabar, elas ficam extremamente deprimidas. É triste demais. Demais isso. A gente precisa mesmo pensar em como estamos criando as nossas meninas pra esse conto de fadas da Disney, migas. Não tá certo. Acabou o casamento: e daí? Bora pensar na próxima festa, viagem, rolezinho da pizza, no que vai ter no trabalho na segunda-feira, em quais são teus próximos sonhos? Bora.

// Tá chegando, hein? Você tá se preparando? Isso, migas, quer dizer: você tá fazendo dieta? Você quer ficar mais magra, né? Você tá fazendo bronzeamento artificial? Você tá fazendo clareamento… dental? Não vou ser hipócrita de falar que meu peso não é um fatos que sempre me incomodou e me incomoda ainda mais numa situação dessas, mas migas… Tem perfis #noivafitness entrando em contato comigo no instagram. Fala pra mim: is this real life? Amiga noivinha: segura essa piriquita e pega na minha mão. Você é linda e vai estar radiante, RADIANTE, nesse dia lindo. Independente do #bumbumnanuca ou não.

Tem mais? Ô se tem. Aqui tem mais.

“Credo, Isa, você só reclama, parece que só tem gente chata entre os seus convidados!”. Isso é verdade? Não, não é verdade. Mas tem tanta gente chata circulando os meus convidados, vivendo no meu convívio social, habitando o planeta Terra que nunca é demais botar pra fora o que vem desaquietando meu coraçãozinho pisciano esquerdogata felinazi. Sabe pra quê? Pra mostrar que a gente também não precisa ser 1001% revolucionária e odiar todas as instituições existentes pra ser manter fiel ao que a gente é e acredita. Dá pra casar e ser legal. Dá pra casar e não ser bad trip. Dá pra casar e respeitar as mina, os mano, as trava, as trans. Dá pra casar e ser feliz gente peloamordedeusvamofocarnisso, que é o mais importante.

Casar é amor. É sim. É tanta energia boa que neutraliza o chorume, te juro que sim. Mas falar de amor e coisa bonita num dá ibope, né gente, e eu tô querendo um publipost pra pagar os arranjo de frô dessa história. Longe de mim querer parecer caga-regra na interação social alheia, mas já sendo: miga, não seje essa pessoa. A noivinha agradece. Repassem.

<3

biblioteca do autoconhecimento: por uma vida mais criativa

Não vamos aqui falar sobre a idade, né, migas. Não vamos. Vamos falar sobre como ficamos cada vez mais belas e conscientes de nossa existência. Isso sim. Mas cês não notaram que, nos últimos tempos, a gente tem ficado cada vez mais autoconsciente? Eu tô. Sobre o que eu coloco na minha vida, sim, mas sobre mim também.

Deve ser o tal do retorno de Saturno. Eita.

E eu ando lendo. Ando lendo coisas daquela linha tênue que o elitismo literário não permite que a gente chame de autoajuda, então chamaremos de autoconhecimento. Ói que bonito. Ando lendo e pensando e refletindo sobre as coisas daqui de dentro.

Acho que vocês perceberam que, esse ano, eu estou me dedicando muito a mim. E isso se refletiu bastante em coisas que eu estou fazendo, assim, literalmente: mão na massa, canetinha, lápis de cor, tesoura sem ponta, giz de cera, linhas, agulhas, queimadura de cola quente.

Esse ano eu parei de fazer “cursos para a carreira” (e sinto falta deles, quero deixar claro aqui) para fazer “cursos de zoeira”. Olha que bizarro, como a gente divide isso, né? Foi num desses workshops que uma das professoras me falou “você tá no ano sabático da autodescoberta”. Ô, se tô, profa. Não que eu tenha raspado a cabeça e ido pra Índia (embora haja vontade, viu). Mas eu resolvi apostar numa coisa mais minha, pura e simplesmente pra me divertir. Sem expectativas. Sem motivos. Só porque sim.

A gente se cobra um monte desse PRA QUÊ, né? Há pouco tempo pra tentar, pouco dinheiro pra gastar, pouca vida pra se viver, então pra quê? Pra quê tentar algo que não vai ter retorno nenhum, nada palpável, nada que dê pra colocar no Linkedin? PRA QUE sim, gente. Porque é divertido. Porque o processo é maravilhoso. Porque as descobertas são infinitas no caminho.

Daí que eu já falei que eu não sei fazer resenha de livro, então eu vou aqui encher esse textão de citação da Elizabeth Gilbert no livro-Bíblia dela que é o Grande Magia (vocês acharam que eu ia falar de Comer, Rezar e Amar, né, safadas?). Vai começar agora, vai vendo. Só que antes eu tenho que dizer pra vocês, serem humanos que estão aqui lindo esse textão não sei por qual motivo, que se vocês têm alguma pontinha de curiosidade aí dentro, porfa: leiam esse livro. Agora vai:

“Faça o que ela [a curiosidade] lhe pedir. É uma pista. Pode não parecer nada, mas é uma pista. Siga essa pista. Confie nela. Veja aonde a curiosidade o leva em seguida. Então siga a pista seguinte, e a seguinte, e a seguinte. Lembre-se, não precisa ser uma voz no deserto; é apenas uma inofensiva caça ao tesouro. Seguir essa caça ao tesouro da curiosidade pode levá-lo a lugares incríveis e inesperados. Talvez o leve até sua paixão, ainda que por um caminho estranho e impossível de rastrear, de becos escuros, cavernas subterrâneas e portas secretas. Ou talvez não o leve a lugar nenhum.
Você pode passar a vida inteira seguindo a curiosidade e não conseguir absolutamente nada com isso, exceto por uma coisa: você terá a satisfação de saber que passou toda sua existência dedicando-se a uma nobre virtude humana. E isso deve ser mais do que o bastante para lhe permitir dizer que levou uma vida rica e esplêndida.”

A gente é forçado, desde muito cedo, a fazer escolhas definitivas e seguir com elas pro resto da vida, né? Eu sempre ouvi: você escreve muito bem. Você deveria fazer algo sobre isso. Você se expressa muito bem, você deveria fazer algo sobre isso. Por que você não faz Direito? Ou Jornalismo? Ou Letras (ô engano minha gente). E, claro, como outro humaninho que precisa de confete qualquer, claro que eu levei isso adiante. Fiz tudo do jeitinho que deveria. Cheguei onde eu deveria sendo uma pessoa “que escreve bem”.

Veja bem: escrever é criativo. Me dá prazer. Me liberta. Me impede de morder o sofá. Mas eu sou muito, muito mais que escrever, e até agora, eu não me permiti ser mais que “a pessoa que escreve” porque, bom, eu sou a pessoa que escreve bem.

Eu amo criar.

Eu amo escrever, sim, e eu amo ler, e inventar/descobrir mundos, gente, coisas novas. Mas eu também amo desenhar. E rabiscar, e sentir a textura de canetinha, lápis – lápis 6B! – de papel Canson, eu amo misturar as cores. Eu também amo mexer com terra. Terra, mesmo: enfiar a mão na terra, colocar num vaso, tirar, ter que raspar a terra da unha. E claro, as plantinhas, e tudo que aparece com elas. Muitas, muitas, muitas plantinhas. Eu amo tudo o que tem a ver com beleza. Com encher os olhos de significado, com coisas bonitas, com criar coisas bonitas, seja de papel, de palavras, de tinta, no computador. Eu amo pintar – não criar um desenho, pintar mesmo: pegar uma porta inteira e pintar de branco, deixando tudo bonitão, harmônico, impecável. Eu sou absolutamente louca por decorar as coisas, seja a minha casa, que me dá um orgulho imenso, seja a mesa do trabalho, seja pensar em como a casa de um desconhecido ficaria mais bonita com um quadro. Amo decorar no macro e no micro, seja deixando uma página mais engraçadinha se eu desenhar umas florzinhas e usar duas cores de caneta.

Mas eu também amo organizar as coisas. Organizar num nível virginiano, de etiquetas, de sistemas, de catálogos. E eu absolutamente sou alucinada por planilhas. Planilhas e tabelas e organização em organogramas e cronogramas e listas. Eu sei lidar muito bem com dinheiro, produção, administração de coisas e coisos, eu me daria muito bem, eu não tenho a menor dúvida disso, cuidando de um negócio – não financeiramente bem, isso não dá pra saber, mas organizacionalmente bem. E, cara, eu sei programar. Minimamente, mas eu sei programar o suficiente pra me virar bem no mundo das internet. Eu adoraria saber programar mais e melhor. Eu adoraria fazer meus sites, blog, portfólio, eu tenho uma facilidade incrível de aprender a mexer em programas de layout, edição de fotos e imagens e afins.

E tudo bem.

Por favor, assistam esse vídeo comigo:

Se você não quis assistir (você não sabe o que tá perdendo), é um Ted Talk da Emilie Wapnick, coach “de carreira e de vida” e maravilhosa, que fala sobre multipotencialidade e como algumas pessoas (ainda bem) não têm uma vocação. Elas fazem mil coisas. Muitas coisas. Olha que coisa linda, isso, que todo mundo no Renascimento era mil coisas e era ser mil coisas era bom. Era reconhecido. Era possível. Não é mágico?

“Quase nunca é perda de tempo se dedicar a algo que lhe atraia, mesmo que depois você acabe desistindo. Talvez você aplique o que aprendeu numa área totalmente diferente, de uma forma que não poderia ter imaginado.”

Pra quê? Não importa. Pra se libertar, pra se expressar, pra não matar alguém, pra se esquecer do mundo. Ou porque sim. Porque é divertido. “O resultado não pode importar […] Porque é divertido, não é?” – e essa é a Liz Gilbert falando, não eu. E você precisa ser o melhor em tudo o que você faz? Deusmelivre, não. Você não precisa ser nem bom. Você precisa ser só curioso e apaixonado – pra sempre? Deusnão. Só enquanto durar a curiosidade e a paixão. E tudo bem.

Isso não é maravilhoso? Não é sobre isso tudo o que vale a pena, não é pra isso que a gente luta? Pra que a gente possa ser tudo aquilo o que a gente quiser, e tudo bem? Quem tá falando isso é a Emilie Wapnick, a mola da palestra, não sou eu não: “Abrace sua maneira de funcionar, seja ela como for. Se for um especialista convicto, então, seja como for, se especialize. É assim que dará o melhor de si. Mas, para os multipotenciais aqui presentes,inclusive os que perceberam que são assim durante os últimos 12 minutos digo a vocês: abracem suas múltiplas paixões. Sigam sua curiosidade, dentro daquela toca do coelho. Explorem suas interseções. Abraçar nossa forma de funcionar nos leva a ter uma vida mais feliz e autêntica.”

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Uma vida mais feliz e autêntica? É isso aí que a gente quer, num é? Eu acho. E pagar as contas. De resto, é isso aí. Então eu vou terminar esse desabafo improdutivo, porém criativo e cheio de referências, com mais uma citação mela-cueca da Liz Gilberth que poderia virar um pôster em nossas mesas de madeira crua apoiada em cavaletes coloridos em nossos home-offices criativos:

Acredito piamente que precisamos todos encontrar algo para fazer na vida que nos impeça de comer o sofá. Quer façamos disso uma profissão ou não, precisamos de uma atividade que vá além do trivial e que nos leve além dos papéis convencionais e limitadores que desempenhamos na sociedade (mãe, funcionário, vizinho, irmão, chefe etc.). Todos precisamos de algo que ajude a nos esquecermos de nós mesmos por um tempo […] Precisamos de algo que nos leve além de nós mesmos a ponto de nos fazer esquecer de comer, de fazer xixi, de parar a grama, de guardar rancor de inimigos, de ficar ruminando inseguranças. A oração pode fazer isso por nós, assim como o serviço comunitário, o sexo, exercícios físicos e até o abuso de substância químicas (embora com terríveis consequências). Mas a vida criativa também pode. Talvez a maior bênção da criatividade seja esta: ao absorver nossa atenção por um período curto e mágico, consegue nos aliviar temporariamente do terrível fardo de sermos quem somos. E o melhor de tudo é que, ao fim de sua aventura criativa, você terá um suvenir, algo que você fez, algo para lembrá-lo para sempre de seu encontro breve, porém transformador, com a inspiração.

diarin #2 – socorr maio já é junho socorr

Gent. GENT. Tá corrido, néam? Vou ser dessas que fala O ANO TÁ VOANDO, mas migas, o ano tá voando. Não tá? Com certeza é porque eu tenho essa data muito importante marcada pra justamente a metade de 2016, claro, e eu tô fazendo tudo-tudo-tudo focada nela – o que farei quando ela passar? Não. Sei. Mas tá que tá uma loucurinha essa vida.

Sabe, eu tava aqui pensando com os meus botões – especialmente depois de um texto mega importante pra mim e que ninguém leu (SIM ESTOU MAGOADA LEITORES) – que, conforme passam os anos, o que ficam são as pessoas. E não é uma coisa assim “ah, o importante é ter amigos” ou “eu tenho os melhores amigos do mundo” (tenho alguns dos melhores, sim), mas, ao menos pra mim, o que ficam são as pessoas que a gente cruzou no caminho, saca? #isazen Tipo, eu tô aqui, casando, e falando com inúmeras pessoas avulsas: gente ~da internet que ~me acompanha há muito tempo, e deseja – e eu consigo sentir a honestidade disso – “tudo de melhor e muito amor”, ~fornecedores que são incríveis, e aparecem com coisas lindas, vibes boas, e te dão a certeza que vai ser tudo cheio de amor, a alegria visível das pessoas ao seu redor quando uma coisa legal assim vai acontecer… É lindo, sabia? Mesmo que haja alguns percalços e, always always always, as decepções, é claro, no geral, a vibe é aquela do meu primeiro ano da faculdade de jornalismo em que eu queria “ouvir histórias e conhecer pessoas”.

(Não que isso tenha dado muito certo, néam migos jornalistas, mas sigamos).

Mas tamo aí, curtindo umas vibes boas, dando risada da quantidade de approachs #noivafitness #bumbumnanuca que eu tô recebendo e miamando um tiquinho, porque é bom de vez em quando, né? Já que vocês gostaram do formato do post Diarin, segue abaixo comunicação att,

Tô assistini
Eu vi Girls e Broad City conforme o prometido, e não posso dizer de qual gosto mais, mesmo. Mas eu posso dizer que gostei muito desse texto do Girls With Style que fala que a diferença entre um e outro é o “levar-se a sério”, e acho que esse é o ponto mais importante de tudo: eu, que me identifico muito com a Lena Dunham, sou do time que diz “imagina não vamos nos levar a sério olha aqui estou até escrevendo sobre como meu emprego acabou com a minha criatividade” mas, na real, estou ali, me levando mais a sério que próprio emprego, tendo certeza que vou mudar uma geração com o meu textinho de merda. Broad City não: Broad City é sobre como é zoeira – e tudo bem! – ser xóvem. É uma delícia. Amo os dois. Sou Girls, mas queria ser Broad. E eu também vi mais uma temporada de Good Wife e, meu deus, que série maravilhosa, como eu te amo Alicia Florrick.

Vi também Black-Ish, que é uma série engraçadinha de uma família negra rica nos Estados Unidos, cheeeeeeeeia de problemas, muito machista, mas, falando aqui da minha bela cadeira branca e privilegiada, que toca nuns pontos importantes para discutir racismo – se isso é válido para quem realmente importa, não sei, não posso dizer. Sei que tem essas crianças e eu estou com sérios problemas com essas crianças.

Ah e também teve a óooooooooooootema The Night Manager que é uma mini-série britânica <3 inspirada no livro do John le Carré <3 com o Hugh Laurie (SIM O HOUSE) <3 <3 <3 e o Tom Hiddleston (agora vejo o motivo de tanto) <3 <3 <3 que é um suspense <3 de investigação <3 e espionagem <3 <3 <3 e tem a Olivia Colman <3 que é a Ellie de Broadchurch <3 <3 <3 que tem o David Tennant <3 <3 <3 <3. Gente, sério, vejam, é curtinha e maravilhosa, e o Hugh Laurie é um ator impressionante.

Tô leni
Por increça que parível, eu realmente li o livro novo da Patti Smith, o Linha M, e conforme havia previsto uma síncope, síncope eu tive. É, sim, maravilhoso, como tudo o que essa mulher faz ou toca. É impressionante e inspirador. Achei melhor que o Só Garotos? Não achei. Mas fala sobre envelhecimento, sobre saudade, sobre perder coisas e sobre se encontrar em lugares, então, né geint, tô chorani só de lembrar. E eu também estou lendo Grande Magia, da Liz Gilbert, que é um quentinho no coração para pessoas criativas que acham que nunca serão boas o suficiente. Quando terminar, conto pra vocês!

Tô fazeni
Nem vou repetir aqui que tô fazendo os rolês do casamento porque já já vocês realmente param de ler tudo o que eu posto né (SIM EU ESTOU MAGOADA GENT). Mas tô. A boa notícia é que tá acabani! E que eu tô cada vez mais empolgada com trabalhos manuais e coisas artesanais e crochês e tricôs e vender minhas miçanga na Paulista. Wait and see.

Os tombo que eu tô levani
Passou inferno astral – não fiquei rica nem magra Susaninha, aiii Susaninha – e passou mais um mês depois do inferno astral, e eu ainda tô com graves problemas de comunicação. Quem me conhece sabe o quanto-isso-me-deixa-desnorteada, porque eu sou uma pessoa das comunicassaum, e não falo necessariamente só de trabalho. Mas tudo bem, há de passar, eu hei de conseguir voltar a falar com as gente tudo. Dizem que tem aí uns oito de dez/onze/doze/quantossão? planetas retrógrados e eu tô procurando nem saber quais são, ignorance is bliss, né. Inclusive vi esse livro aqui ontem e quase saí agarrada com ele da livraria – porque o outro tombo que tamo levani esse mês é a pobreza, essa que não desgruda da gente…

Os pulo que eu tô dani
Eu eu meu tênis novo estamos nos dando muito bem, obrigada. E eu tô muito orgulhosa em dizer que sim, eu voltei pra ioga E também estou fazendo aulas de pilates e estou a-man-do (a parte da pobreza tá aqui, amarradinha aqui, mas nem ligo). Que legal que é fazer uma atividade que te faz bem, né? Tô feliz também que estou bem disciplinadinha, indo todo dia, cedão, sem faltar – no pilates, a ioga eu sou meio várzea, mas estou tentando entender que preciso respeitar quando meu corpo não tá muito a fim. As coxa malhada já vieram? Não vieram. Queria? Queria muito, mais que #bumbumnanuca. Mas estamos trabalhando pra isso e pros braços da Michelle Obama. Se alguém tiver alguma dica, estamos aceitando.

Eu também ando comprando umas coisas bonita, ó:diarin02E vocês, que cês tão fazeni?

favoritos #16

favoritos16

A fotógrafa americana Melissa Kaseman registra diariamente o que ela encontra nos bolsos do seu filho. Fala pra mim se tem como ser mais amor que isso? | Poucas vezes uma casa INTEIRA me fez sentir tão em casa quanto essa. Eu não trocaria quase nada. Já pode mudar? | Eu sempre digo e não canso de repetir: spray de tinta é o melhor amigo de quem mora sozinho. Não acredita em mim? Então veja esse post incrível no Ricota Não Derrete | Mais um de decoração, o resultado final da reforma dessa sala liiiiinda e, claro, no A Beautiful Mess

// O poder dos banhos para limpeza energética e espiritual, no Girls With Style

// Como as mulheres estão construindo o futuro, no Think Olga

// O que preferir folhagens a flores pode me dizer sobre minha personalidade – uma análise, no Muita Calma Nessa Obra, que é sobre decoração, obras, reformas, apartamentos, mas refletiu uma coisa bem importante aqui de dentro

// Deixe seus peitos livres, no Mulher Vitrola, com um monte de reflexão legal sobre essa vibe “vamos ser livres” eeeee como as mana de peitão podem aderir a isso.

// “Seja um arco-íris na nuvem de alguém”, no Don’t Touch My Moleskine, com um vídeo emocionante demais da Maya Angelou

// Tudo o que a internet falou sobre Lemonade, na Ovelha Mag. se você ainda não viu Lemonade, miga… SAI DAQUI AGORA E VAI VER ISSO. São tantas referências, tanta coisa boa, visual, de princípio, tanta porrada, tanto lacre, que é bom ter um link com um caminho guiado pra gente seguir.