girl crush: Amy Poehler

Não é bem uma girl crush. É mais parecido com a sensação que eu tive quando a Lena Dunham apareceu – apesar de sermos a mesmo pessoa e tals – de “meu deus, essa pessoa me entende num nível que eu nunca me entendi antes”. É. Pode até ser amor, tô vendo. E não tem problema. Porque ela é a pessoa mais incrível do mundo e eu estou completamente apaixonada pela Amy Poehler.

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Tudo começou quando o boy disse que eu tinha que assistir Parks and Recreation. Como tudo o que ele me diz que eu tenhoquefazer, eu ignorei por pura preguiça (oi, boy, te amo). “Ah, nem deve ser tão bacana assim”. E como tudo o que ele me diz que eu tenhoquefazer e eu não faço por pura preguiça, era realmente inevitável que eu me apaixonasse. A série, e eu já falei dela aqui, é sobre o Departamento de Parques de uma micro-cidade nos EUA, Pawnee, com uma funcionária pública que ama o que faz, motiva a equipe e sugere (e consegue) projetos incríveis pruma coisa que ninguém liga. Ou seja: eu.

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E foi assim que eu me apaixonei pela Amy Poehler. Linda, engraçada, inocente, sorridente, porreta. Maravilhosa. Eu não conhecia mais nada do trabalho dela porque sempre ignorei um pouco essa parte “comédia norteamericana” – nenhum princípio comunista envolvido (aqui), apenas preguiça, mesmo – mas, imediatamente, virei a maior stalker que essa moça tem. Inteligente. Perspicaz. Linda. Loira. Ai, Amy…

Ela tem aquele jeitinho tão peculiar das garotas que tentam too hard (quem, eu?). Tipo, “agora eu vou ser engraçada e falar sobre xixi” – entra o presidente da empresa. “Agora eu vou ser sexy pra caralho e seduzir o moço” – coloco fogo na toalha de mesa. “Agora eu vou ser muito descolada e contagiar a todos com a minha opinião open minded aqui” – soei racista sem perceber e insisti na piada. Impossível resistir, sabe?

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E foi de repente que vieram duas notícias que abalaram pra sempre o meu mundo e a minha adoração devota a essa mulher se completasse finalmente:

1 – Ela foi casada com o Gob. Com quem, vocês dirão? Com o Gob Bluth, gente, DE ARRESTED DEVELOPMENT. Tipo, um dos caras mais engraçados que existem hoje em dia. Não? Como assim? E eles têm filhos lindos e loirinhos, porra.

2 – Ela tem uma página chamada Amy Poehler’s Smart Girls (apresentada pra mim pela linda Ju, do Think Olga) que… Ai, gente, que, segundo eles mesmos “é uma comunidade online para meninas e “jovens de coração” que encoraja as mulheres através do ativismo, troca cultural e auto-expressão através da arte.” Gente, é uma página feminista da Amy Poehler. Beijos, morri.

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Então é isso, gente. Eu tenho uma girl crush e tô aqui assumindo pra vocês. E se nada mais conseguiu fazer com que eu os convencesse de que a Amy Poehler é a mulher mais maravilhosa do mundo, fica aqui esse último vídeo que, se não fizer efeito, definitivamente vocês não têm coração:

eu não sei usar o whatsapp

Eu não sei usar o whatsapp.

Em primeiro lugar, eu não entendo o whastapp. Veja bem: eu não sou uma dessas pessoas blasé que reclama da tecnologia, dos smartphones, da vida, do café gourmet. Eu amo imensamente todas as facilidades, eu abro o Instagram como primeira coisa do meu dia, eu sofro a cada mensagem do Facebook que o 3G da Vivo não me deixa ler imediatamente. Mas eu não entendo o whatsapp.

Não consigo imaginar uma coisa mais opressora do que um aplicativo que me deixa conectada a todo mundo o tempo todo. NÃO DÁ. Tipo, tô cagando, gente. Não, não assim, no sentido figurado: eu tô literalmente cagando, e vocês estão lá, me contando sobre a vida, sobre o jantar, sobre o moço que não liga de volta. Eu tô dormindo: vocês estão me falando sobre o que viram na rua. Eu tô comendo: vocês estão me contando sobre o que estão comendo.

Não que eu não queira saber tudo isso. É claro que quero, amigos queridos. Mas me mandem um email. É tão mais elegante. Tão mais “chegado”. Tão mais íntimo. Tem tantas possibilidades mais que eu resposta, nossa, vocês nem imaginam. [Parênteses, ou chaves: aqui entra também o meu plano requentado da Vivo, que não entrega as mensagens quando ele não quer.] Se for urgente, então, por favor: me liga, minha nossa senhora. Nem que seja pra falar que o boyzinho não te liga. Serião. Vai ser mais legal.

“Ah, Isa, mas você tá no trabalho, eu preciso te contar…”. Nega, eu tô sempre no trabalho. E eu tô sempre conectada. O que significa que a chance de eu ler seu email, sua mensagem no Facebook (hello xoxo media!), sua DM no Twitter são infinitamente maiores do que eu alcançar meu celular – provavelmente sem bateria, aliás -, conectar no wifi da firma (hello plano requentado da Vivo), esperar o app abrir (oi, iPhone 4 desatualizado) e te responder no tempo em que uma mensagem de whatsapp demandaria.

Dai a gente entra no: eu não sei usar o whatsapp. Porque, por mais que eu demore, eu respondo ao Facebook, aos emails, às DMs, ao resto da vida inteira, e é te ligo de voltar, se você der sorte. Mas daí eu faço todo o procedimento citado acima e, quando o troço conecta, IH GENTE, deu xabu no trabalho. E eu esqueço o celular. E daí o que acontece? Ninguém me lembra que aquela mensagem um dia na história desse país existiu. E aí vocês dizem que eu sou relapsa.

E pra terminar uma conversa então, meu povo? Emoticons são infinitos. Você manda um delicado “oi, fulana, hoje vou chegar atrasada porque meu gato entrou embaixo da cama e não quis mais sair de lá”, e a pessoa te responde “claro, fica tranquila!”. Você responde :). A pessoa responde :). Daí você manda um 😉 pra não parecer muito escrota. Ela te manda um gatinho com corações nos olhos. Você manda sorriso. Ela piscadinha. Ela te manda um avião. Você uma boia de piscina. INFINITAMENTE. Até o sol raiar e eu parar de achar que estou sendo mal educada com as pessoas.

Sabe, eu sou legal, gente. Eu sou educada. Eu gosto de conversar. Mas eu não sei usar o whatsapp. Sejam elegantes e me escrevam emails. Com assinatura, sabe?

Beijos com saudades,

Isadora. 

Assim.

porque eu gosto de John Green

Quando começou a febre do moçoilo, eu fui bem vendida atrás dos livros. Não é mistério pra ninguém o quanto eu gosto de literatura juvenil, então nada mais justo do que descobrir quem era tal do tio que postava vídeos incríveis por aí, tinha um Instagram hypezinho e, de quebra, fazia uns livros. Mas não: eu nunca entrei – mentira, agora eu entrei e tô viciada, é claro – no canal dele, e só comecei a seguir as fotos depois que vi aquele que garoto bun-di-nha tinha sido escolhido pra fazer o Augustus no cinema. Bleh. A princípio, comprei Quem é você, Alaska? totalmente sem querer na Feira da Usp, só porque o livro estava custando 10 dilmas e a capa me chamou a atenção.

Dai em diante, eu me forcei a ler todos. Sim, eu me forcei a ler todos os livros do John Green numa espécie de desafio pessoal e segunda chance em looping pra ele: porque eu não curti os finais. Eu não gostei do final de Alaskamaôe, quem curtiu? -, eu abominei o final de Cidades de Papel, eu quase infartei com Katherine e, bom, em A Culpa é das Estrelas não teve muito jeito, né? Mas tá. Pode ser que eu tenha um lado Disney muito forte dentro de mim, desses que espera final com Canção Original vencedora de Oscar e tudo o mais, mas porra, John: histórias boas demais pra finais ruins – mais ou menos a mesma impressão que eu tive com a série Divergente, com a diferença que eu não quis atirar os do Green na privada.

Mas eu vou acreditar que tio John Green queira apenas nos passar aquela bonita mensagem do “a jornada é o que importa” e um senso de realidade às histórias dos seus livros do tipo “isso poderia ter acontecido com você, a vida é assim, chata e nada apoteótica”. Vejam que eu construí toda uma tese baseada na culpa e absolvição do moço. Ele merece.

Eu gosto muito de John Green primeiro e principalmente por conta dos personagens femininos. Mais que as protagonistas de todos os livros, as meninas são os principais objetos das histórias – seja pro bem ou pro mal. Normalmente, é pro mal. Elas são todas um pouco descontroladas, um pouco fora da casinha, um pouco “ah que bonitinha que ela é, não, pera”. Ou seja: absolutamente normais. Às vezes, é claro, rola uma força-ção-zinha de barra, naquele sentido “mas ninguém pode ser tão complexa assim”, uma idealização de Tangerine meio adaptada pro mundo teenager, mas eu relevo, porque a gente precisa de novos ídolos, né gente? Então, ao meu ver, nada melhor do que ter uma adolescente dizendo que “eu sou IGUALZINHA a menina descontrolada que larga todo mundo pra trás só porque está a fim de se conhecer melhor” do que, sei lá, nego ainda pirando na Mia Farrow. Eu amo a Mia Farrow. Mas chega.

(Claro que aqui não coube nenhuma super análise feminista da minha parte, apenas uma leitura superficial e de percepção, mesmo.)

Depois tem esse lance da realidade que ele pegou muito bem de um dos pontos de vistas mais difíceis que tem: a adolescência. Porque, né, gente, que porra você sabia da vida com 16 anos? Nada. É, nada. E ele saca isso. Saca que, além do câncer, da doença, do amor, da viagem, da loucura, eles são adolescente, e daí você espera coisas tipicamente adolescentes de cada personagem porque, antes de mais nada, eles são adolescentes. Fim. Então é tipo: adolescente com câncer. Check. Mas adolescente que-dirige-que-bebe-que-fode-que-vai-a-escola-que-não-quer-ir-a-escola-que-não-quer-não-ir-a-escola com câncer. Sem subestimar o leitor só porque ele é “jovem”. Sem ter texto curto só porque ele é jovem. Sem ser ilustrado só porque ele é jovem.

E ele é divertido, né gente. E o ponto principal da minha vida é a habilidade de rir da minha própria cara, então nada melhor do que treinar isso com um moço alto, loiro, nerd (claro), engraçado e que ainda escreve bem.john2

* Pras pessoas que querem me matar quando eu falei mal do ator que faz o Augustus: calma, que no filme eu também me apaixonei. Mas é puro paranauê, gente, não tem nada de bonito ali, jesuis.