eu e a Rainbow e os livros

Eu já falei tanto de girl crush aqui que vocês já devem estar com uma impressão bem específica de mim, né? Sem problemas. Primeiro é a Lena Dunham, cujo meu cosplay involuntário só não é mais deprimente e escrachado (oi, quem tá loira? que, não eu.) porque a gente ainda não se conheceu. Depois tem a Amy Poehler, rainha das rainhas, aniversariante de ontem e dyva-mór da minha vida. E agora eu vim aqui falar da Rainbow Rowell.

Essa é a Rainbow Rowell.

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Ela é linda desse jeito. E ela escreve livros. Segundo ela mesma, algumas vezes são livros sobre adultos (Attachments Landline – que eu ainda não li), às vezes, ainda bem, sobre adolescentes. Que é o caso de Eleanor & Park e Fangirl, os dois da Novo Século. Mas são sempre livros “sobre pessoas que falam demais. E sobre pessoas que sentem como se estragassem tudo. E sobre pessoas que se apaixonam.”

Vocês estão ligados o quanto eu sou apaixonada pela literatura chamada de Young Adult – ou “juvenil”, pra gente – e eu não vou nem gastar tempo explicando muito. 1 – eu nunca cresci; 2 – eu continuo achando que eu vou estragar tudo a todo momento; 3 – eu não sei resolver nada que envolva assinaturas mesmo morando há quase 1 ano sozinha e, por fim, 4 – esse povo tem que ler, gente. Muito. Tudo. O que for apaixonante. Então não é mistério nenhum que eu tô sempre ligada no que está saindo por aí depois do John Green e, bom, eu conheci a Rainbow.

Dizem que o E&P (íntima) não fez tanto sucesso no Brasil quanto fez lá fora, mas eu realmente não sei por qual motivo – nem se é verdade. O livro é um romance adolescente bem típico, se não fosse por um motivo: é extremamente real. Através da voz da Eleanor, uma garota gordinha, ruiva do cabelo cacheado, vai listando de uma maneira bem nua e crua tudo: bullying, abuso (do padastro escroto), inseguranças (sou gorda. Sou feia. Minha mãe é mais bonita que eu.) e, é claro, uma paixão avassaladora, e tão eterna quanto pode ser uma paixão adolescente.

Aqui não tem nada de disfarce ou eufemismo: as coisas doem como doíam na adolescência, doem de verdade – lembra? E por isso é tão bom. Uma amiga que leu o livro antes de mim disse que “é exatamente igual a como era se apaixonar!”, e é. A narrativa, a história, mas também o livro, apaixonante. Claro que a Eleanor conhece um boy gracinha, o Park – que é asiático, gente! Pensa num mocinho asiático? Demais. Claro que ela acha que ele nunca vai olhar pra ela. E no começo  ele não olha mesmo. Mas depois eles se amam. E ele gosta do cheiro do cabelo dela. E ela gosta de como ele é magrinho. E ele gosta dos olhos da Eleanor. E ela gosta dos quadrinhos que ele lê. E ele grava músicas pra ela. E ela quer fugir com ele. Ai, gente…

E bom, depois tem Fangirl. Quando eu achei que não ia conseguir mais ler nada da autora – ah, eu tenho isso. Eu enjôo – eu acabei comprando o segundo dela na Bienal. Ganhei dois bottons. Sou fácil assim. E eu comprei Fangirl e comecei a ler no mesmo dia, só porque eu li que era uma história sobre… Fanfics.

rainbow

Ah gente, e aqui o momento revelação vai ser curto e sorrateiro, muito embora arranque um pedação gigante da Isadorinha adolescente que fui: é óbvio que eu escrevia fanfics. A coisa foi mais ou menos assim: eu li o 1º Harry Potter com 11 anos, o Harry tinha 11, fez 12, eu fiz 12, fez 13, eu fiz 13, e a gente foi crescendo juntos. O que vocês acham que eu tinha pra fazer, além de esperar o Hagrid vir me buscar? Eu escrevia e escrevia histórias paralelas que me impedissem de chorar enquanto Hogwarts entrava em hiato de um livro pro outro, é claro. Eu shippava os moço tudo, eu inventava personagens de cabelo cor de chocolate, eu dava o devido valor para o Lupin e para o Sirius e, é claro, eu nunca publicava nada (nem adianta googlar). [/fimdarevelação]

E a Cath, a Cather, a personagem principal de Fangirl escreve fanfics. De Harry Potter – ou Simon Snow, a versão da Rainbow do personagem da J.K.Rowling, absolutamente igual e, por isso, ainda mais engraçado. Ela é uma escritora famosa na internet junto da irmã gêmea, a Wren. Mas as duas cresceram e entraram na faculdade, e a Wren tá a vibe curtir a vida adoidado: não quer dividir quarto, bebe loucamente com as amigue, pega os boyzinho tudo e who the fuck is Simon Snow? Tá na hora de apagar esse passado adolescente, né gata? E sobra tudo pra Cath.

Enquanto isso, a Cath tenta: 1 – terminar a sua fanfic mais famosa, lida por milhares de fãs, antes do lançamento do último livro da série; 2 – passar de ano; 3 – sobreviver à faculdade; 4 – não tretar com a irmã revolts; 5 – lidar com a volta da mãe, que abandonou as duas quando eram crianças. Deu pra sacar que a Rainbow curte um drama, né? Bom, pisciana que sou, eu nunca reclamaria. Então tá, né gente. Tô apaixonada.

E para além das personagens femininas incríveis que ela constrói – ah, mas um dia eu vou escrever sobre isso! – Fangirl me pegou pelas descrições incríveis de o que é ser fã. E o que é ser fã de um livro – ou uma série, uma saga. Eu acho engraçado como as pessoas hoje em dia ficam assustadas com o sucesso, por exemplo, de uma Cassandra Clare na Bienal. Eu lembro perfeitamente como é sentir que uma pessoa que não te conhece, que mora a milhares de quilômetros de você, que não sabe da sua existência, consegue escrever exatamente aquilo que você sente. O que você queria escrever. O que você anseia, com todo o seu ser, que acontecesse com você.

Harry Potter teve esse papel na minha vida e, mais do que me fazer ter vontade de sumir do mapa e aparecer num mundo mágico (oi, metáfora da vida?), fez com que eu me apaixonasse por ler e por escrever. Pelos mundos maravilhosos que a gente pode criar, e tantos outros que a gente pode visitar quando quiser. E eu fico inacreditavelmente feliz sabendo que agora existem outros Harrys Potters – seja a Rainbow, o John Green, a Cassandra, a moça dos Jogos Vorazes, Divergente, ou qualquer um deles. É lindo e traz esperança saber que tem mais gente apaixonada por aí. Não importa pelo o que seja, né, Rainbow?

Os vendedores começaram a empilhar grandes caixas de livros – caixas especiais, azul-marinho com estrelas douradas. A gerente da loja vestia uma capa e um chapéu pontudo muito equivocado. Ela subiu numa cadeira e tocou uma das caixas registradoras com uma varinha mágica que se parecia com algo que a Sininho usaria. Cath revirou os olhos. […]

Cath saiu do caixa, tentando abrir caminho, segurando o livro com as duas mãos. Havia uma ilustração de Simon na frente, segurando a Espada dos Magos sob um céu cheio de estrelas.

– Você tá bem? – ela ouviu alguém, talvez Levi, perguntar. – Ei… tá chorando? […]

– Não acredito que acabou mesmo – sussurrou.

Wren a abraçou com força e balançou a cabeça. Estava chorando mesmo.

– Não seja tão melodramática, Cath – Wren riu, rouca. – Nunca acaba… É o Simon.

sou dessas

Eu dou duas voltas no cadarço. Tênis, bota, oxford, pros dias de mais estilo. Mas tanto faz o calçado, sou dessas que dá o nó, faz o laço, e faz de novo. Eu sempre deixo as pontas mais compridas pra poder dar a segunda volta, um nó, com o laço. Por mais feio que fique, é mais seguro. Dou sempre duas voltas no cadarço.