meu livro da Lena Dunham

Eu nunca fui muito boa em fazer resenhas: toda vez que me vi obrigada a fazer uma, na faculdade, em alguma tag de blog, etc, me sentia tão travada quanto quando era obrigada a fazer dissertações no colégio. E não é que eu não consiga fazê-las: eu sei bem qual é a estrutura, o caminho, o jeito engraçadinho de incluir sua opinião ~polêmica lá no meio. Mas acho que é justamente isso tudo. Tenho vontade de compartilhar aqui o que eu ando lendo – e eu ando lendo muito – mas ao mesmo tempo acho que isso vai ficar tão, tão besta…

Daí eu li o livro da Lena Dunham.

Esse texto poderia ter começado de outro jeito também: Isa, não é por nada não, mas você é a cara da moça do Girls. Eu já perdi as contas de quantas vezes ouvi isso. Já me pararam na rua pra falar isso (mesmo). Uma vez eu estava comprando batons e a vendedora me falou isso (mesmo). Eu estava no meio da muvuca da Bienal do Livro e um menino sussurrou pro outro: olha, a Lena Dunham! (mesmo, e eu respondi “não precisa sussurrar e eu não sou ela, mas valeu!”). E todo mundo fica meio na dúvida se me fala ou não porque, bom, a Lena é a Lena. Primeiro, porque o povo tem uma mania meio escrota de ficar com medo de falar que alguém parece uma pessoa que não segue exatamente os padrões de beleza. Depois porque a Hannah, a personagem dela em Girls, tem a mania meio maluca de aparecer pelada em todo e qualquer episódio.

Eu sei. Eu acho estranho. Porque sou eu.

Normalmente a gente não se acha parecida com a pessoa que todo mundo acha a gente parecida, né? É, eu acho. Primeiro episódio de Girls, a Hannah lá, de quatro, numa cena de sexo pra lá de desconfortável e eu MEU DEUS DO CÉU O QUE EU TÔ FAZENDO. Ah. Não sou eu. Acontece. No começo foi estranho, mas depois eu só fui percebendo o quão maravilhoso é me identificar com uma mulher tão incrível. Sério. Só que daí ela escreveu um livro e botou tudo pra fora e eu fiquei, digamos, um pouco exposta.

Eu me senti mais à vontade pra escrever essa “resenha” porque é quase como se estivesse escrevendo um diário. É sério. Não é apenas em termos estéticos que eu me identifico profundamente com Leninha – não, eu não tive atração pela minha irmã quando jovem, nem nada do tipo, e minha vida é bem menos interessante que a dela, mas é um sentimento geral que, mano. TOMARA que essa seja a tal da “voz da nossa geração”, porque isso só pode significar que a gente é uma geração bem bacana. Fodida, porém bacana.

O livro é dividido em algumas seções: Amor & Sexo (claro); Corpo (graças a deus); Amizade; Trabalho (Lena, eu quero ser você); e Panorama, que é um soco na porra do estômago. Do meu, ao menos – e olha que foi porrada atrás de porrada. Além das experiências e da falta de pudores em se expor da maneira mais nua possível, o estilo da Lena é muito pessoal, dá pra ouvir a voz dela enquanto a gente lê. Apesar de não ter curtido o nome em português, gostei bastante da tradução. Quem conhece um pouco dela – ou quem é maluco feito eu e assistiu a cada uma das entrevistas pelo menos umas 5 vezes – sabe que  trabalho foi bem fiel. Tem uma pegada moderna, tipo dicas e listas, ao final de cada capítulo, hilária também.

Com os temas acima, bom… Cês já sacaram que o livro é um enorme episódio de Girls – com ainda menos edição? Daqueles que deixam a gente meio constrangida, meio achando maravilhoso, meio querendo ser como ela e meio agradecendo pela vidinha boba que a gente leva. Em todos os casos, meu maior sentimento era: “Por que você está espalhando sobre isso por aí, Lena? Esse segredo é meu!”.

especialmente "eu" nessa foto, Leninha

especialmente “eu” nessa foto, Leninha

E, tirando a parte pessoalíssima e um tanto quanto egoísta, fica essa análise fantástica da Carla Rodrigues no Blog do IMS, que é muito melhor e mais sã que eu na hora de escrever uma resenha belíssima:

“Ela expõe de forma corajosa e dura a forma rude como foi tratada por seus parceiros, as fantasias forjadas por modelos de sexo cinematográficos as decepções que já haviam pontuado a primeira temporada de Girls […] Lena problematiza no sexo tudo que significa para uma mulher não atender a uma expectativa forjada em moldes impossíveis de alcançar, incluindo seus problemas com a balança e as inúmeras dietas a que se submeteu como tentativa de se encaixar em padrões de beleza e magreza. […]

Quando, desde o título, anuncia “não sou dessas”, ela encontra a única possibilidade de afirmação nesta negativa: não sou aquilo que querem que eu seja. Tarefa difícil, sobretudo para mulheres, e ao mesmo tempo cada vez mais necessária. Um dos legados deixado pelo feminismo do século XX foi a possibilidade de nos rebelarmos contra as formas pré-determinadas de gênero. Para as mulheres, um desafio ingrato (para os homens também, mas por outras razões que não vêm ao caso).”

do what your lovezzzzzzzzzz

Eu finalmente me formei na primeira faculdade que comecei. História. Na Usp. Comecei lá em 2007, decidi largar, não larguei, parei, comecei outra, larguei, voltei. Fiz tudo meio nas coxas. E fui voltando esse ano meio assim, do jeito que dava – e claro que teve uma greve gigantesca no meio – e, de repente, recebi um email dizendo que meu curso tinha sido encerrado por motivos de: conclusão. Tive que ler algumas vezes. Conclusão. Se pá eu me formei. Ainda não fui lá conferir.

O que me fez pensar em muita coisa – muita coisa que desde que começou essa tal de ~vida adulta eu penso, ô se penso, insistentemente, até eu ficar louca (e daí quando eu fico louca eu chacoalho a cabeça [chacoalho mesmo, é físico, não é uma metáfora] e falo “Isadora, você não tem tempo nem dinheiro pra pirar, então vai ver um episódio de Grey’s Anatomy e depois fazer seus frilas”). Penso naquele famigerado “faça o que te faça feliz”. Tá aí: eu nunca ouvi isso de ninguém. Tirando um ou outro professor do colégio, é claro, minhas escolhas foram sempre pautadas no “eu sou boa no quê?”. Karma is a bitch, vou sempre me cobrar por não ter sido tão boa no que eu poderia ter arrasado. Por escolha, por preguiça, ou simplesmente por ter mudado minhas prioridades – o que eu tento me convencer numa tentativa meio patética de parecer independente/autossuficiente.

Daí eu comecei a trabalhar e, imediatamente, entrei naquela pira do inferno: ama o que você faz. Mas gente, não. Maior erro da vida. E eu só percebi isso agora, digamos, uns 8 anos depois que eu comecei a me preocupar com isso (ok, ainda dá tempo de ter uma atitude melhor a respeito, a gente tá torcendo!). Mudei de empregos com frequência baseada do “não tô satisfeita com o que estou fazendo” e, contando com a compreensão quase incompreensível dos meus empregadores, fui pingando aqui e ali, passando pelos mais diferentes tipos de trabalho, migrando entre uma área e outra. E reclamando. Porque sempre tinha um problema. Ou por que o problema era que eu estava encarando tudo errado?

Tá aí. Esses dias, doismilecatorze, o Brasil perdeu a Copa em casa, a Dilma foi reeleita no sufoco, o George Clooney casou e eu comecei, finalmente, a entender que trabalho é trabalho. Que essa maldição do Pinterest de caligrafias manuscritas gritando DO WHAT YOU LOVE LOVE WHAT YOU DO só serve pra gente se perder numa pira maluca de trabalhar 12 horas por dia e aceitar os tipos mais insanos de exigência/remuneração/falta de café coado no ambiente de trabalho. Ou uma eterna insatisfação que pode te levar à loucura. Acreditem.

ói que caligrafia maravilhosa, que hipsterismo discreto, que lema de vida sutil e concretozzzzzzzzzz

ói que caligrafia maravilhosa, que hipsterismo discreto, que lema de vida sutil e concretozzzzzzzzzz

Há algum tempo eu li uma série de artigos que, numa vibe mais profunda, analisavam como esse tipo de pensamento “faça o que você ama” acaba desmerecendo todo tipo de trabalho que não o intelectual, o quanto é uma coisa elitista e meio vazia, bem típica dos nossos tempos. Mas eu perdi esses artigos. Sendo bem egoísta e pensando única e exclusivamente na minha sanidade mental e no meu belo e gordo umbigo, percebi que o que tem que rolar é uma mudança de postura em relação ao trabalho e, principalmente, às minhas exigência para/com (olha que profissional) ele.

Levado a um dos extremos, essa minha enorme divagação que não interessa a ninguém me faz fez que a gente pode acabar perdendo o limite do “amor”, e vivendo, mesmo, daquilo. Ao outro, me leva a pensar que um emprego qualquer que me garanta um salário sobrevivível e horários decentes que me permitam ter uma vida fora dali pareça o melhor dos mundos. O borogodó tá em encontrar esse meio termo, né? E, enquanto isso, arrumar um jeito de blindar o corpo contra esses exus sem luz que aparecem no ambiente corporativo e vão destruindo a vida da gente. Nesse texto do Vida Organizada eu achei umas dicas bem práticas, do jeito que eu, pisciana dramática, mais preciso, pra levar a vida numa nice sem matar ninguém e tirar dali o melhor que dá.

E antes que vocês me digam “poxa Isadora, você só fala tudo isso porque ainda não encontrou o que te faz feliz”, eu vou responder: pode ser. Mas eu já acreditei ter chegado bem perto disso várias vezes e, bom: a realidade acaba bringing us down rapidamente em todas elas. Vejam bem: eu acredito em fazer o que a gente ama, sim. Só não sei se a melhor maneira é fazer disso um trabalho. E outra: eu admiro de verdade quem conseguiu fazer isso. Tenho amigos que ~largaram tudo, seja lá o que isso signifique, pra ir atrás do velho sonho. Vários deles conseguiram. E é LINDO. E eu tenho certeza que um dia eu vou voltar aqui, linkar esse texto e falar “olha que jovem inocente, não sabia nada da vida, olha como hoje eu sou uma famosa escritora de livros infantis, rica e poderosa, tenho o armário dos sonhos e SÓ CONSEGUI TUDO ISSO PORQUE LARGUEI TUDO E CORRI ATRÁS DO QUE AMAVA”, cês podem acreditar.

Mas, até lá, ou enquanto eu não descubro qual é o mundo ideal que pague as minhas contas e não me tire dos eixos, o jeito é ir me convencendo de que o que eu preciso – segurem minha mão, digam que eu estou certa, galé! – é uma postura diferente em relação a isso tudo, ao trabalho, à vida, à rotina (às pessoas, morram todas azinimiga). Uma maneira mais prática e, claro, que se torna mais leve, de encarar tudo como “só um trabalho”. E, fora dali, aí sim, dar a maior raça possível para encontrar tudo aquilo o que me faz feliz de verdade. Aí sim, sem limites.

halloween atrasado – e bem mais divertido

Festinha dá certo quando é assim: ainda que não seja na data mais correta – quando a casa tá vazia! -, mas com quem a gente ama e muita, muita criatividade. Eu sou maluca por decoração de festa e, quando deram a deixa “nós vamos fazer um Halloween fora de época”, corri pra 25 de março com o pouco que restava do salário e voltei com a sacola cheia. O que virou:

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Abóbora nojentinha: abóbora de plástico, uns R$ 3. A gente cortou a boca com estilete e encheu de guacamole!

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Bexigas engraçadinhas: bexiga, né, gente? E caneta de CD. Voilá!

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Cortininha de fantasmas: melhor DIY – barbante, uma sacola de bola de isopor pequena (R$ 6) e um pacote de guardanapos. É só ir amarrando e desenhando as carinhas, fica mega simpático!

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Mais abóbora e uma caveirinha. R$ 3 também, é tipo uma cestinha pra colocar doces. A gente pôs velas dentro pra iluminar.

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Copinho de festa colorido e caneta. SIMPLÃO. E um pacote do bom e velho pirulito que deixa a língua azul…

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Eu tava saindo da loja de decoração quando vi jogado num canto um monte de saquinho com aquele musgo falso, de colocar em vaso, sabe? Juntei 2 sacos desse com uns de pout pourri e pronto: floresta maligna. O esqueleto foi o que saiu mais caro na decoração: o pacote com 4, R$ 10.

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Mais papel, mais copo plástico 😉

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Luzinhas de natal: SEMPRE TENHA. Melhor jeito de iluminar uma festa!

Um dia eu vou largar tudo e viver disso. Anotem aí o que eu tô dizendo. E sim, eu faço a sua festa, é claro!