do coração

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“Pagar minhas contas, uma rotina que me permita conhecer/fazer coisas novas e exercício físico regular”. Foi assim que uma amiga minha definiu o que seria a definição de felicidade pra ela. E eu imediatamente concordei, do jeito que a gente só concorda quando realmente sabe, de dentro pra fora, que concorda tanto assim.

Parece pouco, mas é isso. E eu ainda ouso dizer que: nessa ordem, inclusive.

Se tem uma coisa que eu aprendi nesses 27 anos é a listar e priorizar as coisas e, dessa maneira, o primeiro tópico e o mais importante – e, portanto, mais difícil – é o “pagar minhas contas”. Veja bem, não precisa ser “pagar minhas contas e ser rica” ou “pagar minhas contas e comprar um iate”. É só e tão apenas garantir que o aluguel entre, os gatos tenham comida, e a Forever 21 esteja ao meu alcance. As contas, mesmo as supérfluas, são o primeiro ponto de preocupação, o maior, o mais difícil, e o primeiro que deve ser riscado da lista de uma maneira bem prática e programada – que não necessariamente tem que ser ruim ou exaustiva.

O que leva à questão da rotina que eu acabo de nomear como “de boa”, de boa lifestyle. Tempo de parar de ter inveja das pessoas que “largam tudo e vão conhecer o mundo”, que “largam tudo e vão trabalhar com o que amam”, que “largam tudo e….”, de uma maneira geral. Uma rotina que me permite, vez ou outra, conhecer um dos cantinhos do mundo, às quintas à noite trabalhar com o que eu amo e, de vez em quando, largar tudo, nem que seja pra retomar depois, é o que me satisfaz. Os momentos se tornam mais constantes, menos radicais, mais plácidos, menos intensos, mas mais certeiros e mais internos – ainda que os compartilhados. Faz bem.

E o exercício físico regular a gente vai tentando, esse, a gente ainda vai descobrir o que dá prazer e o que dá pra pagar, já que o que dá pra fazer é chato e o que dá pra pagar inviabiliza a primeira parte desse rolê de ser feliz, mas uma hora ele vem, mais leve e com menos cobrança. Não custa nada acreditar.

O mais engraçado é que eu comecei a escrever esse texto em 2015 e hoje reencontrei essa amiga aí do início, dessas  amigas sumidas e que fazem falta, e tanta coisa mudou desde então – mas essas continuam as mesmas. “Pagar minhas contas, uma rotina que me permita conhecer/fazer coisas novas e exercício físico regular”. E quando ela me perguntou como você tá? hoje foi mais fácil responder, mais honesto, mais perto do que tem que ser. Mesmo quando a pergunta mudou pra o que você quer? e um grande ponto de interrogação a ansiedade não foi tanta, deu até aquele gostinho de pensar “tanta coisa, não sei nem por onde começar”, que seja um curso de bordado, um gatinho novo pra completar o trio, pintar a parede do quarto ou toda uma nova vida. Que seja.

Que seja.

imagem lá do Chez Noelle
imagem linda que eu vi no Chez Noelle

19 Comments

  • inês

    Maravilhoso este texto e eu estava mesmo a precisar de ler estas palavras. É difícil não nos compararmos com os outros e essa coisa do “larga tudo e…” deixa-nos a pensar que estamos a fazer tudo mal. Mas não, somos todos diferentes e quero acreditar que é possível ter um trabalho, pagar contas, fazer umas viagens e ser feliz, sem largar tudo.

    • Isadora Attab

      claro que é possível! ♥ é possível e a gente tem que fazer um esforção pra valorizar as coisas “bobas” a nossa volta, mas sério, vale a pena. dá paz 🙂

  • Patthy

    Olha, e não é que “Pagar minhas contas, uma rotina que me permita conhecer/fazer coisas novas e exercício físico regular” parece bem satisfatório? As pessoas podem perguntar “ah, mas cadê a emoção da vida?” mas, oxe, a parte da rotina que permita novas experiências tá ali pra isso, né não?

    • Patthy

      *Eita, mandei sem terminar minha divagação*
      Hoje está tão forte a ideia do “trabalhe com o que ama, seja seu próprio chefe, largue tudo para ser feliz” que nossa geração quer isso a qualquer custo, mesmo se matando de trabalhar sem ter horário para as coisas. Rotina parece uma palavra absurdamente chata (e pode ser, dependendo das circunstâncias) mas vejo muita gente da geração dos meus pais, por exemplo, que teve uma vida feliz até agora trabalhando de segunda a sexta, sem ter ~largado tudo~.
      Enfim, só sei que agora empolguei e talvez esse assunto vire um post. heh

      • Isadora Attab

        hahaha faça o post! é bom botar pra fora, né? mas é isso mesmo: rola uma exigência tão grande da gente ser louco e ter altos rolês e viver loucamente que a ansiedade explode. quando, no final, basta mesmo a gente ficar bem internamente ♥

  • Mia

    É simples, mas eu gostei. Porque, afinal de contas, é bem isso mesmo: a gente tem que pagar as contas, mas também precisa viver – não apenas sobreviver -, conhecer coisas legais e cuidar de nós mesmas fisicamente também. Prioridades. Por uma vida mais simples, mais bonita, mais real.

    (Visitar seu blog é sempre um alento. ♥)

  • VANESSA BRUNT

    Primeiramente preciso frisar o quanto essa ilustração mexeu comigo. Sou apaixonada (loucamente!) por essas artes imagéticas que tanto dizem, que tanto captam, que são poesias. Adorei e senti que ratificaram muito das suas palavras. E agora preciso falar o quão tenho vivido nessa base de correrias e tenho tentando lembrar da importância da saúde e do ‘viver’. Realizar meus sonhos e correr atrás deles não adianta se os outros dois ângulos não estão sendo alimentados. Se deixo de viver, estou perdendo conteúdo. Se deixo de sair para ver aquele filme, tomar aquele sorvete, ver aquele sol se pondo… estou deixando de viver. São esses detalhes simples, que até parecem clichês, mas são profundidades quase perdidas nos nossos lembretes diários. Adorei a sua reflexão.

    http://www.semquases.com

    • Isadora Attab

      não é linda, a ilustra? eu apaixonei também ♥

      obrigada pelo comentário, Vanessa! completou muito bem a reflexão, a gente fica mesmo meio perdida em meio a tanta coisa acontecendo, rolando, vivendo… é difícil, né?

  • Alessandra Rocha

    menina Isadora você faz poesia em prosa e nem sei como isso é possível ♥ mas cê escreve umas coisas tão boas de ler que até da um descanso pra nossa mente agitada e surtada com o tanto de coisas e “e se”…

  • Fêh Zenatto

    Muito bom esse texto, Isa. Assim como todos por aqui!
    Acho que essa felicidade e essa serenidade de vida é o desejo de muitas pessoas, né?! Um dia a gente chega lá!
    Beijos.

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