favoritos #24

favoritos24

Esse ensaio fotográfico com essas flores | Quero todas essas blusas pra quando o inverno chegar O jardim dessa casa As texturas da Kim Keever

// A playlist pra conhecer Bob Dylan que a Júlia Medina fez no Headcanons (leiam!), e o texto que é uma das coisas mais bonitas e precisas sobre esse amor da minha vida <3

// Essa lista com 7 óleos essenciais que ajudam a aliviar a ansiedade, do Um Toque Pra Você, pra dar uma mãozinha pra todo mundo.

// Dois links sobre beleza, dois links do Depois dos Quinze: essa visita à fábrica da Lush, na Inglaterra, e essa seleção dos batons queridinhos da Mac.

// Dica de app para organizar viagens bem bacana, o My Maps, lá no Lomogracinha.

// Essa indicação de leitura poderosa da Sofia Soter na Deriva, para lermos Pequenas Delicadezas, da Cheryl Strayed – de quem eu não gostei nem um pouco em Livre, mas fiquei morrendo de vontade de dar uma segunda chance.

// Tão, tão, tão importante, sempre, da OlgaChamam as mulheres de loucas, mas já tentou rejeitar um homem?

diarin #7 – so far so good

A pergunta que eu fiz no último diarin continua reverberando: devo eu ter uma newsletter? Devo eu ter uma newsletter e o blog? Como faz pra ter mais essa responsabilidade? Vocês leriam? O que vai acontecer com a gente?

Continuam sendo questãs. Sem respostas. Por ora, seguimos.

O que eu posso dizer é que faz tempo que eu não venho aqui contar da vida, não é mesmo? Eu reparei principalmente porque tenho uma cacetada imensa de série pra falar pra vocês assistirem e, sem or, isso não para. E eu ia fazer um textão pós-carnaval, já que é quando o ano começa, mas depois do carnaval tem meu aniversário e só então o ano ganha algum movimento então cá estou eu, seguimores.

TÔ ASSISTINI
Categoria Assisti e foi gostosinho:
 Apartment 23 (don’t trust the bitch…) foi bem divertida e a Krysten Ritter é realmente incrível, mas nada emocionante; The New Normal é beeem bonitinha, engraçadinha e tem personagens cativantes, mas também tem um personal tão horrível e odioso que eu acho que esqueceram de colocar o aviso de “isso é uma piada não é legal ser assim”;  Please Like Me começou sendo meio aaaaah e tá me ganhando aos poucos, que puta série fofinha; Santa Clarita Diet se você embarcar no nonsense e ignorar as nojeiras, é beeeem engraçado e nunca antes na história desse país um casal representou a mim e ao boy tão bem; a segunda temporada de Mozart in the Jungle é bem delicinha e eu não consigo tirar os olhos do Gael? Sim; a segunda temporada de Transparent continua uma porrada atrás da outra, mas eu acho que tá perdendo o foco principal? Sim também.

Categoria Minha série minha vida em ordem de alucicrazy que eu fiquei: American Crime Story: People X O.J. Simpson, porque eu absolutamente amo histórias de crimes e amo histórias de julgamento. QUE PUTA SÉRIE. Que atuações, que roteiro, que desgraçadinha da cabeça que eu fiquei quando terminei. Vejam.; Desventuras em Série, eu não saberia dizer nada racional sobre essa série. É terrível, é horrorosa, só acontece coisa ruim, é tudo o que eu queria ter produzido em toda a minha vida, não vejam <3; Crazy Ex-Girfriend;

Fora isso e Fora Temer, é claro, vai ter textão sobre os filmes do Oscar. Ou não. Essa é a Isadora 2017 se eu for eu vou, vamos ver.

TÔ LENI
Cara, então. Eu tenho medo de contar isso publicamente porque grandes migas e grandes leitoras e Lorelai Gilmore amaram este livro, mas devo confessar que achei Wild/Livre uó. Chato. E entediante. E eu acho que talvez não entendir. Eu não entendir se é uma história sobre a travessia/caminhada em si, eu não entendir se é uma história de epifania pessoal, de superação, eu não entendir. Eu só achei que não chegava a lugar algum nunca – mas talvez esse seja realmente o ponto, e eu só não esteja no melhor momento pra ler um livro assim. Podicê. Vou dar uma nova chance em breve. E ver o filme.

Daí eu comecei a ler O Conto da Aia, da Margaret Atwood, porque agora eu participo de um Clube do Livro, minha gente (tomamos chás e temos gatos sim), e indicaram essa leitura maravilhosa por lá. TÁ MUITO DAORA. É uma distopia num futuro não tão distante onde ocorreu um golpe de Estado e uma espécie de seita religiosa e ultra fundamentalista domina os rolês e quem sofre? Claro, nós, mulheres. COINCIDÊNCIA MORES? Vamos perguntar para um Xeroque Rolmes. Volto em breve com mais notícias.

TÔ FAZENI
Olha. Eu não queria falar em voz alta pra não zicar. Ou talvez por não entender. Ou talvez por um minimozinho de vergonha. Mas pra vocês, assim, eu conto que, menina… Eu tô indo na academia. Eu tô indo na academia real oficial assim, eu tenho um treino, e eu tenho outfits, e as pessoas me chamam pelo nome e eu troquei bons quilos do meu peso por músculo – embora eu ainda ache que essa parte é mentira. E eu não confirmo nem nego que eu tenha comprado um pote de whey (vegano). Veremos.

Junto com isso eu decidi treat myself e fazer várias coisinhas entre chatinhas e legaizonas para cuidar de moá, como por exemplo ir ao dentista (tortura) e fechar um pacote de massagem de madame (legalzona). Obviamente que a partir de agora eu vou ter que viver até junho com 3 reais na conta, mas tamo aqui se sentindo linda, cheirosa e bem cuidada? Tamo.

Ah, e seguimos cada dia mais vegetarianinha, com muito amor, rumo à testemunha de jeovegan, mim aguardem.

OS TOMBO QUE EU TÔ LEVANI
Eu até que tô conseguindo com sucesso me manter em pé mas minha gente o que eu tô vendo de gente querida se estabacando não tá escrito, eu tô com o coração apertadinho, apertadinho </3 É difícil estabelecer aquele limite “não é problema meu, não pode me afetar tanto”, sabe? Acaba sempre ficando uma áurea meio bad pairando, como se a gente devesse estar fazendo mais. Dói.

Daí fora o país, fora o mundo e fora o quê? Vocês já sabem. Tem também que eu tô com uma alergia generalizada agudíssima e horrorosa desde, mais ou menos, novembro. Sim, novembro. Sim, ano passado. Uhum, faz uns 4 meses. É uma coisa linda que você começa a se coçar e a sua pele vai ganhando relevo e coloração avermelhada à medida que seus dedos a tocam e, basicamente, você vira uma lousa mágica. Já fui em mais ou menos todos os médicos do hemisfério sul e eles dizem que 1) não vomorre; 2) do mesmo jeito que ela aparece, ela vai embora; 3) não tem causa definida; 4) pode demorar até 1 ano pra passar. UM ANO TÁ MORES.

OS PULO QUE EU TÔ DANI
PULO GLITTER SAMBA CARNAVAL VEM VEM VEM GLITTER ATÉ 2018 VAMÔ.

E eu queria muito dar a notícia importantíssima life changing e absolutamente surreal pra mim de que eu, depois de 27 anos, finalmente consegui largar o vício em Afrin. É sério gente. Eu não uso mais Afrin. At all. Aquilo é uma desgraça e todo médico que eu ia me dizia que eu ia ter um avc por causa daquela merda. HOJE EU SOU UMA PESSOA LIVRE.

Vamo comemorar.

um texto bocó num dia cinzento

Eu recarrego no sol.

Não é uma coisa namastê-gratidão-plena não, eu nem sou uma pessoa totalmente “da praia” – apesar de amar praia e precisar do mar, são muitas as variáveis que me fazem efetivamente ir à praia. Mas a sensação que me dá é exatamente essa: que eu recarrego no sol. Que cada raiozinho entra dentro de mim me dando um super boost de energia e felicidade. Felicidade, sim.

Eu fico feliz no sol. Feliz de verdade, ainda que tudo esteja triste e meio ruim. Dias nublados me deixam honestamente deprê e eu fico me perguntando como faria se tivesse que ir morar num desses lugares maravilhosos, com divisão de renda justa, com índices de felicidade incríveis e sem sol. Nublados. Que escurem às 16h. É um problema real oficial pra mim.

O sol me dá vontade de me esticar e tomar sol. Sol me dá vontade de me arrumar e de sair. Sol me dá vontade de dançar na rua feito um musical bocó.

Eu gosto mesmo do sol, mesmo em dias frios ou dias bundas ou esses dias que parece que estão ali sem motivo, ninguém sabe porque. Se tem sol, neles, tá bom. Pelo menos tá sol.

Eu gosto bastante do sol e isso nem significa necessariamente que eu goste do calor (embora eu gostei bastante do calor também). Mas eu gosto de dias iluminados e de folhas verdes e de céu azul. E do sol. Que me recarrega e me deixa com vontade de dançar.

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Agora eu tenho um coleguinha que gosta tanto do sol quanto eu, no trabalho. Esse coala surfista. Ele tá em cima da sua prancha de sunguinha e felicidade, sabe. Se está sol, cara, ele dança. Pra frente e pra trás, pegando várias ondas. Se tá meia boca, ele só rebola um tiquinho. Len. Ta. Men. Te. E se fecha tudo e fica cinza-São-Paulo, menina, dá até pra ouvir seu grito de desespero, seu pedido de ajuda. Ele precisa de sol, e eu também.

 

favoritos #23

favoritos23Da série: não entendi mas é bonito demais, esses cactos + essas cores + essa janela | Esses pufes dessa sala, que dão vontade de se jogar no chão e ficar ali pra sempre | Essa festa com temática mexicana-vibrante-maiscactos-muitacor meu deus do céu socorro eu preciso disso | Essa coleção de roupas que é tão maravilhosa que não tenho como descrever

// Um texto sobre ser mais leve, desses que a gente tem vontade de ter escrito, da Ana, do Hoje Vou Assim [OFF], que está sempre entre os meus favoritos.

// Se você não se aguenta – eu ainda estou me aguentando!o horóscopo da maior bruxa que vocês respeita (2017 e essa é a PRIMEIRA VEZ que eu uso o meme, estou orgulhosa!) para esse ano que começamos | E na vibe mística astrológica do começo de ano, esse post incrííiiiiiivel da Invertisa que vai te fazer acreditar em astrologia (se você ainda não acredita eu não sei o que vcocê tá fazendo aqui desgurpa)

// Na vibe de se cuidar mais que, obviamente, passa pela alimentação, dicas de 5 lanchinhos leves para o verão, do Corre Mulherada! | E ainda sobre cuidadinhos – e, pra mim, a onda dos “cuidadinhos naturais” veio pra ficar – dois posts muito bacanas sobre óleos essenciais, um do Um Ano Sem Lixo, sobre secar espinhas, e outro de uma menina maravilhosa que compartilhou num grupo do facebook sua rotina de cuidado com a pele e eu quero casar com essa mulher!

// Listinha do amor da AzMina com as séries mais feministas de 2016, mas que, claro, dá pra ver pra sempre, né? | Junto dessa lista dos livros indicados pela Emma Watson – e a alegria de ver esse tipo de post vindo da Capricho

 

vai com calma

Olar meu povo, feliz ano novo!

O que dizer de um ano que já começa na loucura loucura loucura de modos que a gente só consegue chegar por aqui em pleno dia 15? Não sei. Tá sendo bom? Não sei. Tá sendo ruim? Não sei. Tá sendo cheio de coisa? Tá, ô se tá.

A vida de vocês também costuma ter uns ciclos assim, cheios de coisas, e outros em que parece que nada acontece? A minha sim. Especialmente dividida em meses, ou em fases. Do tipo: dez-mar é UMA LOUCURA. Começa no final do ano, em que todo mundo está louquinho pra se ver e matar a saudades/tirar do sistema o fato de que não conseguiu ver os amigos durante o ano inteiro, emenda com natal e ano novo, sempre aquela tensão relacionada às festas, vai pra janeiro e a gente tentando desesperadamente aproveitar o verão – e o verão é maravilhoso, saidaquisevocênãogostaeuquerosolequeimaduradeterceirograu – daí já vem a melhor época do ano, também conhecida como CARNAVAL, dois finais de semana e mais uns diazinhos regados à catuaba, bloquinho na rua e chuvarada tóxica de São Paulo e termina como? Com o meu aniversário.

É mágico.

É aquela fase em que a gente pensa “porra, talvez a vida seja boa mesmo, olha quanta coisa legal acontecendo, olha esses dias ensolarados, olha essa gente feliz!”, em que a gente questiona a necessidade da existência de blogs, newsletters e afins, já que a famigerada ~vida real parece muito mais legal, em que a gente faz declarações de amor à cidade, aos migos, e que tudo parece bom e próspero.

Daí começa a degringolar.

Esse ano eu resolvi não deixar a peteca cair e tentar – digo tentar porque MEUDEUSDOCÉU eu nunca vi tanta enrolação pra programar férias nessa vida socorro burocracia #nãoreclamedacrisetrabalhe #oimickjagger – emendar as minhas férias quaseque nesse período: digamos, em maio, já que tem o aniversário do boy em abril, o que garante uma boa thread de amor e amigos. Conseguiremos? Vamos acompanhar. Temos dinheiro pra viajar esse ano? Nenhum. Ficaremos em São Paulo e faremos listas daquelas coisas que nunca fizemos mas que “faremos nas próximas férias em casa”? Ô SE FAREMOS. Terminaremos as férias com aquele sentimento maravilhoso de frustração? Wait and see.

Lá pra maio/junho, e o segundo semestre de uma maneira geral nunca me agradaram muito – ano passado, ok, tivemos um certo casamento aí e uma certa viagem aí, então não conta. Mas, basicamente, já começa a bater aquela bad de “poxa já passou mais um ano e aí o que você fez?” e a voz da Simone começa a aparecer discretamente no fundo do seu cérebro. E, cacete, parece que esse ano vai ser mucho louco, desses de muito trabalho e pouco tempo pra descanso – e só o que eu queria era descansar um pouco. Estamos cansadas por antecipação? Estamos.

Claro que eu me meti, além do trabalho real oficial, em mais um ou dois projetos paralelos que demandam muito, muito tempo e dedicação e finais de semana de movimentação. Como lidaremos com isso? Não faço a menor ideia (com “crises de ansiedade”, eu digitei e apaguei, mas vou tentar lidar de uma maneira melhor com isso esse ano também). Isso porque, desses dois projetos, nenhum entra no quesito “realização de sonhos”. Ainda tem isso pra gente pensar. Sem contar meus cursos de miçangas que, me parece, terão que entrar num profundo standby esse ano.

Então é isso. Eu prometi que não faria grandes resoluções de ano novo – a única que fiz até agora entrou na agenda-bonitinha como cuidar mais de mim, mas na real, quer dizer “mexer essa bunda gorda” e “parar de ser mão de vaca com comida”, mas eu nunca, em hipótese alguma, assumiria isso pra vocês – e também (ainda) não passei perto das previsões de tia Susaninha, cês acreditam? Juro que (ainda) não, e que tá tudo bem assim, desse jeito meio “manda aí que nóis resolve daqui”. Quem é essa pessoa que vos escreve e o que ela fez com a sua amiga Isadora? Eu não sei. Gosto dela? Também não sei. Quanto tempo ela ficará por aqui? São questões.

2017eita

Essa sou eu depois de ter aceitado fazer um bate e volta que demorou 9h na ida e 6h na volta até o litoral norte na casa de pessoas completamente desconhecidas sem nenhum planejamento prévio num final de semana que marcou 38 graus com um colchão inflável sem saber se havia mais de um banheiro e postando essa foto no instagram sem poder conferir se meu mamilo estava efetivamente aparecendo porque o sol não permitia e postando mesmo assim (não estava aparecendo). eita.

 

Vamos aguardar.

Meanwhile eu entrei na onda, claro, do gracioso e hipster bullet journal planner agendinha incrementada e vou te dizer que está sendo bem legal me organizar por ali. Na real, sem muitos códigos e adesivos personalizados: só uma organização semanal pareada com uma lista de tarefas em que, yes you can, eu anoto tudo o que preciso fazer e não me cobro absurdamente se não consigo cumprir mais do que 1 ou 2 tarefas daquela lista – mas sempre me esforço muito bonitinhamente para cumprir ao menos 1 ou 2 tarefas da lista. Mesmo. Vem funcionando.

Novamente, vamos aguardar. Vem de boas, tá, 2017? Vamos tentar seguir assim até o final, sem dramas. Te amo. Beijos.

2016 eita; ou seventy years of being human

Tá todo mundo feliz que 2016 acabou.

Cara, foi treta. Foi difícil. Foi truncado. Exigiu muito da gente. Levou muito da gente. Colocou todos os nossos princípios à prova todo-o-santo-tempo. Se foi. Mas tá aí: a gente sobreviveu. E eu, no alto da minha patetice pisciana, acho que a gente acabou aprendendo com tudo o que se viu obrigado a desapegar. Na marra. Estamos todos cansados, exaustos, sem ter de onde tirar energia.

E também que eu não posso reclamar. Mesmo que tenha sido no meio de um monte de dificuldade, 2016 foi o ano que, bom… Que eu posso dizer que tudo o que foi importante deu certo. Que eu resolvi fazer um casamento do zero em 5 meses – e deu certo e foi lindo. Que eu dei um passo importante pra esse amor tão certo. Que a casinha se tornou finalmente um lar. Que, no meio do fim do mundo profissional que tá rolando, eu consegui pelo menos entender que tatu-do-bem, mesmo que não esteja, porque a gente consegue no final. Que eu botei em prática um dos planos do papel e, mesmo que não seja fácil, ele tá por aí, na vida.

Mesmo que seja na marra, algo fica. Fica que a gente aprendeu a ser resiliente. Fica que a gente descobriu pontos em comum, mesmo quando todo o mundo parecia contra a gente. Mesmo quando somos minoria. Fica que a gente percebe que tem muita gente disposto a lutar, a seguir. Fica que a gente aprende que nem sempre precisamos de tanto. De tantos. Fica que a gente descobre que tudo bem chorar também. Cair.

Foi um ano, acima de tudo, de crescimento pessoal. Dolorido, eita, bem dolorido, porque a gente vai se espremendo e moldando numa casca que às vezes não serve que, depois de um tempo, para de abraçar e começa a esmagar a gente. Dói se livrar dela, dói se desvencilhar de uns pedacinhos que ficam grudados, às vezes, não sai tudo de uma vez: a gente tem que ficar cutucando, tirando com cuidado, descascando até não sobrar mais nada. Longe de mim colocar aqui uma metáfora sobre casulos e lagartas e borboletas, mas é isso aí.

É difícil deixar pra trás, também. Pessoas, princípios, amores, hábitos. A gente se apega a coisas que talvez nem fossem tão reais assim. Também, quando desapega, tem essa mania besta de olhar com desdém, como quem não quer, como quem se alivia – e pode ter alívio, sim, mas que ele seja mais doce. Longe de mim colocar aqui a palavra gratidão, mas é isso aí. Olhar pra trás com a certeza de que ficou e pode continuar lá, mas sem ressentimentos ou mágoa.

Ver o que foi bom. Se esforçar pra ver o que for bom. Ver o que foi bom. Se agarrar no que foi bom.

Eu tou bem feliz com quem eu sou. Eu tou bem feliz com o que eu construí. Eu tou bem feliz com quem me acompanhou até aqui – embora eu precise me lembrar sempre de que tudo bem não estarem também. Eu tou bem feliz com a Isadora, de maneira geral. Foi a duras penas que a gente aprendeu, em 2016, que o foco tem que ser a gente, sempre, então que em 2017 a gente consiga lidar com essa lição de maneira mais calma e mais generosa.

Por isso, eu vou me permitir fazer essa transição de uma maneira mais leve, sem cobranças, sem pressão – sem listas!. Aproveitar que cai tudo num sábado e não permite muita comemoração ou rituais de passagem pra ser essa a resolução: atenção diária ao que foi bom. Comemorações diárias. Celebrações diárias. Ser feliz todo dia sim – e respeitar os dias ruins também.

É engraçado: parece que 2016 me ouviu falando essas coisas todas e resolveu dar seu último suspiro nas duas últimas semanas. Não sei aí com você, mas por aqui, tá tudo bagunçado, de corte de cabelo (que estava maravilhoso ¬¬) que deu errado a conta da Uber e todos os cartões que foram clonados, de maluquices mil no trabalho a burocracias da vida adulta que você nem sabe como surgiram. Dessas que desestabilizam a gente e nos deixam naquele estágio de “mas por que isso tá acontecendo comigo, se eu faço tudo direito?”.

O truque, eu acho, é respirar. Tudo bem dar errado. Não é só com você. A gente não pode controlar tudo. E tentar não criar o bichinho da raiva e da amargura aí dentro. Por pra fora, berrar no travesseiro, comer o pote de sorvete inteiro. Agarrar os gatos – falei que 2016 teve até gatinho novo filhote bebê? Teve.

E como eu ando nessas de não saber direito o que dizer, nem como, nem pra quem, eu queria deixar vocês com duas reflexões mais bonitas e completas que apareceram na minha vida essa semana, justo nela, toda complicada e cheia de problemas. A primeira é da Nath que, com as suas cartas, foi um dos pontos altos do ano, sempre pontual, sempre no timing certo: que o seu próximo ano seja repleto desses momentos que você quer registrar para guardar, postar, compartilhar. Porque a vida do instagram é, sim, muito maravilhosa e, no final das contas, a nossa vida é isso aí: um amontoado de bons momentos que a gente quer guardar pra sempre (em volta de um amontoado de momentos blé que a gente só esquece).

A segunda é um mix da apresentação da Patti Smith no Prêmio Nobel, no lugar do Bob Dylan, com a reflexão que ela fez na The New Yorker sobre o ocorrido – ela ficou nervosa, errou a letra, pediu pra voltar. Musa eterna da minha vida, essa mulher incrível que, a medida que envelhece, vai deixando mais e mais pensamentos importantes pra gente:

When my husband, Fred, died, my father told me that time does not heal all wounds but gives us the tools to endure them. I have found this to be true in the greatest and smallest of matters. Looking to the future, I am certain that the hard rain will not cease falling, and that we will all need to be vigilant. The year is coming to an end; on December 30th, I will perform “Horses” with my band, and my son and daughter, in the city where I was born. And all the things I have seen and experienced and remember will be within me, and the remorse I had felt so heavily will joyfully meld with all other moments. Seventy years of moments, seventy years of being human.

– How does it feel, Patti Smith (The New Yorker)

Todo mundo deveria assistir essa apresentação, pelo menos uma vez na vida.

Que a gente se permita ser assim: mais humanos, com mais erros, com mais sentimentos. Vamos com calma. Com amor. E vamos mais gentis.

Vem, sim, 2017. Seja legal com a gente!

diarin #6 – continuamos por aqui por enquanto

Oi gent. Cês tão boa?

Venho cá eu depois de um sumiço programado e dolorido por meio deste vos questionar: devo eu ter uma newsletter? Eu devo ter uma newsletter e manter o blog? O que vocês pensam a respeito disso, meu povo? E sobre a vida? E o Universo e tudo o mais?

Pois bem, esses pensamentos têm assolado meus últimos dias. Rolou até uma conversa no tuínter em que digníssimas arrobas queridas da minha vida insistiram para que isso acontecesse, mas meu coração-flogão ainda me prende por aqui. Ou não? O que eu faria numa newsletter diferente daqui? Onde vocês estão?

São questões.

TÔ ASSISTINI
Categoria Assisti e foi gostosinho:
BlackishHow to Live With Your Parents (For The Rest of Your Life)How to Get Away With Murder, Black Mirror (defina “gostosinho”); Categoria Comecei e já abandonei: The Good Place (merece segunda chance), The Fosters, Paranoid, The ExpanseCategoria Assisti até o final por pura raiva e vontade de morrer: 3% – meu deus do céu que coisa ruim; Comecei detestando e terminei adorando: Westworld; Categoria Tamo assistindo: Designated Survivor sdds Jack Bauer, Brooklin Nine, This Is Us;

Fora isso, teve Gilmore Girls – Um Ano Para Recordar. Mas eu não sei falar sobre isso.

E, no quesito cinema, foi um mês animadinho e cheio de coração quentinho, com Animais Fantásticos e Onde Habitam, o ótimo Doutor Estranho #cumberbitch e, em breve vai ter mais Star Wars pra deixar todo mundo feliz. #gratidão eu diria.

TÔ LENI
Elena Ferrante Elena Ferrante Elena Ferrante. Estou lendo Elena Ferrante. Quer dizer, acabou. Acabou o pesadíssimo A Filha Perdida, que desgraçou tudo da cabeça mesmo, e depois acabou História de Quem Foge e Quem Fica – terceiro livro aguardadíssimo da tetralogia, achei um pouco menos cativante que os dois primeiros, mas a história TÁ CADA VEZ MAIS TRETA SOCORR. Acabou e a gente ficou como? Desgraçada da cabeça. Daí resolvi ler O Ano Em Que Disse Sim, da marabijosa Shonda Rhimes que mulher – aproveitando a deixa de bichar (pesquisem) com a miga Analu, e descobrindo o inevitável, que eu sou horrível nisso. Mas tamo seguindo, e é engraçado e levinho e auto-ajuda, tudo o que precisávamos depois de desgraçar a cabeça com Elena Ferrante.

TÔ FAZENI
Basicamente, esse foi um mês dedicado a esse serzinho pretinho bonitinho pequenininho destruidorzinho de plantíneas aqui. Conheçam a Baunilha, nova integrante da República Comunista Bolivariana do Minhocão, vulgo casínea. Há algum tempo que pensávamos em adotar um gatíneo filhote e, bom… A gente viu a foto de uma bebê pretinha chama VANUSA na ong e no dia seguinte estávamos agarrados na bichinha. Claro que rolou uma adaptação treta por aqui, mas dessa vez, bem mais rápida: alguns uivados, alguma vingança contra os humanos, alguns dias me ignorando mais do que o normal, e agora voltamos à programação normal de amor e ronrons.

E um filhote. Gente, vocês já tiveram um filhote de gato em casa? JÁ? Vocês sabem o que é ter um bichinho do tamanho da sua mão dormindo em cima da sua cara porque não tem a menor noção de espaço? Caçando o próprio rabo por aproximadamente 15 minutos? Tentando pular em cima da cama e caindo no chão porque não alcança? Eu recomendo.

Esse foi um mês mais caseiro, com menos grana e menos motivação. Mas ainda deu pra ir assistir o ótimo Rocky Horror Show numa adaptação beeeem divertida, pertinho de casa e com uma amiga querida. Também, recomendo. Menos que filhote de gatinho, mas ainda assim, vale a pena!

Comprei um computador novo, que tá deixando minha vida internética mais interessante. Pra vocês terem uma ideia, meu computador antigo, além de uma mancha de 4 dedos no lado esquerdo da tela muito black mirror isso gent, não me permitia abrir um navegador + outro programa randômico como, por exemplo, o Word. Ou o Spotify. O Photoshop? Puf. Explodia. Então eu peguei todo o dinheiro que não recebi com o 13º e investi num bichinho novo prateado rapidinho cheio dos balangandã tecnológico com a assistente pessoal robô Cortana. Tô adorando.

OS TOMBO QUE EU TÔ LEVANI
Vai chegando o final do ano e a gente tá como? Cansada, exausta e tentando resolver as tretas da vida que não resolveu nos outros 11 meses e 12 dias. Uhum. E quanto mais treta a gente tenta resolver o que acontece? Aham, mais treta surge. A progressão é mais ou menos assim: tenta fechar uma das 3 contas no banco pra parar de pagar taxa desnecessária > Descobre mais 2 contas abertas > Pede pra fechar as 4 contas > Perde o RG na tentativa > Precisa do RG pra justificar o voto que não votou no 2º turno > Acha o RG > Perde a guia do exame > Pede o encerramento da conta empresa > Precisa do título de eleitor regularizado… E assim segue a vida.

E tem o país né, gent. E tem o mundo. Que a gente finge que não tem pra não sofrer mais.

OS PULO QUE EU TÔ DANI
Minha gent, eu parei de comer carne. Tá, talvez seja muito cedo pra falar isso, “parei” assim, mas eu tô nesse processo. E olha, tá sendo bem sussa. Muito fácil de adaptar, muito gostoso de cozinhar, muito tranquilo de passar sem. Até agora, os problemas figuram em dois pontos bem específicos: salsicha (sim socorr) e shopping. Shopping é muito deprê se você não come carne, gente, só sobra aquele brócolis velho do Viena. Mas ok, fica como mais uma dica de detox, né. Se me tornarei uma pessoinha absolutamente vegetariana? Acompanharemos.

essa edição num tem foto bonitínea

 

E sobre a newsletter: esse não seria tipicamente um post de newsletter? Seria, não seria? Então, qual seria o post que deveria entrar aqui, no lugar dele? Nenhum? E morrer aos poucos? E a dificuldade de abandonar meu posto na internet que ocupo com tanto carinho desde… 2007? São mais questões.

Aguardo ansiosamente a enxurrada de respostas de vocês com a hashtag #ficaisa.

favoritos #22

favoritos22

Uma parede de glitter. UMA PAREDE DE GLITTER. Adeus | A Casa Chaucha é um dos blogs de decoração mais autênticos da internet e agora tem um Guia de Botânica! | Os bordados gigantes que estão enfeitando Madrid e a minha cabeça | Esse apartamento é todo absolutamente incrível, mas eu tô completamente apaixonada pelas portas dos armários da cozinha. Pode?

// Daily Links: Return to Stars Hollow Edition, da Rookie Mag, porque agora falta menos de uma semana e pode ser que eu esteja entrando em colapso.

// Você trocou a culpa católica pela culpa feminista?, um vídeo da Carol Patrocínio bem necessário, já que tem muita gente – como se não bastasse TUDO – cagando regra em cima do feminismo alheio.

// Sobre Elena Ferrante e uma pitada sobre relação mãe e filha, da Taís Bravo.

// O que aconteceria se o mundo inteiro virasse vegetariano?, matéria bem interessante (e pé no chão) da BBC.

// Edição especial “fim do mundo vem meteoro vamos todos morrer mesmo”: Don’t agonize, organize, da Lenny Letter, sobre o que podemos fazer em tempos sombrios (o conteúdo é fechado, mas assinem a Lenny, é uma das produções mais interessantes da internet hoje); ‘Insecure’: How Issa Rae’s Sitcom Just Became Our Post-Election SaviorDon’t Try to Gaslight Chimamanda Ngozi Adichie About Trump’s Racism; E, pra finalizar, esse texto lindo, Não choramos mais, da Brena O’Dwyer, que pode nem ter nada a ver com o assunto, mas talvez tenha. E não choramos mais.

Eu vivi 27 anos marromeno até hoje pra ver esse filme, nessa versão, com a Emma. E eu vou o quê? EU VO MORRE.