sobre o nada num domingo

“Não é tão fácil escrever sobre nada.” 

Fomos pro parque aqui do lado que nunca tínhamos ido antes, pra feira de alimentos orgânicos famosona. Um ônibus no domingo cedo, bem cedo, justo eu, que não saio em domingos. Eu nem me reconhecia. Aquele perto que não é perto suficiente para ir a pé, aquele horário em que repete-se que não está acordado nunca. Nem foi tão difícil assim. A autossabotagem me fez pensar imediatamente que eu só estava pensando isso porque é feriado – mas nem foi tão difícil assim. E valeu.

Um café da manhã delicioso, o tipo de brunch que eu queria tomar há tempos, sem frescuras, com gosto de café da manhã de hotel. Abelhas demais. Enquanto eu pensava “quero morar na roça e tomar da café da manhã com o sol atrapalhando a vista” e fugia das abelhas, tanta abelha, quanta abelha. Uma aflição recorrente e o sol batendo no olho de frente, ardido, refletindo geleia de morango. Tem abelha em fazenda? Deve ter. E deve ter mandinga pra repelir abelha também.

Enquanto isso, ela comprou um bangalô abandonado na praia porque se encantou com o lugar sem mesmo vê-lo direito atrás da tábua solta, o tipo de desprendimento que eu nunca teria. Ou teria?

É tudo tão bonito e agradável aqui em volta que eu não consigo ler, mesmo que a voz dela continue ecoando na minha cabeça, com variações que eu certamente invento de quando a ouço cantar “deve ser assim que ela fala ‘bangalô'”, mas daí eu lembro que ela não fala português. Eu não consigo ler porque fico olhando as árvores. Tem um coqueiro enorme na minha frente – ou qualquer árvore da família que nós, que não nos encantamos com árvores frequentemente, chamamos de coqueiro. Bem na minha frente, na linha que divide minhas pernas, na ponta do meu nariz. Dividindo ao meio todo o restante da paisagem numa linha reta, verde, num ceu azul que dói, sem nenhuma nuvem.

É a primeira vez em muito tempo que não me sinto completamente presa.

É a primeira vez em muito tempo que não me lembro do que vai acontecer em seguida, e não me importo.

Aqui não tem abelhas. E eu até consigo conviver decentemente com o galo gigante (e assustador. que medo ridículo esse que eu desenvolvi, de aves) que insiste em ficar do meu lado, balançando essa parte horrorosa e mole que têm os galos. Em silêncio Balançando. E um pato de perninhas achatadas e as crianças usando celular e tablets e mandando áudios pra outras crianças ignorando o pato o galo e eu.

Queria dizer que chamei o patto de Patti mas é mentira: era gordo e achatado e preto, e não esguio e acinzentado e sábio. Se fosse humano, seria humorista, o pato. Nem faz mais calor aqui, ainda que faça 30 graus em pleno outono nessa cidade.

Preciso ler o Murakami que ela recomenda: ele também fala de gatos, nesse, ela também fala de gatos, nesse, ela também se aprisiona em casa com gatos e séries policiais e café.

O galo voltou e eu nem ligo.

Eu queria ter um caderno bonito e uma caneta bonita e parecer muito importante ou alternativa escrevendo tudo isso. Mas eu escrevo no celular, tudo errado no celular, me apoiando com preguiça no autocorretor e na minha capacidade interpretativa. Devem achar que eu não estou vendo o pato, o galo, o coqueiro. Tem um velho vestindo roupas de linho lendo Lobato do meu lado. Linha L, se chama esse trecho. Hah.

Quero voltar todo domingo cedo – são só 5 minutos de ônibus, nem é tão ruim acordar tão cedo -, espantar a depressão do dia que só traz a ansiedade do que vai acontecer em seguida, mas sei que não vou. Olho pro coqueiro novamente e faço forca pra guardar esse momento pra sempre, apertando os olhos debilmente feito criança imaginando a máquina fotográfica. Ela perdeu a câmera na praia, num banco, antes do furacão. Mas sei que domingo que vem, imagina, acordar cedo e pegar o ônibus e esquecer do dia seguinte e escrever ao lado do galo sobre nada. Imagina.

patti

let it bleed

As pessoas, né.

Eu tenho três características que não deixam a minha vida mais fácil: 1) tenho muita dificuldade em me resguardar, conto tudo, pra todo mundo, porque tenho muita facilidade em me abrir com as pessoas; 2) sempre acredito que as pessoas estão aí pra fazer o bem e serem legais, e que “poxa vida, ela não é tão ruim assim, vamos dar uma chance”, 3) eu preciso muito das pessoas, muito. Sou um bicho extremamente sociável que se sente mal de ficar sozinha.

“Ai que boazinha que você é, Isa, quero ser sua amiga!”. Não gente, eu sou é trouxa.

Minha adolescência inteira foi um sucessivo chorar pelos amigos – eu raramente chorava pelos meninos, eu preferia escrever cartas imensas que nunca foram lidas por eles. Eu chorava e chorava e chorava e insistia em DRs longuérrimas com crianças de 13 anos que mal entendiam sobre o que eu estava falando. Um tal de “o que eu te fiz?” – porque, é claro, eu sempre admitia a culpa de ter feito algo de errado – seguidos de “nada, Isa, tá tudo bem!” e mais um dia sem lugar pra sentar.

Nem Susan Miller seria capaz de explicar porque essa fase resolveu voltar agora.

Não sei se é porque a vida tá bagunçada como era aos 17 anos – mesmo estando tudo aparentemente muito bem -, mas essa sensação de porrada diária, do “eu faço mais por você do que você por mim” é tão recorrente quanto os dias em que não guardavam lugar pra mim na aula de matemática.

A diferença é que aqui, no alto dos meus 27 anos, eu entendi que esse problema é meu, e não dos outros.

As pessoas têm muita dificuldade em entender as necessidades do outro, especialmente quando o outro em questão tem questões que vão além da hora do recreio ou da baladinha do final de semana. As pessoas param de se entender quando os horários não batem mais, quando os programas não são mais os mesmos, quando as prioridades não são mais você ou eu. Pela proximidade, pelo amor, pela importância, ao invés de ponderar essas coisas e estar lá, por perto, apesar de tudo isso, elas simplesmente se afastam, numa birrinha inconveniente e infantil de “se você quiser saber de mim, você sabe onde me encontrar”.

O que sempre pegou, pra mim, nesses casos todos, é o ponto muito simples de que eu sempre tentei me adequar às necessidades dos outros. Fosse os horários complicados pelo trabalho, pela vida, por São Paulo, fosse a quantidade imensa festas-que-eu-não-queria-ter-ido e dinheiros-que-eu-não-queria-ter-dado para ceder um pouco para o gosto do amigo. Fosse os cinco minutos que eu gasto pra escrever um email dizendo “estou com saudades, a vida está corrida, me conta de você, quero saber como você está”. E daí a pergunta que ficava era: “se eu posso fazer isso por ele, por que catzo ele não pode fazer o mínimo por mim?”

Então aqui, do alto dos meus 27 anos, eu entendi que esse problema é meu, e não dos outros.

Que essa pergunta tem que parar de acontecer. Que eu preciso parar de me cobrar. E, que, principalmente: eu não tenho o direito de esperar nada de ninguém. Não é justo que eu espere das pessoas o mesmo que eu estou disposta a dar. Dói, pra cacete, saber disso. Especialmente porque eu não tenho nenhuma intenção de parar de dar, de compartilhar. Mas eu preciso parar de esperar em troca.

Eu nunca vou entender como as pessoas não enxergam o mal que elas fazem às outras. A única explicação, pra mim, é que existe mesmo uma parcela de gente que é mais sensível, mais aberta e mais “porosa”, mas que essas sejam características que as outras não conseguem perceber, sacar que um “ah, me esqueci da sua festa no sábado!” dilacera a gente. Talvez até exista uma explicação um pouco mais racional, quem sabe até um pouco médica, relacionada à ansiedade, falta de confiança em si mesmo e mais um monte de probleminha que a gente carrega, vai saber.

Talvez eu faça tudo isso que me machuca com outras pessoas. Muito provavelmente eu faço isso com outras pessoas.

Minha cabeça tá nesse looping infinito de pensamos e sofrimentos acerca do tema há um tempinho. Duro. Até porque eu comecei a me sentir meio juvenil de me permitir sentir assim depois de tanto tempo construindo aquela carapuça do não deixe os outros bringing you down, você é foda, você é fodona, eles que não sabem o que estão perdendo e o que mais eu encontrei de conselhos guardados nos fichários da sétima série.

Até que eu lembrei que ano passado aprendi muita coisa com uma palavrinha:

VULNERABILIDADE. É o que você demonstra quando se abre para o mundo sem nenhuma garantia. É quando você permite que as pessoas vejam quem você realmente é, sem saber se elas vão gostar ou não do que verão.

Eu li esse texto maravilhoso sobre vulnerabilidade no Não Sei Lidar depois de receber a newsletter maravilhosa da Anna Vitória sobre vulnerabilidade e, além de ter a certeza absoluta de que a internet é um lugar absolutamente maravilhoso, entendi que nossas questões internas sobre ser vulnerável talvez seja assim, meio geracional. Talvez o grande problema dessas pessoas de vinte e poucos, trinta anos, cheias de hashtags e questões comportamentais no trabalho seja uma carapuça blasé de “não me toques”, um medo profundo de se relacionar e um pavor desses paralisantes de se machucar.

O que seria bem inteligente. Se você vai lá e se machuca uma, duas, três vezes, cada uma mais dolorida que a outra, talvez fosse a hora de sacar “bom, eu não deveria me abrir tanto assim” ou “hum, talvez não fosse tão legal esperar tanto dos outros assim”. Seria, não seria? Pergunta se eu consigo? Aham.

E aí, numa série de acontecimentos que só provam a minha teoria de que seria maravilhoso que todos nós vivêssemos dentro da internet, faz uma semana que eu lembro e releio todo dia aquele email de ano novo que a Renata mandou nos primeiros dias de 2015, que destaca um trecho assim de um vídeo:

“conexão é o porquê de estarmos aqui. É o que dá propósito e significado às nossas vidas. É a razão de tudo. Não importa se você fala com pessoas que trabalhem com justiça social, saúde mental, abuso ou negligência, o que sabemos é que conexão, a habilidade de se sentir conectado, é – neurobiologicamente é assim que somos feitos – é o porquê de estarmos aqui.”

É um trecho desse vídeo aqui:

Cês viram? Essa é a Brene Brown, uma pesquisadora foda que estuda conexão humana e temas como vulnerabilidade, coragem, vergonha e merecimento (<3), no TEDxHouston. Sabe o que mais a Brene fez? Ela escreveu o prefácio do livro da Amanda Palmer, A Arte de Pedir. E ela escreveu isso aqui:

Mas este livro não trata de ver as pessoas a uma distância segura — aquele lugar sedutor em que muitos de nós vivemos, nos escondemos e para o qual corremos em busca do que pensamos ser segurança emocional. A arte de pedir é um livro sobre o cultivo da confiança e da maior proximidade possível com o amor, a vulnerabilidade e a conexão. Uma proximidade incômoda. Perigosa. Bela. E a proximidade incômoda é exatamente onde precisamos ficar se quisermos transformar essa cultura de afastamento e desconfiança fundamental.

(Tempo: eu descobri há um tempo, mas consolidei esse ano, que eu não sou nem um pouco capaz de escrever sobre as coisas que mudaram a minha vida. Nem um pouco capaz. Eu não sei falar sobre o show dos Rolling Stones, sobre minha viagem pra Cuba, sobre a morte do meu melhor amigo, sobre o livro da Amanda Palmer. Então eu vou ficar fazendo citações avulsas sem nenhum respeito por você, leitor, como se você soubesse minimamente do que eu estou falando, ok? Ok.)

Então tem esse email reverberando naquele ponto obscuro da minha cabecinha, e daí tem esse livro recém-lido, e aí tem tudo o que está acontecendo na vida, no país, no mundo, e daí tem essas newsletters, e daí tem festa de aniversário e daí me aparece a Carol, uma dessas pessoas pra quem eu talvez seja uma péssima amiga, dizendo que fui (gente, fui eu!) quem mostrou o vídeo da Brene pra ela, e que a ajudou em algum momento aquilo. E eu comento no twitter que queria escrever sobre esse tema e um. monte. de. gente. me pede pra ir em frente, mesmo que saia tudo torto e doa pra caralho.

Coincidência, amigos? Eu acho que não.

Vejam, eu não tenho nenhum bom conselho pra oferecer sobre o assunto. Na real, mesmo, esse post é um grande mimimi pessoal que muito provavelmente não interesse a ninguém. Mas, se todos esses fatores convergiram para dar num desabafo desse tamanho em que tudo faz sentido e que, em último caso, faça sentido pra mais alguém… Não é sobre isso que a gente tem que falar?

Tipo, não é esse o sentido de tudo? Se conectar, conhecer, compartilhar… Não é por isso que cada vez mais surgem coisas – negócios, coletivos, empresas, marcas pequenas, blogs, newsletter – colaborativas? Parceria, essa relação de confiança que faz com que nossos pais pensem “meu deus você vai ser sequestrada por essa pessoa da internet deve ser um terrorista não faça isso!”. Não é disso aí que fala a vida? #reflequissoes

Deve ter gente que não precisa disso. Que está satisfeita com a sua cota de trocas e não precisa de mais conexões – não interessa o quanto você ache essencial pra sua vida que você precisa daquilo. Paciência. Não é uma questão de quem é mais ou menos humano, sensível ou interessante, é mesmo mais sutil, mais interior, mais pessoal. Enquanto fizer sentido pra mim, eu vou estar aberta a isso. Mesmo.

A conexão é minha, de mim para os outros, e o que volta do mundo pra dentro é só o que eu permito. Essas conexões, essas trocas, sejam elas positivas ou negativas, dependem exclusivamente do que eu quero que elas sejam. Eu me adequo às necessidades alheias porque ter essa conexão é importante pra mim – e é egoísta demais da minha parte achar que a outra pessoa precisa dessa interação tanto quanto eu.

Eu preciso ser mais paciente comigo, mesmo que as pessoas não sejam. E se elas não podem me dar nada em troca, eu tenho que me bastar. Dar o que eu preciso pra ficar bem e, aí sim, me dar mais. Tornar essa relação mais justa pra mim. Talvez, sim, seja o caso de achar um ponto de equilíbrio entre a parte vulnerável e aquela vulnerável demais, aquela que quebra com facilidade, mais delicada. Talvez. Mesmo quebrando, a gente acaba construindo algo.

Deve ser sobre isso aí que fala a vida.

vamos falar sobre casamento

Crianças, então. Eu vou casar!

YEY!

Eu pensei bastante sobre falar sobre isso com vocês porque, né, galera, o olho gordo, virge, ele não tem limites. Mas vocês também sabem que eu não sou capaz de esconder nada que me anime e me apaixone por tempo suficiente pra comprar os cristais e o olho grego e a comigo-ninguém-pode necessários pro dia-a-dia, então cá estamos nós, falando sobre casamento.

Cês tão ligadas que eu já moro junto do boy há um tempo e tals, então essa história de casamento é apenas uma formalidade e oportunidade de encher a cara de catuaba celebrar nosso amor em público cozamigo. Por isso, menos importante? NÃO, MIGAS. Não é não. Por isso, menos pastas no Pinterest? Também não. Por isso, menos ansiedade, toneladas de chocolate consumidas e infinitos dinheiros a menos? Hah.

Eu sempre achei legal casar. Mas eu sempre achei legal casar porque eu sou alucinada por festas, especialmente no que se trata de decoração e organização. E claro, minha Lua em Leão não pode negar que eu não adore ser o centro das atenções. E meu Sol em Peixes, né, gente… Eu sou uma viadinha. Junte tudo isso em uma festa e pronto: casamentos são feitos pra mim. Obviamente, eu já tinha tudo organizado mesmo antes do boy fazer – porque ele fez ceeeertinho, com direito a pedido, aliança, musiquinha e tudo! – o pedido, mesmo sabendo que nóis é comunista, nóis num vai na igreja, nóis num acredita na eternidade e nóis num tem dinheiro. E dai, SURPRESA, num é que rolou? Rolou, mores. E daí, como é que nóis faz?

Entre noites sem dormir de felicidade e noites sem dormir de angústia (tá difícil dormir esse ano de 2016 da graça do sem or deus do céu), tamo aqui, meio zumbi, totalmente falida e com as ponta dos dedos queimadas de cola quente e, certamente, muito felizes e ansiosas e oscilando entre toneladas de chocolate e dietas detox #noivafitness.

Daí eu vim contar umas coisas bem engraçadas que acontecem com você quando você entra no maravilhoso mundo do casamento. Tipo:

// Acabou toda e qualquer chance de você ser chamada pelo nome, por qualquer fornecedor, migo um pouco mais distante, parente distante, conhecidos. A partir de agora, você é NOIVINHA. Uhum. Eu faria um snapchat apenas para registrar meu rosto se contraindo a cada n.o.i.v.i.n.h.a. que eu recebo, mas meu celular num aguenta, então vocês usem a imaginação abençoada têm ou acessem esse web-sítio aqui;

// Você passa a ter ~fornecedores;

// Seus fornecedores te adicionam no whatsapp SEM VOCÊ DEIXAR, acabando com qualquer limite de intimidade forçada que possa existir, e mandam fotos de ~referências medonhas, orçamentos, ou simplesmente, bom dia;

// Se você pensa que já conhece o limite da breguice humana, cara noivinha, você está completamente enganada. Existem DJs que fazem músicas personalizadas para o casal e cerimônias inspiradas literalmente na Disney em que todos os convidados vão fantasiados;

// Se você se considera uma pessoa muito elegante, phyna, descolada, hipster, deusmelivreeununcavoufazerisso… Miga, você vai. Todo o conceito do casamento tem um pezinho, um dedinho, uma unhinha que seja no brega. Aceita. Depois a gente volta pro minimalista-escandinavo-urbano-industrial desconstruído. Ninguém vai te julgar (muito);

// Lembra quando você disse pra sua amiga sobre aquela outra amiga que casou que “meu deus, nossa não nunca que eu vou fazer isso se um dia eu for casar não vou fazer nada disso vai ser bem simples os convidados vão poder ir de havaianas”: é mentira. Você vai fazer igual. Seus convidados vão dar um jeito de te odiar um pouquinho. Um pouquinho. Pelo menos um dia. Depois passa. [desgurpa madrinhas pelo vestido ornandinho mas eu vi em Girls e vai ficar lindo cês são lindas não me odeiem <3];

// O equivalente matrimonial de churras é casório e não, não é bacana falar casório – a não ser que você esteja participando de um casório na roça, em junho, com o Chico Bento;

// A lista de coisas a fazer é infinita. Especialmente se você, como eu, vai fazer-fazer as coisas – fazer-fazer significa que você efetivamente vai comprar o papel de seda, dobrar o papel de seda, recortar o papel de seda, prender o papel de seda, desdobrar o papel de seda e, enfim, ter um pompom DIY. Se você realmente for fazer-fazer as coisas do seu casamento, miga, minha dica é: seja organizada e faça listas das listas das listas do que você tem que fazer, no esquema Decoração > Coisas Penduradas > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora > Coisas Penduradas Que Precisam Ser Montadas Na Hora Com A Ajuda De Pessoas Com Mais De 1,5m Ou Escada ****** LEMBRAR DE PEGAR ESCADA ISADORA! (em papel e na versão digital, migas, sempre. SEMPRE);

// Lembra quando você era criança e com R$ 30 reais você ia no cinema e no Mc Donalds (com casquinha) e R$ 100 era uma fortuna? Lembra quando você chegou na vida adulta e descobriu que R$ 100 não dá nem pra fazer mercado? Você, noivinha, acaba de adentrar o maravilhoso mundo do milão. Mil. Reais. Tudo custa mil reais e variantes. Comida? Muitos mil reais. Vestido? Outros tantos mil reais. Maquiagi? Mil reais. Docinhos? Mil reais. Sapato? Mil cunhasdoimpítima. Garrafa de água que custava 3 reais antes do casamento e agora que você vai casar mudou de preço? Cê já sabe;

// Você considera gastar [mais] mil reais para uma pessoa que vai apenas juntar todos os seus problemas em uma sacolinha e desaparecer com eles sem que você saiba que eles sequer existiram um dia. Sim, é um sonho. Sim, custa mil reais;

// Dependendo da quantidade de mil reais que você tiver, você pode contratar não uma, mas várias pessoas que fazem o mesmo processo problemas -> sacolinha -> paz de espírito e você só diz “boho-chic-com-um-toque-romântico + salmão-alho-poró-escondidinho-camafeu” e voilá: você casa. Tudo se resume à quantidade de mil reais. ECONOMIZA, MIGA;

// A não ser que você tenha muitos mil quemassumeéoaécio, a lista de casamento é uma das coisas mais difíceis que você terá que fazer na sua vida, e sim, eu tô incluindo aqui ter um filho e não adotar mais gatos. Se você não tem dinheiro, miga, você vai ter que cortar gente. E isso dói. Dói fisicamente. Especialmente quando as pessoas são incríveis e querem saber de tudo e te desejam tudo de bom. Lembra do mapa astral acima citado? Minha vida ultimamente consiste hein ganhar bom dia da moça da padaria e mandar msg pro boy MAS MOR A MOÇA DA PADARIA ELA CONHECE A GENTE DESDE QUE A GENTE SE MUDOU VAMO CHAMAR ELA OLHA QUE FOFA. Tá difícil. Por isso, migos que leem esse post: provavelmente você não será chamado pro meu casamento porque eu não tenho muitos mil dinheiros mas eu continuo amando você e querendo no íntimo da minha alma que você estivesse comigo nesse momento de amor e festerê MAS EU NUM POSSO MIM DESGURPA. Sério. Desculpa galera. Amo vocês;

// A gente não fala só disso. Pelo menos, eu não falo só disso. Mas se você realmente odeia casamentos, não vê qual o ponto de fazer uma festa incrível e reunir todos os seus amigos em torno de uma coisa tão linda quanto o amor e catuaba… Bom, talvez você não queira falar comigo até o segundo semestre. Porque a gente não fala só disso mas, miga, é tanta coisa pra falar. É TANTA COISA LEGAL PRA FALAR!

// … Mas também é tão exaustivo, caro, difícil, cheio de detalhes e burocracias e tretas que as pessoas criam pra você – não miga, você não vai entrar na minha lista de última hora já pedir desgurpas anteriormente – e o ~mercado casamenteiro~ é tão saturado, repetitivo e insistente que cansa. Cansa MUITO. Cansa pra cacete. Eu não entendo vocês que ficam 2 anos nos preparativos do casamento, eu não tenho estrutura pra isso. Aqui são 5 meses** e eu já tô gorda, sem dormir, me descabelando e considerando seriamente me mudar pro interior, tudo isso pra uma festinha não-tradicional-DIY-pintando-garrafa-de-spray-dourado que, eu tenho certeza, vai ser maravilhosa, talvez o dia mais legal da minha vida. Mas cansa, migos.

cansa

No mais, está tudo bem. Repita comigo: está tudo bem. [Aliás, tá aí uma função que ainda não vi se existe: a pessoa pra ficar do teu lado dizendo que está tudo bem. Já sei até quanto vai custar, heh.] Está tudo bem e mais que isso: está sendo muito estressantesocorrovomorre divertido e gostoso pensar e tudo e, claro: eu tenho pessoas incríveis ao meu lado que estão tornando tudo ainda mais incrível. Como cês pediram #blogayra #seguenosnap, eu provavelmente vou fazer uma série de posts por aqui que seguem o tema casamento: o que eu estou fazendo de decoração, os ~fornecedores bacanas que encontrei por aí, as coisas que eu tive vontade de sair correndo, enfim… Esse mundinho lindo e charmoso e machista!

Que mais que cês querem saber?

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* Dicona da tia Isa: quanto menos meses de preparativos, menos parcelas pra você pagar as várias mil dilmas que você terá que pagar, então talvez a proporção encheção de saco/número de parcelas seja uma boa coisa a ser analisada.