salamaleico

24 de julho de 2013, São Bernardo do Campo, 6h30.

Eu no ponto de ônibus, congelada, enrolada na echarpe – amigos, lembrem-me de nunca mais ficar sem cabelo nessa época, por favor. Chega uma velhinha italiana e começa, claro, a conversar comigo. Sobre deus, claro, porque é isso que acontece comigo.

Que deus é justo e perdoa, não pune; que ele aceita todas as pessoas, não importa a origem; que isso e aquilo. Como minha tolerância a senhorinhas italianas é altíssima, fui sorrindo e concordando, rezando pro tal do Jesus mandar logo o Sacomã chegar.

Até a hora que ela disse “Olha só: o papa tá aí, abençoando a gente. Esse é o momento para aceitar deus. Não precisa se sentir oprimida pelos seus pais, pela sua origem. Você está longe de lá! A igreja aceita todo mundo de braços abertos. Pode confiar!”

E eu entendi.

Quer dizer, estamos em 2013 e eu, minha echarpe e meu nariz ainda sofremos com tentativas de conversão por senhorinhas católicas.

verificando…

Sempre que eu faço uma compra online e o Itaú me diz “guardião verificando…” (no caso, a chave de proteção do banco) eu penso num senhor de bigodes incrivelmente parecido com meu pai, vestindo uma armadura e segurando uma espada.

E ele checa meu armário de sapatos e me olha com claros sinais de reprovação.