diarin #13 – uma retrospectiva carnavalesca

Cabô carnaval. Começou o ano, minha gente! Feliz ano novo pra vocês!

Risos.

Cês tão bem? Beberam muito? Se mantiveram hidratadinhos? Tiveram alguma insolação? Pegaram algum ex? Orgulharam a titia? Vamo aí começar o ano bem limpa e tirando o glitter biodegradável com óleo de coco e amor, tá bão? Então vamo:

TÔ ASSISTINI – Filmes do Oscar 2018

Me chame pelo seu nome, que é lindo lindo lindo lindo de doer, tudo: as pessoas, o cenário, a história, a fotografia, a trilha, os sentimentos – se a gente desligar a chavinha problematizadora (e eu acho que ela não desliga mais); Lady Bird, que eu amei sim, mas amei mais por ser a Lady Bird no auge da minha adolescência besta, é claro – e não acho que seja tão bom pra quem não ouvia Alanis e se sentia muito especial; Dunkirk, que é um belo e “mais real” filme de guerra, mas meio meeeeh; ; A forma da água, que me deu uma leve decepcionada, pois me fizeram acreditar que era o novo Labirinto do fauno, e apenas não – mas é realismo fantástico na sua melhor forma sim, é incrível!; Os que eu mais gostei: I, Tonya, que achei que seria uma coisa meio no estilo de Menina de ouro (um dos meus filmes favoritos da vida!) e de repente BAM, tiro porrada e bomba, uma narrativa toda malucona, uns personagens fodões, uma Margot Robbie maravilhosa; e Três anúncios para um crime, que por favor, deem tudo pra esse filme, deem tudo pra Frances McDormand, façam esse filme durar mais, por favorzinho! Não verei: O destino de uma nação, pois decepcionadíssima com Gary Oldman que destruiu meu coração por ser hómi; Corra!, pois medo; e Trama Fantasma, pois sono; The Post, pois preguiça.

TÔ ASSISTINI – SÉRIES

Chorando horrores ainda com This is us, que meu deus, não fica ruim/alegre nunca, né? E tambem com Grey’s anatomy que infelizmente eu não posso dizer o mesmo, porém seguimos até o fim. Vimos também The end of the fucking world, uma dessas na pegada estranhinha, hipsterzinha, com uma trilha sonora incrivelzinha e personagens bizarros e que a gente ama fingir que se identifica: claro que achamos legal, risos.

Mas grazadeusa voltooooou a vida gay que eu só não tenho por um erro horroroso do destino, e podemos voltar a morrer diariamente com RuPaul’s Drag Race: All Stars – que tá ruim, mas tá bão, tá bem bão – com a breguice infinita de Irmãos à obra, obrigada Netflix, e com a descoberta mais maravilhosa dos últimos tempos, Queer eye for the straight guy. Sério. Essa série. Sério. Eu achei que ia assistir uma coisinha de boa levinha vamo dar uma risadinha aqui de leve e de repente eu estava inchada de tanto chorar com esses hétero lixo se derretendo e se emocionando e se deixando aprender com esses homens maravilhosos e coloridos. Eu não sei lidar. Ainda. Eu preciso de mais episódios. Alguém me ajude!

TÔ LENI

Aconteceu SIM um milagre desde a última atualização deste tópico neste blog e eu conseguiiiiii concluir o desafio de leitura do ano passado! Cheers! Acabou que eu li livros importantíssimos pra minha vida nos 45 do segundo tempo, que deveriam ser lidos por absolutamente todas as mulheres do mundo: Fome, da Roxane Gay, sobre a relação que temos com nossos corpos a partir da relação que a Roxane tem com o corpo imenso dela; e Mulheres que correm com os lobos que, pela deusa. Pela deusa. Ainda não foi digerido, nem sei se será.

Comecei o ano ajeitando um sério problema literário que tinha: nunca havia lido nada da ficção da Chimamanda Ngozi Adichie. Eu perdi o bonde de Americanah quando esse bonde existiu e acabei não subindo nele nos outros lançamentos, então achei que ia deixar essa falha existir pra sempre mesmo. Porém, esse ano decidi que leria apenas os livros que já tenho (nessa vibe aqui) e Meio sol amarelo e Hibisco roxo estavam ali, me esperando. Bom, foram 3 semanas que eu só conseguia pensar junto dessa mulher. Que livros incríveis, que narrativas maravilhosas, que estilo fantástico. Estou completamente apaixonada por essa mulher, nível Elena Ferrante. Vai ser bom.

Esse ano, inclusive, estou tão organizada (e pretendo me frustrar tanto hahaha) que fiz uma lista dos livros que pretendo ler, além do desafio literário que rola todo ano lá no Goodreads. Vamoquevamo!

TÔ FAZENI

Não estou fazendo mais nada além de carnaval. Porque, minha gente, há vida fora o carnaval? Vocês fazem o que além do carnaval? Como é viver sem estar 153% imersa em carnaval todos os dias?

Então, o carnaval. O carnaval foi maravilhoso, eu acho que vocês já entenderam. E o carnaval foi maravilhoso por alguns motivos que não interessam a ninguém, mas que eu vou listar aqui do mesmo jeito pois, aparentemente, vocês gostam que eu faça isso: 1) os blocos “pequenos” de São Paulo, que me permitiram ir de raba e rabo de fora, com o celular na mão, sem medo de morrer/matar ou ser furtada imediatamente, com umas vibes gostosas e umas músicas ruins; 2) as fantasias marabrillhosas que, dessa vez, me permiti experimentar, sem aquele medo bocó de ficar “ai mas aí só eu vou estar de fantasia e se eu não estiver bonita só ficar ridícula ai meu deus a quarta série tudo de novo”. Foda-se. Que saudade de andar todo dia fantasiada, cheia de glitter e laque no cabelo. Como é bom a gente se divertir com o que tá usando! 3) esse processo bom e dolorido de se (re)descobrir e se permitir e se amar, que me fez (ainda com um certo medo, ainda com um certo auto julgamento, sim) sair seminua de maiô de top de bunda de fora de perna de fora de body divo e de rabo por aí e ficar FELIZ, genuinamente feliz, sem me preocupar a ponto de me paralisar, sem me impedir. Que alegria!

Destaque para esse post da minha musa absoluta, Ana Soares, que citou meu nomezinho na nossa fantasia compartilhada de dragoa dona da porra toda. Alegria que não tem fim <3

OS TOMBO QUE EU TÔ LEVANI

Tô com uma sensação bem avassaladora de estar querendo fazer muita coisa e não estar (tudo assim no infinitivo com gerúndio mesmo) conseguindo dar conta de nenhuma delas socorrinho minha deusa. Eu quero fazer cursos, eu quero continuar a fazer as coisas que eu já faço, eu quero voltar a ter uma rotina, eu quero que o ano finalmente comece de vez, eu quero que meu aniversário chegue, eu quero descansar, eu quero ir pra praia, eu quero ver o mar. Todos eles white people funckin problems, a gente tem que parar pra agradecer um tiquin, credo.

Também tô num hiato monstruoso de atividade física que não sei o que tá acontecendo, sem muay thai, sem pole, sem alongar, sem fazer nada, e eu não sei como cheguei até aqui – fui emendando um “depois de amanhã” no outro e não sei o que tá acontecendo mais. Que barra. Talvez essa coisa de manter uma rotina constante não seja mesmo pra mim, eu sei lá. Mas vamos, novamente, tentar recomeçar. Ô se vamos.

OS PULO QUE EU TÔ DANI

A reforma do banheiro TM por pouco não entrou no tópico acima, porém vamos considerá-la um great success da vida adulta que esse momento tenha sido dado por encerrado com sucesso. Mesmo. Depois de mais de 1 mês de perrengue e sem fazer cocô, temos um banheiro lindo e pinterístico, do jeito que eu pretendo que ele fique até o resto de nossas vidas porque SOCORRO. Ah sim, a gente também precisa reformar a cozinha. HAHAHAHA.

A vida adulta, afinal, é sobre isso aí. Dá pra reformar o banheiro, a cozinha, a casa toda? Dá. Vai ser um perrengue absurdo e vai te impedir de fazer outras coisas que você queria muito? Sim. A gente estava planejando uma viagem incrível para esse ano e, bom, fomos soterrados por caixas de revestimentos (porém tão lindas a cara!). O plano teve que ser adiado, mas vamoquevamo. Além de uma leve frustração – ainda bate de leve aquela vozinha: gente cadê minha mãe que resolvia essas coisas e eu nem sabia o que tinha acontecido? – fica também uma sensação boa de “porra, eu que cuidei disso, de cabo a rabo, e tá aí lindão”. É bom, sim, no final. Bem no final.

AS COISA QUE EU TÔ QUERENI

O mar. Socorro, o mar. Como faz pra ir ver o mar?

alguém me devolve o carnaval?

Agora já é Copa do Mundo, certo? 😀

é mais fácil ser legal

Não precisa ser bocó – ainda que de vez em quando a gente seja bastante -, mas é mais fácil. Responder com “bom dia, tudo bom e você?”, olhar no olho, sorrir ao invés de franzir. Segurar a porta não machuca ninguém. Se afastar um pouquinho não faz mal nenhum. Não tirar o corpo fora quando você pode dar uma mãozinha, estender um pouco o braço quando alguém precisa, gastar aqueles três segundos a mais para não fazer mal a ninguém, respirar, o mundo não está contra você. É mais fácil ser legal e sorrir sempre, e às vezes sorrir sem querer muito, porque vai que a outra pessoa só estivesse precisando de um sorriso, vaique. Não tá certo, não é fácil, ninguém deveria despejar em você o peso que está carregando, mas pode ser o seu “tudo bem?” que alivia dali um pouco de todo o peso do mundo, pode ser que sim, quem sabe.

É muito mais fácil ser legal e ficar feliz com o sol, com o horário de verão, com a chuva e o frio e o cinza também, ué, que problema tem? É mais fácil deixar cada um gostar do seu carnaval, quatro dias não vão matar ninguém. É mais fácil ficar feliz e aproveitar, reclamar dá mais trabalho, derruba a gente, enterra, arrasta quem está em volta junto, não brilha, encerra. É mais tranquilo ir com calma, pensar por dois segundos “mas se o outro tá feliz, que mal faz?”, é mais fácil dar um voto de confiança, ainda que depois a gente volte atrás.

É mais legal com a gente tentar ser legal.

30 antes dos 30 – aquele em que eu tricotei meias de presente pra todo mundo

Midira, mas foi quase.

Esse não é um post completo como deveria/poderia ser, mas vai servir pra me motivar a fazer mais disso aqui que é presentear as pessoas que eu amo com coisas que eu fiz. Eu confesso que, no começo, achei que essa coisa de fazer os presentes das pessoas pudesse ser meio furada, primeiro porque, bom, eu sei lá se as miga iam gostar dessa história de receber coisinhas marromeno, não muito bem acaba, meio mambembezinha, e depois porque achei que não teria a paciência de levar os presentes até o final, como a maioria dos projetos que eu inicio.

Mas deu certo.

Quer dizer: está dando. Esse natal foi corrido – porque eu resolvi tomar essa decisão dia 15 de dezembro, não é mesmo? – e tive que costurar como uma lhouca, mas foi também extremamente feliz e satisfatório e eu amei receber olhares efetivamente surpresos de estarem recebendo algo que, bom… eu que fiz! Se foram genuínos e felizes… Eu prefiro acreditar que sim! Sei que foi importante pra mim, superar todas as inseguranças e essa mania maluca de ser perfeccionista e colocar pro mundo algo assim: meio tortinho, porém feito, cada pedacinho, pensando naquela pessoa mesmo.

É real esse negócio que parece só propaganda de quem faz artesanato: cada risco, cada corte, cada linha; cada costura que sai errada e você tem que desfazer, cada costura que sai certa de primeira e você fica orgulhosa, tudo isso, todo esse tempo – que é imenso, enorme, infinitamente maior do que sair pra comprar um presente pra alguém – toda essa energia é voltada pra pessoa presenteada. E aí você começa a pensar: que legal que eu tenho pessoas que me motivam a fazer tudo isso por elas. De coração. Que alegria é ter pessoas suas, assim. Que legal ❤️

os vasinhos que foram pra casa dos amados nesse natal 🙂

No final, acabei juntando duas coisas importantíssimas pra mim: costurar e presentear. Também rolaram algumas banderolinhas para os neneis queridos que estão chegando, uma almofada e umas outras paradinhas menores. Deu tempo de pensar no carnaval? Deu não!  Agora só falta aprender mais algum projetinho tranquilo de fazer até o próximo natal!


esse post faz parte da série ~30 antes dos 30~, lista ambiciosa de coisas que eu separei pra fazer antes da fatídica idade chegar. você pode acompanhar meu fracasso por aqui – mas eu torceria por mim. estou torcendo. vamos lá. 

eu quero

Eu quero ser tudo, dar conta de tudo, fazer tudo, aprender todas as coisas do mundo, das mais sutis às mais profundas. Eu quero conhecer todo mundo e todo o mundo eu quero conversar com cada uma das pessoas e com ninguém, eu quero dar tudo o que tenho e receber de volta só um “obrigada”, eu quero o reconhecimento de outdoor. Eu quero dar conta de tudo, fazer tudo, ir a todos os lugares, ir aos mesmos lugares de sempre, quero tirar os planos do papel e quero não fazer nada, quero andar de bicicleta todo final de semana e quero ir a todos os bloquinhos de carnaval ao mesmo tempo, pedalando, fantasiada de glitter e catuaba e paz interior. Eu quero concluir todas as listas para criar mais listas de mais tarefas e leituras e lugares e coisas e gentes e ideias e mais listas. Eu quero meu cabelo comprido, quero cortar o cabelo, quero prender o cabelo, quero me cobrir de cabelo, eu quero que todas as roupas do mundo me vistam e quero andar pelada e quero uivar pra lua e colocar o pé na terra. Eu quero o mar, eu preciso do mar.

favoritos #35

[no sentido horário]
Não sei de onde é, mas vi aqui e acho que todo mundo tinha que ler pelo menos uma vez na vida | Já devo ter postado o trabalho da Lili Arnold, mas TEM COMO MINHA GENTE? | Tô apaixonada por esse tipo de bordado-tapeçaria, nem sei direito como chama, mas quero | Eu fico furiosa de não ter acesso a roupas que claramente foram feitas pra eu usar

// Madame, donzela, fêmea: a escritora Noemi Jaffe explica a origem de algumas palavras relacionadas à mulher e ao feminino, no maravilhoso Hysteria

// 6 Influential Women Share Their V. Different Ideas Of What ‘Success’ Means, ou seis mulheres influentes – entre elas a Roxane Gay e a Gwyneth Paltrow, compartilhando suas ideias sobre o que é sucesso. Vi na newsletter da Nath do ano passado (!) e tô pensando um monte aqui sobre isso;

// A assertividade das mulheres gostosas, da Taís Bravo, que é uma das mulheres que eu mais gosto de ler quando o assunto é: mulheres;

// Ela, a Taís Bravo, também traduziu alguns poemas da Key Ballah e compilou Uma lista de tarefas para o amor próprio para o ano. Duro e lindo;

// Via Hysteria: uma animação desenha (literalmente) o conceito de feminino de Simone de Beauvoir;

// Novos lugares para comer e beber em São Paulo em 2018, no SP 24 horas. Bora?

// How to Make Your Own Sacred Space, que coisa mais linda, da Rookie;

// Foram muitas as newsletters lindas de começo de ano, mas a da Odhara, Meu coração é um nervo exposto, bateu direitinho aqui. Essa: why can’t we give ourselves that one more chance? Ainda mais com essa descoberta aqui:

Eu sigo várias contas de astrologia. Perto da virada, uma delas falou sobre as quatro leis da espiritualidade ensinadas no hinduísmo:

1. A pessoa que cruza o seu caminho é a pessoa certa.
2. O que aconteceu é a única coisa que poderia ter acontecido.
3. O momento em que as coisas começam é o momento certo.
4. Quando algo acaba, acaba.

É lindo, não é? ❤️