as séries que estou assistindo

Foi a querida da Jules que me deu essa tarefa e, antes de respondê-la efetivamente, tenho que explicar duas coisas: a primeira é que, tipo uma resolução de ano novo, me prometi que vou escrever mais por aqui, participar mais de memes, de “projetos”, dessas coisinhas; a segunda é que essa é a pior fase da minha vida para responder esta tag, porque eu só tenho assistido a uma série – e eu sou a pessoa que assiste a 64 séries ao mesmo tempo, normalmente.

Vou fazer diferente então, e falar DA série que estou assistindo no momento, mas também das últimas que assisti/gostei.

A série  do momento: Ru Paul’s Drag Race

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can I get a amen?

Eu não deveria nem quer que explicar porquê, mas se vocês insistem: reality show de drag queens. Sim, Ru Paul, essa maravilhosa, diva, o Sílvio Santos de cílios postiços, quer achar as próximas drags super stars e, bom… Elas tem que work it, baby. Provas de coreografia, de costura, muito desfile, muita extravaganza e muita eleganza, muito gender fuck e muito sobre ser mulher, e muitas expressões maravilhosas que você certamente vai aprender e usar no seu dia-a-dia.

Assistam. Sério. Tem tudo no Netflix.

As outras:

True Detective

Eu comecei a assistir por conta de dois motivos: Matthew McConaughey e  Woody Harrelson. Mentira: e porque é uma série policial. Sobre um serial killer. E porque me daria medo. Bom, nem preciso dizer que fiquei viciada no primeiro episódio, certo? E aquela abertura é uma das coisas mais assustadoras do mundo – concorrendo com a de True Blood. E quase ganhando.

Parks and Recreation

Eu amo a Amy Poehler. E não resisto a séries sarcásticas, sem exageros. Eu amo a Amy Poehler. E os personagens falam olhando pra câmera. Eu amo a Amy Poehler. E me identifico muito com o jeito “vamos mudar o mundo, um parquinho por vez”. E amo a Amy Poehler. E adoro todos os outros personagens bizarríssimos. Eu amo a Amy Poehler.

Orange is the New Black

Uma moça loira, rica, no auge da vida, vai parar na cadeira por um crime que cometeu há mais de 10 anos. Cadeia bad trip, gente da pesada. Poderia ser um enorme, um imenso, um chatérrimo clichê, mas consegue ser uma das séries mais bem trabalhadas que eu encontrei nos últimos tempos, com personagens profundos que me fizeram reascender a chama da pira em séries de prisão que eu tinha com… O.Z. É, bem mocinha. Pra uma análise infinitamente melhor que a minha, o texto Amiga negra em filme de branco, da Juliana Cunha pra Confeitaria Mag.

Game of Thrones

Eu sei que muita gente aqui vai querer que eu morra mais do que o Joffrey Lannister, mas gente… Perdeu a mão, né? Aquela história maravilhosa, épica, porém original, medieval, porém mágica, está ficando… Brega. Mas brega num nível difícil de engolir. Brega de um jeito que eu, que assisto um reality show de drag queens, não consigo conviver. Brega num nível eu-serei-seu-cavaleiro-ergue-uma-tocha-e-ilumina-a-escuridão. Brega.

E aí, o que vocês estão assistindo?

Virando…

Desde que me mudei, tem uma coisa que me angustia muito: eu não sei se gosto mais de ficar dentro ou fora de casa. Há 3 meses eu entrei naquela fase ermitão, porque está tudo tão lindinho, tão gostoso, tão meu, que pra que ir lá fora?

Esse final de semana, o que me tirou de casa foi uma imensa gota de cuspe que eu atirei pra cima há uns 2 anos chamada Virada Cultural. Sim, eu não só saí de casa, como eu saí de casa no final de um sábado (depois do dia de faxina), com a tarde já escura, em direção a uma muvuca gigantesca e com muitas chances de dar merda.

Bom, vocês viram que choveu granizo, né?

Olha… Choveu granizo. Eu vi shows incríveis de gente que eu nem conhecia – e morria de preguiça de conhecer, confesso, andei por São Paulo de madrugada vendo a cidade ocupada, linda, comi divinamente bem e vi gente, gente, gente reunida, uma coisa linda que só.

Nesse meio tempo, minha cama nova chegou e eu tive a oportunidade de dormir numa daquelas camas de hotel (e eu fui pra rua mesmo assim!). E eu voltei pra casa pra fazer xixi no meu banheirinho cheiroso e limpinho, comi esfiha do empório árabe que fica a menos de 10 minutos de casa, e a hora que o pé doeu, deu pra sentar.

E foi tudo tão lindo – que no final, até choveu granizo.

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Cada vez sou mais apaixonada por essa cidade.

sobre abril

Susaninha me avisou, já em março, que abril ia ser foda. Dai você estão aí, falando do tal do eclipse (que eu tô sentindo na pele, na carteira, no azar quase cômico). Eu não ia ler, mas eu li. A culpa é de vocês.

Ela começa o meu com um poeminha. Então, queridos, pra vocês um poema:

There was a little girl 
Who had a little curl
Right in the middle of her forehead
When she was good
She was very good indeed
But when she was bad 
she was horrid.

E assim passou abril. Para o bem da integridade intelectual desse blog, eu não vou fazer o trocadilho com “abril despedaçado”, mas olha, como diria uma daquelas amigas que estão lá sempre: a vida tá levando a sério essa de desapegar. E, pra continuar a tornar pública uma dessas conversas que a gente até posterga pra ter, se esse ano tá sendo um gostinho do que vai ser o resto da vida, run, run, run to the hills, meu povo.

Então entre mortos e muitos, muitos feridos, em diversos aspectos, aqui estamos, tentando controlar tudo num desses jogos de pratos que haja ilusionismo pra fingir que ainda tá girando. Mas a gente continua, que se parar, aí que tudo cai, né? Então vamos usando metáforas ruins e poemas piores até maio chegar. CHEGA LOGO, MAIO. Jesus.

Sozinha

Hoje eu cheguei sozinha em casa.

Tipo, eu faço isso todo dia. Eu saio do trabalho, venho pra casa, chego sozinha. Nem sempre tem alguém aqui, mas sempre tem gente. Tem uma ligação, um toque “olha, cheguei, fica tranquila”, um abraço até, às vezes – com sorte, um franguinho do limão, de vez em quando.

Hoje eu saí sozinha e cheguei sozinha. Fui, encontrei uma amiga, me despedi e dei uma volta. Já não era mais hora de metrô, todo mundo já estava na rua. Eu andei uns dois quarteirões e percebi que não fazia a menor ideia de como voltar dali. Minha cabeça, já acostumada a cronometrar as paradas dos ônibus, os milímetros dos trajetos, apenas desligou o GPS involuntário e eu demorei uns bons 10 minutos pra entender que, pra sair dali, eu teria que andar. E aí eu andei. E peguei um ônibus. Subi e vim – cheguei, sim.

E daí que eu cheguei sozinha em casa. Não liguei pra ninguém, não sei onde as pessoas estão. Percebi agora – mais ou menos 1 hora depois – que eu fiz tudo isso, e tô aqui, vivona.

Eu já cozinhei, eu já comi atum da lata, eu já pintei um móvel, eu já desentupi banheiro, eu já limpei geladeira e já quebrei umas 3 garrafas. Mas nunca tinha chegado sozinha assim.

Foi bom, viu.