sobre Cuba

Eu demorei pra escrever sobre Cuba porque eu estava de ressaca. Uma ressaca que nada tinha a ver com a média de 1,7 mojitos/dia que eu tomei durante a viagem; Mais parecida com a ressaca que eu senti no pós-show do Paul McCartney. Uma ressaca que sussurrava lá dentro: você realizou um sonho, Isadora. E junto daquela satisfação que te deixa radiante – além do bronzeado maravilhoso –, traz também uma sensação de “e agora?”.

Eu demorei pra escrever sobre Cuba porque eu estava de ressaca. Uma ressaca que nada tinha a ver com a média de 1,7 mojitos/dia que eu tomei durante a viagem; Mais parecida com a ressaca que eu senti no pós-show do Paul McCartney. Uma ressaca que sussurrava lá dentro: você realizou um sonho, Isadora. E junto daquela satisfação que te deixa radiante – além do bronzeado maravilhoso –, traz também uma sensação de “e agora?”.

A gente sempre teve aquele sonho comunista de conhecer Cuba, ver qual era, aquecer o coração vermelho de esperança marxista. Meus pais, lá nos idos dos anos 80, visitaram a terra do Fidel num esquema muito turista, resort, avião e moças vestidas com frutas tropicais. Eu e o namorado já somos mais pé no chão – pra não dizer falidos – e pensávamos em como adequar o orçamento reduzidíssimo, que cortava de cara qualquer local com mais de 3 cifrões.

Duas coisas ajudaram a bater o martelo: os poucos, mas ótimos, relatos de viajantes mais ou menos tão falidos quanto nós na internet, e o guia Lonely Planet do país. Os blogs porque nos deixaram tranquilos no fator “mochileiros”, deixando claro que era possível fazer uma ótima viagem sem ter que pedir empréstimo no banco, além de terem sido definitivos na escolha do roteiro (reduzido, porque aquela ilha é larga demais). O guia conseguiu reunir algumas dessas informações – como a hospedagem em casas de cubanos, mega barata – com outras mais práticas: locomoção entre as cidades, dúvidas sobre o dinheiro, algumas atenções especiais de segurança.

E daí a gente foi. Quando vimos, estávamos parcelando as passagens (caríssimas) em 1287 vezes e mandando emails com um portunhol vergonhoso, tentando confiar que aquele acordo boca-a-boca – ou nem isso! –, ia ser o suficiente pra garantir que tivéssemos onde dormir em terras cubanas. E foi. O povo cubano começou a ser surpreendente a partir daí: jogando na cara da gente, dois paulistas acostumados a tomar cuidado até com a sombra, que um acordo firmado apenas com um email “te aguardamos en nuestra casa, saludos!”, sem nenhum dinheiro envolvido, seria garantia de uma recepção não só honesta, como pra lá de calorosa.

Viajamos durante 16 dias por alguns lugares: Havana, a cidade mais incrível que eu já conheci, com gente saindo pelas janelas, pelos bueiros, pelas frestas; Cienfuegos, cidade-lego-dos-franceses, com o povo mais engraçado e caloroso, que bebe vodka russa e canta Benny Moré; Trinidad, Paraty cubana, jovem, sexy, animada, das ruas difíceis de andar e das praias surreais; Varadero, artificial como só ela poderia, terra dos resorts e do descanso. Cuba me encantou mesmo quando caímos nos trambiques inofensivos, mesmo quando a cama tinha pulgas, mesmo quando meu estômago desistiu da sua culinária. Cuba é incrível, cada pedaço e, tenho certeza, cada canto que faltou.

E pra quem quer ouvir sobre a situação política-econômica, eu não vou me alongar muito: existem, sim, tantas coisas erradas quanto a gente encontra em cada esquina aqui do Brasil – um abismo social artificial imenso, criado pela bolha bizarra do turismo -, tentativas meio esquizofrênicas de abertura e um descompasso surreal se você analisa com olhos de quem vem de fora e vê o país parado no tempo. Sim, existe. Ao mesmo tempo, existe a garantia de que da educação, da saúde, da segurança de deixar as crianças jogando bola – beisebol, tá aí um grande erro! – na rua até de madrugada, e só se preocupar se algum cubanito mais caliente vai te passar uma cantada na volta pra casa. Existe um sentimento de irmandade meio inexplicável, de acolhimento e simpatia inerentes, uma tranquilidade dessas de abrir a sua casa pra um completo estranho e servir abacaxi com mel no café da manhã.

Os cubanos são incríveis.

Eu até podia fazer um post dia-a-dia da viagem, cheia de fotos, lugares e dicas, mas nem sei se consigo mais distribuir os dias em dias, os locais em locais. De Cuba eu trouxe a sensação que já me acompanha nos últimos meses de 2013, de que não é preciso muito pra ser feliz daquele jeito calmo e tranquilo que eu tanto quero. Não falo do mar do Caribe, das cidades encantadoras (mas delas também). Falo de paz de espírito e convicções pessoais de que a gente pode ser simplesmente bom – e não precisa de muito.

IMG_0688Se alguém pretende viajar pra lá e quiser dicas pontuais, lugares/restaurantes, essas coisas, podem me perguntar nos comentários ou nos ícones de contato ali do lado, que eu terei prazer em responder! Por enquanto, não consigo ir além dessa sensação que tentei descrever aí em cima. Algumas fotos eu coloquei aqui.

FAVORITOS #2

Essa entrevista com Blexbolex, no blog da Cosac Naify:

O artista francês Blexbolex, autor de Cantiga, um dos livros mais lindos que eu já vi – e que ganhei de presente da minha querida @stephieborges – deu uma entrevista exclusiva para o ilustrador Daniel Bueno. Vale a pena ler, nem que seja pra ficar babando nas imagens.

As promessas para 2014 do incrível Juan Pablo Villalobos, no blog da Companhia das Letras:

1. Parar de roubar no quilo; 3. Começar todas minhas frases assim: “Mas porra…”; 7. Soltar no México o boato de que eu conheço Fernanda Lima. A lista do autor mexicano já está impressa e colada no meu mural. Conheci o Juan Pablo através do lindíssimo Festa no covil, seu romance de estreia, e tive a honra de fazer um curso muito bacana com ele – sim, vou contar pra todo mundo que conheço um autor fodão. Amei o personagem infantil de “Covil”, e estou apaixonada pelo retrato mega-irônico da família mexicana que ele faz em Se vivêssemos em um lugar normal. Leio tudo o que ele escreve, dos livros às crônicas por onde eu encontro. Dá um quentinho, sempre, e aquele sentimento de “eu queria ter escrito isso”.

Os 13 melhores livros infantis de 2013, do Brain Pickings:

Quem me conhece sabe que eu sou alucinada por literatura infantil, especialmente livros ilustrados – cês viram a tatuagem nova, né? Fiquei super feliz de saber que algumas das minhas escolhas do ano estão entre as 13 do Brain Pickings (que se vocês não conhecem, conheçam, por favor): My Brother’s Book, do Sendak <3, e Ballad (Cantiga), do moço que eu citei aí em cima. Os outros vocês podem colocar na “lista de presentes para dar pra Isa”, especialmente o The Mighty Lalouche – infantil, ilustrado e sobre boxe? Num posso.

imagem daqui

imagem daqui

resoluções (possíveis) para 2014

Eu ia passar batido sem isso, mas achei importante, no final. Mentira: na real eu li duas listas de resoluções de ano novo que me incentivaram a fazer a minha, ainda que mambembe, por aqui. A primeira foi a divertidíssima Minhas promessas para 2014, de um dos meus autores preferidos, Juan Pablo Villalobos, que pretende, entre outras coisas maravilhosas, “soltar no México o boato de que conhece a Fernanda Lima”. A outra é a da Juliana Cunha, de quem eu empresto o conceito Sosh de autoestima aplicado a todos os níveis de relacionamento em 2014.

1. Investir mais em mim: tempo e dinheiro, sim. A minha resposta pra tudo esse ano foi “ah, não tenho tempo” ou “ah, não tenho dinheiro”. O primeiro eu vou tentar resolver mudando radicalmente alguns aspectos da minha vida. O segundo, não tem muita novidade, além de que eu percebi que não adianta parcelar na Zara, se aqui por dentro tá tudo zoado. Vou parar de arrumar desculpa para me cuidar mais, por “fora” (sim, eu vou comprar maquiagem, aceitem), e por dentro (virar homem e parar de ter medo de médico).

2. Correr: já que eu não aprendi a andar de bicicleta, que era uma das metas desse ano. Acho lindo esse povo todo no instagram correndo. É uma atividade física que eu acho realmente bonita: a coisa de ficar sozinha, de ah, correr, de sair do lugar. Pensei em voltar pro boxe, mas o momento está mais pra uma coisa mais all by myself. Eu não consigo correr 1 minuto direto na esteira, pra ser sincera. Mas eu vou tentar, e quero chegar no final do ano, pelo menos, com uma corridinha no currículo. Dá?

3. Voltar a estudar: quem me vê no dia a dia deve achar que eu estou louca. Estou quase infartando para terminar a porcaria da primeira faculdade que comecei – única e exclusivamente por motivos de: orgulho – e quero estudar mais? Quero. Porque agora, duas faculdades depois e muitos cursos mal-pagos, eu sei o que eu ser-quando-crescer de verdade. Eu sei no que eu quero ser boa. E eu já sou bem boazinha, então falta mesmo é mais incentivo. Nem que seja por conta própria.

4. Aprender a viver com menos: por uma questão de espaço, no armário, em casa, e de espaço, aqui dentro. Aprender a viver com menos pra liberar mais espaço no coração também, para ter menos preocupações, para sobrar mais para o que importa. E aprender a dar mais também entra nessa jogada, a aproveitar o que vem do dinheiro sem tanto peso na consciência. Desapego, né? Sempre ele voltando a aparecer por aqui.

5. Ler mais e escrever mais: todo começo de ano é a mesma coisa – tenho uns diazinhos de folga, eu leio 15 livros, vejo 15 filhos e escrevo posts pra janeiro inteiro. Depois, PUF, chá de sumiço. A meta esse ano é, pelo menos, 1 dessas coisinhas por mês: um livro, um textinho. Bem humilde, assim, mas possível, né? Pra não desanimar.

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